ELEIÇÕES 2026
Flávio fica sob pressão por amizade com advogado alvo do escândalo do INSS
Empréstimo de imóvel e viagens conjuntas expõem aliança de senador e Willer Tomaz



A relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz passou a gerar questionamentos para a campanha do parlamentar à Presidência da República. Além de uma amizade mantida há anos, os dois viajaram juntos, compartilham relações profissionais e tiveram conexão envolvendo um imóvel utilizado por Flávio durante a campanha.
Em março de 2025, cerca de nove meses antes de lançar seu nome para a disputa ao Planalto, segundo o jornal O Globo, Flávio viajou para a África do Sul acompanhado de familiares e amigos. Willer Tomaz estava entre os integrantes do grupo. A proximidade entre os dois também se estendeu a outras viagens, imóveis, aeronaves e processos judiciais.
Apartamento usado durante a campanha
No mês passado, Willer cedeu a Flávio um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para ser utilizado durante a campanha. A informação inicialmente foi publicada pela revista Piauí.
No entanto, o uso do imóvel foi questionado por adversários de Flávio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A alegação é de que o espaço deveria ter sido registrado como doação à campanha.
O apartamento também passou a chamar atenção por sua ligação anterior com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Ainda conforme a Piauí, antes de ser adquirido por Willer, o imóvel pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela Polícia Federal como operador do banqueiro.
PF identificou viagens internacionais
A relação entre Flávio e Willer também aparece em documentos analisados pela Polícia Federal durante investigações envolvendo o advogado. Os investigadores identificaram ao menos cinco viagens internacionais realizadas pelos dois no primeiro semestre de 2025. Depois da viagem à África do Sul, Flávio e Willer estiveram em Portugal e na França. Antes disso, os dois também haviam viajado juntos para os Estados Unidos.
A identificação dos deslocamentos ocorreu após a PF analisar o celular e a caixa de e-mails de Willer. Segundo as reportagens, os investigadores encontraram fotografias, reservas, registros de voos e documentos relacionados ao aluguel de veículos.
Em uma das imagens localizada no celular do advogado, Flávio aparece ao lado de Willer e do senador Weverton Rocha (PDT-MA), acompanhado de crianças, em uma área de savana durante a viagem à África do Sul.
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Relação é anterior às viagens
A proximidade entre Flávio e Willer é anterior às viagens identificadas pela PF. O advogado é conhecido em Brasília pela relação com políticos de diferentes grupos e mantém sociedade em seu escritório com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff (PT).
Durante a CPI da Covid, em 2021, Flávio saiu em defesa de Willer quando integrantes da comissão discutiam a quebra do sigilo do advogado. Na ocasião, o senador o chamou de “meu amigo Willer Tomaz”.
Além da relação pessoal, Flávio e Willer também mantêm atuação profissional conjunta. Um levantamento publicado pelo GLOBO em julho apontou que os dois trabalham em processos judiciais.
Em um dos casos, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Flávio e Willer representam um dos sócios de uma indústria do Rio Grande do Norte em uma disputa empresarial envolvendo a execução de R$ 159 milhões.
Flávio diz que relação é de amizade
Em resposta à publicação carioca, Flávio Bolsonaro afirmou manter uma “relação de amizade” com Willer Tomaz e classificou a proximidade como legítima.
“Qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, afirmou o senador.
Flávio não informou se teve despesas pagas pelo advogado. Sobre o imóvel ocupado em São Paulo, ele também não se manifestou.
Willer, por sua vez, afirmou que as viagens tiveram caráter privado e decorreram de uma relação de amizade com Flávio e sua família. Segundo ele, os deslocamentos foram custeados com recursos próprios e não tiveram relação com função pública, contratos ou interesses de terceiros.
Ademais, Willer afirmou que “jamais manteve” relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro. E, assim como Flávio, não respondeu ao questionamento sobre a utilização do apartamento por candidato à Presidência.
Weverton Rocha também confirmou a relação de proximidade com Willer. “Willer Tomaz é meu compadre e amigo há muitos anos e já fizemos várias viagens juntos em família”, declarou.


