
Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acreditam que o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, no último domingo, 4, abre margem para uma possível virada do petista contra Flávio Bolsonaro (PL), no dia 25 de outubro.
Segundo informações obtidas pelo portal A TARDE, pessoas do entorno do presidente admitem um erro na leitura do cenário eleitoral no primeiro turno, que teve Flávio na primeira colocação, com cerca de 56 milhões de votos.
O entendimento dos nomes consultados é de que a campanha terá que adotar, a partir de agora, uma postura mais ‘agressiva’ e ‘ideológica’ para acirrar a disputa contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O que mostram os números do 1º turno?
Lula teve 53.879.538 de votos no primeiro turno, enquanto Flávio, primeiro colocado, obteve 56.104.503 de votos, uma diferença de 2.224.965 de votos entre os dois candidatos.
Apesar da liderança de Flávio, essa é a menor diferença entre os dois primeiros colocados no primeiro turno desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro também liderou com menos votos do que os conquistados por Lula em 2022.

Lula, que venceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL) nos dois turnos de 2022, liderou o primeiro turno com 57.259.504 de votos, enquanto o então presidente teve 51.072.345 de votos.
Para o cientista político João Vilas-Boas, há a “possibilidade matemática” de uma virada do presidente Lula, o que seria um feito inédito nas eleições presidenciais no Brasil.
“Desde a redemocratização, nunca tivemos uma eleição presidencial em que quem terminou o primeiro turno em primeiro lugar acabou derrotado no segundo. Portanto, existe possibilidade matemática de reversão, mas seria um movimento eleitoral relevante e historicamente inédito”, apontou o analista em entrevista ao portal A TARDE.
Crescimento de Haddad mostra potencial
Em 2018, quando Fernando Haddad foi o escolhido do PT para a disputa presidencial contra Jair Bolsonaro (PSL.ext), o candidato do PT saiu de 31.342.051 de votos para 47.040.906 de votos entre o primeiro turno e o segundo turno.
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A alta de votos, ocasionada por uma campanha conhecida como ‘vira voto’, que mobilizou diversos setores da sociedade, não foi capaz de derrotar Bolsonaro, mas representou um crescimento de 15.698.855 de votos em 21 dias.
O mesmo exemplo é citado por João Vilas-Boas, que explica os fatores que colaboraram para esse aumento de votos, como a transferência de parte de eleitores de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), candidatos derrotados no primeiro turno.

“Um exemplo interessante é 2018. Haddad saiu de cerca de 31,3 milhões de votos no primeiro turno para aproximadamente 47 milhões no segundo, um crescimento de quase 16 milhões. O contexto era diferente, porque havia Marina e Ciro como candidaturas competitivas no primeiro turno. Agora, parte importante dos votos que ficaram pelo caminho está em candidaturas de direita, como Caiado e Zema, o que torna a dinâmica de transferência mais complexa”, pontuou.
Lula já tirou votos de candidato em 2º turno
Reeleito em 2006, Lula conseguiu um feito histórico naquela eleição: além da vitória com recorde de votos na época, 58.295.042, o petista retirou votos do seu adversário no segundo turno, Geraldo Alckmin (PSDB), hoje seu vice pelo PSB.
Alckmin, que havia recebido 39.968.369 de votos no primeiro turno, caiu para 37.543.178 votos no segundo turno.
Reverter abstenções é o caminho
Outra estratégia citada pelos integrantes da campanha de Lula, em conversas reservadas com o portal A TARDE, é a conversão das abstenções no primeiro turno, convencendo o eleitor a votar no segundo turno.
Os 33.469.244 de abstenções no primeiro turno, recorde histórico, são vistos, de acordo com políticos aliados de Lula consultados, como os ‘responsáveis’ pelo resultado do pleito no dia 4 de outubro.
A mesma ideia de mobilização tem sido usada pela campanha de Lula nas redes sociais, em um movimento liderado pelos deputados federais e estaduais jovens eleitos no pleito deste ano.
Eu não acho que a eleição vá ser decidida simplesmente por uma migração maciça de votos de um candidato para o outro João Vilas-Boas, cientista político
Um dos principais exemplos é a jovem Ana Elisa, de apenas 21 anos, eleita deputada federal pelo PT, tendo a internet como sua principal plataforma de propagação de ideias.
João Vilas-Boas, cientista político ouvido pelo portal A TARDE, frisou que Lula, assim como Flávio Bolsonaro, precisará mobilizar esse perfil de eleitor, que ainda pode votar e tem preferência política, mas optou por não votar no primeiro turno.

"A abstenção será uma variável central. No segundo turno, os dois candidatos precisam mobilizar eleitores que já têm alguma preferência, mas que não necessariamente compareceram no primeiro turno”, pontuou.
Apostas de Lula para o 2º turno
Agora, além das redes sociais e da virada de abstenções em votos para Lula, a campanha do candidato petista tem mirado em pontos que podem ser cruciais na hora de decidir o voto nas urnas.
Rui Costa (PT), ex-governador, ex-ministro e senador eleito, foi um dos escalados para a coordenação da campanha no segundo turno, após o sucesso da sua caminhada na Bahia.
O senador cearense Camilo Santana (PT), também ex-ministro e ex-governador do seu estado, foi outro nome colocado na linha de frente na campanha de Lula, que agora tem como missão ‘desconstruir’ o perfil construído por Flávio Bolsonaro ao longo do primeiro turno.
Apostas da campanha
- Desconstrução de Flávio Bolsonaro;
- Uso de influencers digitais nas redes;
- Foco em estados-chave para a vida;
- Apontar possíveis desmontes de Flávio;
- Conversão das abstenções;
- Conversão de votos dos candidatos do 1º turno.



