ELEIÇÕES
PT baiano supera era carlista nas urnas e consolida hegemonia
Vitória de Jerônimo Rodrigues é a sexta do PT no estado



Nenhum partido venceu tantas vezes nas urnas a disputa pelo governo da Bahia quanto o PT. A reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, com 55,19% dos votos, na noite de domingo, 4 de outubro, é a sexta vitória consecutiva dos petistas no estado, o maior colégio eleitoral do Nordeste.
Considerando todas as eleições diretas para governador, a partir do período de reabertura democrática, no início dos anos 1980, o PT supera, já contabilizando o segundo mandato de Jerônimo, o domínio do ‘Carlismo’, grupo político liderado pelo ex-governador Antônio Carlos Magalhães (m.2007).
PT supera Carlismo e se afasta de marca do PFL
O êxito dos petistas nas urnas consolida a hegemonia da sigla no território baiano, chegando a 24 anos de poder no executivo estadual, ultrapassando os 20 anos do bloco que deu origem ao atual grupo de oposição.
A era de duas décadas de poder dos carlistas, no entanto, teve uma breve interrupção, entre os anos de 1987 e 1990, quando os peemedebistas Waldir Pires (m.2018) e Nilo Coelho ocuparam o cargo.
Leia Também:
Após a eleição de Antônio Carlos Magalhães (PFL), em 1990, o grupo venceu os pleitos de 1994, 1998 e 2002, chegando a 16 anos seguidos no governo do estado, ciclo encerrado a partir do triunfo de Jaques Wagner, em 2006, o primeiro do PT na Bahia.
Antes disso, o antigo PDS, oriundo da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação da ditadura militar, elegeu João Durval nas eleições de 1982, como candidato indicado pelo então governador ACM, dentro do bloco carlista, derrotando o ex-governador Roberto Santos (PMDB).
Vitória surpreendente de Wagner inicia era petista
O ano era 2006. No rastro do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os petistas arriscaram mais uma candidatura de Jaques Wagner ao governo da Bahia, após a derrota na eleição de 2002 para Paulo Souto (PFL).
Wagner se tornou ministro do governo Lula, ocupando as pastas de Trabalho e Relações Institucionais, deixando a Esplanada dos Ministérios no início de 2006 para se dedicar ao projeto eleitoral no estado.
Como candidato para um novo embate com Paulo Souto, Wagner escolheu o ex-prefeito de Brumado, Edmundo Pereira, como vice, sacramentando também a aliança entre PT e PMDB, a primeira dos dois partidos em solo baiano.
Visto como azarão, Jaques Wagner conseguiu o posto de ‘candidato de Lula’, começando uma ofensiva nos prefeitos insatisfeitos, nos ex-prefeitos, nos candidatos derrotados e em lideranças políticas nos chamados rincões.
A estratégia vingou e culminou na surpreendente vitória de Jaques Wagner, a primeira das seis do PT por duas décadas.
Wagner vence novamente e faz Rui Costa sucessor
Jaques Wagner rompeu com o PMDB, fruto do impasse criado nas eleições para a prefeitura de Salvador em 2008. Os peemedebistas escolheram o então ministro Geddel Vieira Lima como candidato ao governo, enquanto a oposição lançou novamente Paulo Souto para a disputa.
Nas urnas, os candidatos de oposição dividiram votos, enquanto Wagner venceu novamente no primeiro turno.
Para a sua sucessão, em 2014, Wagner escolheu o deputado federal Rui Costa, ex-vereador de Salvador e secretário na sua gestão.
De perfil discreto, mas forjado nos sindicatos dos tempos do Polo Industrial de Camaçari, Rui Costa se destacou dentro das estruturas de administração da Governadoria, décadas depois, conseguindo ser eleito governador em 2014.
Rui Costa vira fenômeno nas urnas e se reelege
Após a vitória em 2014, Rui Costa consolidou seu governo, expandindo sua rede influência como governador, estabelecendo uma relação direta com os prefeitos de diferentes regiões do estado.
Sua atuação, junto a um momento de fragilização da oposição pós-carlista, que não contava mais com a presença política do ex-governador Paulo Souto, derrotado por três pleitos seguidos, lhe encaminhou para uma reeleição histórica.
Desta vez, José Ronaldo (DEM), que renunciou o posto de prefeito de Feira de Santana para tentar chegar ao executivo estadual, foi o candidato derrotado pelos petistas.
Rui Costa venceu com 5.096.062 de votos, a maior votação da história da região Nordeste para o cargo de governador, sendo o candidato mais votado em 414 dos 417 municípios baianos, perdendo apenas em Feira de Santana, Buerarema e Itapetinga.
Vitórias de Jerônimo consolidam era petista
A reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, neste domingo, 4, representa a consolidação da era petista na Bahia, se tornando o com o maior tempo de poder consecutivo à frente do quarto maior colégio eleitoral do país.
A vitória também coloca Jerônimo como único governador do PT na história da Bahia que nunca perdeu uma eleição disputada. Rui Costa, seu antecessor, chegou a ser derrotado em eleições legislativas, antes das experiências exitosas que o levaram ao Palácio de Ondina.
Governadores da era carlista (via democrática)
- João Durval (PDS): 1982/1986
- Antônio Carlos Magalhães (PFL): 1991/1994
- Antônio Imbassahy (PFL): 1994
- Paulo Souto (PFL): 1995/1998
- César Borges (PFL): 1998/2002
- Otto Alencar (PL): 2002
- Paulo Souto (PFL): 2003/2006
Governadores da era petista
- Jaques Wagner: 2007/2014
- Rui Costa: 2015/2022
- Jerônimo Rodrigues: 2023 - previsão até início de 2031.


