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Da gestão pública à reeleição: a trajetória de Jerônimo Rodrigues na Bahia

Engenheiro agrônomo e professor, Jerônimo construiu carreira antes de chegar ao Palácio de Ondina

Luan Julião
Por
Jerônimo Rodrigues (PT)
Jerônimo Rodrigues (PT) - Foto: Reprodução Flickr | Jerônimo Rodrigues
Eleições 2026

Jerônimo Rodrigues Souza acaba de escrever um novo capítulo de sua trajetória política na Bahia. Aos 61 anos, o governador foi reeleito neste domingo, 4, para mais quatro anos no comando do Estado. Com 4.601.756 votos, equivalentes a 55,74% dos votos válidos, o petista encerrou a disputa ainda no primeiro turno.

A vitória marca uma mudança importante na trajetória de um político que, até poucos anos atrás, era conhecido principalmente pela atuação acadêmica e pela passagem por diferentes estruturas da administração pública.

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Quando chegou à disputa pelo governo em 2022, Jerônimo nunca havia ocupado um cargo eletivo. Quatro anos depois, volta às urnas com um mandato conquistado, uma ampla rede de alianças políticas e uma estrutura municipal que se tornou um dos pilares de sua campanha.

De Aiquara à universidade

Natural de Aiquara, no interior da Bahia, Jerônimo nasceu em 3 de abril de 1965. Começou os estudos em Jequié e construiu sua formação acadêmica em instituições públicas.

Ingressou no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1987, no campus de Cruz das Almas. Durante a graduação, aproximou-se do movimento estudantil e, em 1990, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores.

Na vida pessoal, conheceu durante a universidade Tatiana Velloso, também engenheira agrônoma e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Os dois se casaram e tiveram um filho, João Gabriel.

Durante o mestrado em Agronomia, Jerônimo retornou a Aiquara e passou a atuar como professor do Colégio Municipal Américo Souto. Na mesma época, assumiu a Secretaria Municipal de Agricultura durante a gestão do prefeito Moacyr Viana.

A carreira acadêmica avançou posteriormente na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), onde Jerônimo foi professor do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS) e chegou à vice-direção da unidade.

Foi nesse período que a trajetória acadêmica começou a se aproximar definitivamente da administração pública.

Da gestão pública aos governos do PT

Em 2007, durante o primeiro governo de Jaques Wagner na Bahia, Jerônimo tornou-se assessor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em 2010, passou a integrar a Secretaria do Planejamento.

No ano seguinte, deixou a Bahia para atuar no governo federal. No Ministério do Desenvolvimento Agrário, ocupou funções como secretário-executivo adjunto, secretário nacional de Desenvolvimento Territorial e assessor especial do ministro.

A experiência na administração pública federal foi seguida pelo retorno ao estado.

Durante o governo Rui Costa, Jerônimo participou da implantação da Secretaria de Desenvolvimento Rural. Em 2018, assumiu a coordenação da campanha de reeleição de Rui.

Com a vitória de Rui, passou a comandar a Secretaria da Educação da Bahia. A passagem pela pasta o colocou à frente de uma das maiores estruturas administrativas do Estado e aumentou sua exposição dentro do grupo político petista.

Foi dessa trajetória, construída entre universidade, gestão pública e articulação política, que surgiu o nome escolhido para suceder Rui Costa.

A primeira eleição e a chegada ao Palácio de Ondina

Em 2022, Jerônimo foi lançado pelo PT para disputar o governo da Bahia. A candidatura representava a tentativa do grupo político liderado pelo PT de manter o controle do Palácio de Ondina após oito anos de Rui Costa e oito anos de Jaques Wagner.

A eleição terminou em segundo turno. Jerônimo enfrentou ACM Neto e venceu a disputa, assumindo o governo em janeiro de 2023 ao lado de Geraldo Júnior (MDB).

A força dos prefeitos na construção da reeleição

A articulação com os municípios foi um dos elementos centrais da estratégia política de Jerônimo para a reeleição.

Ao longo de 2026, prefeitos que anteriormente estavam ligados a grupos de oposição passaram a declarar apoio ao governador.

Na reta final da campanha, a base governista contabilizava mais de 300 prefeitos aliados em diferentes regiões da Bahia. A própria campanha transformou essa capilaridade municipal em uma das principais ferramentas de mobilização eleitoral.

Em 19 de agosto, Jerônimo reuniu mais de 300 prefeitos em Salvador para discutir as estratégias da campanha e a atuação nos municípios.

A reunião contou com o vice-governador Geraldo Júnior, os candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner, o senador Otto Alencar e representantes dos partidos que formavam a base.

Mais do que um encontro eleitoral, a reunião expôs uma característica da estrutura construída por Jerônimo durante o mandato: a tentativa de aproximar o governo estadual das administrações municipais.

Durante o encontro, o governador defendeu a articulação entre Estado, prefeituras e governo federal e falou sobre a criação de bancos de projetos para auxiliar os municípios.

A campanha também explorou a parceria entre Jerônimo e Lula. A estratégia juntou a força do presidente na Bahia à estrutura municipal formada pelo governador.

