MUDANÇA DE POSTURA
Deputado de direita e pastor declara apoio a Lula e critica clã Bolsonaro
Parlamentar conservador justificou apoio ao petista e criticou a atuação da família Bolsonaro



O deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ) declarou publicamente seu voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação foi divulgada por meio de um vídeo publicado em sua conta oficial no Instagram.
O parlamentar, que mantém identificação com o campo conservador e de direita, rompeu com o bolsonarismo e antecipou o apoio ao candidato petista para a corrida eleitoral.
Durante a gravação, Otoni relatou que a mudança de postura veio após uma revisão de suas posições e um distanciamento das narrativas políticas anteriores.
"Eu fiz oposição muito ferrenha ao senhor, até que eu tive um encontro com a verdade, não com as narrativas de quem era o senhor", afirmou o deputado no registro publicado em sua rede social.

O parlamentar justificou que a escolha pelo nome de Lula representa um movimento estratégico para a estabilidade democrática e institucional do país.
"O que me faz estar aqui, presidente, é uma decisão que eu tomei de declarar o meu voto ao senhor já nesse primeiro turno. Embora haja consequências dessa minha decisão, mas a sua eleição hoje, ela é fundamental para o nosso país", declarou.
Críticas ao clã Bolsonaro e à segurança no Rio de Janeiro
No decorrer do pronunciamento, Otoni de Paula direcionou críticas severas a Flávio Bolsonaro e ao alinhamento político da família no estado do Rio de Janeiro, associando o grupo a problemas estruturais na segurança pública e na gestão de órgãos federais.
"Porque do outro lado, nós temos um perigo muito grande. Primeiro que o seu concorrente, o Flávio, ele tem esses envolvimentos e nós, que somos do Rio, eu conheço o Flávio com as milícias do Rio de Janeiro", pontuou o deputado.
O parlamentar também citou exemplos específicos relacionados a unidades de saúde administradas pelo governo federal na capital fluminense durante a gestão anterior:
"Nós temos um hospital federal aqui no Rio de Janeiro, que é o Hospital Cardoso Fontes, que o senhor conhece muito bem. Durante os 4 anos do governo do Bolsonaro, quem comandou politicamente esses hospitais federais, foi o Flávio Bolsonaro. E quem mandava no estacionamento do Cardoso Fontes eram as milícias, presidente."
Diálogo com o eleitorado evangélico
Otoni abordou ainda o impacto de sua decisão junto ao segmento evangélico e denunciou episódios de intolerância e perseguição política dentro das comunidades religiosas contra quem manifesta apoio à reeleição de Lula.
"O ódio se instalou no nosso meio, presidente, hoje é uma perseguição. O evangélico que vota no senhor está sendo excomungado, está sendo excluído, perseguido", lamentou.
Por fim, o deputado destacou avanços sociais direcionados às camadas de menor poder aquisitivo e a garantia de liberdade religiosa assegurada pela gestão federal:
"Talvez, a religião que foi mais beneficiada pelos seus problemas sociais, fomos nós, porque nós, evangélicos, fazemos parte da base da pirâmide social, classe E, classe D. O senhor matou a fome de muito evangélico com o Bolsa Família. Foi o senhor que nos deu a liberdade religiosa, quando nós íramos ser apenas uma simples associação", finalizou.


