ELEIÇÕES
TSE manda Flávio Bolsonaro apagar vídeo falso sobre ato pró-Lula
Presidente do TSE convocou reunião com campanhas de Lula e Flávio para esta terça



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, retire do ar um vídeo que utiliza imagens fora de contexto para sugerir o uso de drogas por apoiadores do presidente Lula (PT). A gravação foi divulgada após a manifestação pró-Lula realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo, 11.
O vídeo mostra uma jovem de cabelo vermelho sentada no chão com outras duas pessoas. Na gravação, ela inala um pó branco. No entanto, o material já circulava na internet antes do ato político, o que indica que as imagens não foram registradas durante a manifestação.
Na decisão, o ministro Marco Aurélio Bellizze criticou o uso de imagens descontextualizadas para distorcer acontecimentos políticos.
“Essa forma de apresentação falsa e manipulada dos fatos, mesclando acontecimentos reais e situações que de fato não ocorreram é extremamente deletéria e pode caracterizar, como no caso dos autos, grave manipulação por descontextualização”, escreveu o magistrado.

Publicações devem ser removidas em 24 horas
A decisão estabelece prazo de 24 horas para que Flávio Bolsonaro, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC), o empresário Pablo Marçal (PRTB) e o deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS) removam as publicações que utilizaram as imagens da jovem.
O ministro também determinou que a Meta retire do ar uma publicação semelhante divulgada pelo perfil Sociedade em Fatos e identifique o responsável pela página.
Segundo os documentos apresentados na ação, o vídeo teria sido publicado originalmente no Chile. Uma conta no X baseada na Argentina compartilhou a gravação em 10 de outubro, um dia antes da manifestação na Avenida Paulista.
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Outra publicação, de uma usuária chilena que se identifica como nacionalista e anticomunista, associou as imagens a um protesto em defesa da Palestina realizado no país.
Belizze ressaltou que a decisão não impede críticas políticas ao ato, desde que não sejam baseadas em imagens apresentadas de forma enganosa.
“A medida não impede críticas, opiniões ou publicações sobre a manifestação que não apresentem o vídeo anteriormente mencionado como registro do evento”, afirmou o magistrado.
Presidente do TSE reúne representantes das campanhas
Em meio à disputa judicial entre as campanhas presidenciais, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, marcou para esta terça-feira, 13, às 15h30, uma reunião com representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
O encontro ocorre após uma sequência de decisões judiciais envolvendo publicações eleitorais. Na semana anterior, o vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, determinou a retirada de postagens da campanha de Lula que criticavam supostas propostas de Flávio.
No domingo, 11, Nunes Marques determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula”. Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento do canal. A questão ainda pode ser analisada pelo plenário da Corte.
TSE analisa canal com milhões de usuários
Na segunda-feira, 12, Nunes Marques solicitou uma análise técnica urgente do canal “Exército de Lula”, que reúne mais de 3,7 milhões de usuários e é coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a área técnica do TSE informou que não encontrou no canal os conteúdos falsos que motivaram a investigação, mas apontou possíveis riscos eleitorais. A campanha de Flávio Bolsonaro havia acusado o grupo de disseminar desinformação.