Saúde como uma das marcas da gestão

No primeiro mandato, a expansão da estrutura de saúde esteve entre as principais frentes apresentadas pelo governo.

Foram entregues cerca de 15 hospitais regionais e estaduais durante o período, além de maternidades e unidades de pronto atendimento.

Entre os equipamentos estão o Hospital Velho Chico, em Ibotirama, a Unacon de Ruy Barbosa e o Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas.

Em sabatina realizada pela A TARDE durante a campanha, Jerônimo citou a ampliação da rede de saúde e afirmou que o Estado passou a contar com 56 hospitais de alta complexidade.

A expansão da rede também faz parte de uma estratégia que atravessa os governos petistas na Bahia: levar equipamentos de maior complexidade para o interior e reduzir a concentração de atendimentos em Salvador.

Educação e expansão do ensino integral

Na educação, a ampliação da rede de tempo integral foi uma das principais frentes da administração.

Desde 2023, o governo estadual inaugurou 116 unidades de tempo integral, ampliando a infraestrutura disponível para os estudantes da rede pública.

A política dá continuidade a uma expansão iniciada nas gestões anteriores, mas ganhou novas entregas durante o primeiro mandato de Jerônimo.

VLT e a transformação da mobilidade

Na mobilidade urbana, o VLT do Subúrbio tornou-se uma das principais obras associadas ao governo Jerônimo.

O projeto substituiu a antiga estrutura ferroviária do Subúrbio de Salvador por um novo sistema de transporte e avançou durante a gestão, entrando em fases de execução e implantação dos trechos previstos.

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A obra também passou a ser apresentada pelo governo como parte de uma estratégia de integração entre diferentes modais de transporte da Região Metropolitana.

O VLT apareceu entre as principais obras citadas pelo próprio governador durante a campanha.

Ponte Salvador-Itaparica entra em fase de execução

Outro projeto de grande dimensão que avançou durante o primeiro mandato foi a Ponte Salvador-Itaparica.

Em junho de 2026, o governo autorizou o início das intervenções em terra, no município de Vera Cruz, abrindo uma nova etapa do empreendimento.

A ponte terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos e integra um sistema que inclui intervenções viárias em Salvador, na Ilha de Itaparica e na BA-001.

O projeto é apresentado pelo governo como uma obra de impacto sobre mobilidade, logística, turismo e desenvolvimento econômico.

Cultura ganha novo TCA e Bahia Filmes

Na cultura, a gestão avançou com o projeto do Novo Teatro Castro Alves (TCA).

A intervenção foi estimada em mais de R$ 260 milhões com modernização e ampliação da estrutura do principal equipamento cultural do Estado.

Outra iniciativa foi a criação da Bahia Filmes, empresa voltada ao fortalecimento da produção audiovisual baiana.

BYD e a nova fase industrial de Camaçari

A instalação da BYD em Camaçari também entrou na lista dos principais acontecimentos econômicos do primeiro mandato.

A chegada da montadora chinesa contou com articulação entre os governos estadual e federal e marcou uma nova etapa para o polo industrial de Camaçari, depois da saída da Ford.

O empreendimento passou a ser associado à produção de veículos elétricos e à formação de uma nova cadeia industrial no estado.

A aposta na indústria também colocou Camaçari novamente no centro da agenda de desenvolvimento econômico da Bahia.

Obras espalhadas pelo interior

A estratégia de aproximação com os municípios esteve acompanhada de uma política de obras descentralizadas.

Em março de 2026, o governo anunciou um pacote com mais de 670 obras em 279 municípios, envolvendo saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento rural, com investimentos de R$ 1,55 bilhão.

A dimensão territorial das obras também se tornou parte do discurso político do governo. Durante a campanha, Jerônimo procurou apresentar a presença do Estado no interior como uma das marcas da administração.

Esse movimento ajudou a aproximar o governador dos prefeitos e, consequentemente, fortaleceu uma rede política que chegaria às eleições de 2026.

Da estreia eleitoral à reeleição

A trajetória de Jerônimo, portanto, ganhou uma mudança significativa em quatro anos.

O professor universitário e engenheiro agrônomo que passou por secretarias estaduais e pelo governo federal, mas nunca havia disputado uma eleição majoritária até 2022, tornou-se governador da Bahia e, no primeiro mandato, ampliou sua presença política para além do PT.

A aproximação com prefeitos, a relação com deputados e partidos da base, a parceria com Lula e um conjunto de obras e investimentos formaram o cenário sobre o qual o governador disputou a reeleição.

Agora, com 55,74% votos e a vitória ainda no primeiro turno, Jerônimo inicia um segundo mandato com uma trajetória política diferente daquela que o levou ao Palácio de Ondina pela primeira vez.

Se em 2022 a eleição representava a chegada de um nome sem mandato ao principal cargo do Executivo baiano, em 2026 as urnas confirmaram a permanência de Jerônimo no posto e abriram um novo ciclo para o governador que construiu sua carreira longe dos palanques antes de chegar ao centro da política baiana.

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eleições na Bahia Governador da Bahia Jerônimo Rodrigues

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