ENTREVISTA
“A IA deixou de ser algo inacessível”, afirma executiva da Claro
Inteligência artificial pode dar retorno rápido no comércio? Entenda


Com quase 30 anos de experiência em negócios, boa parte delas em telecomunicações, Roberta Godoi está à frente da Claro Empresas para o segmento de Pequenas e Médias Empresas. Nesta entrevista, a executiva analisa os custos da IA e seus impactos sobre a relação com consumidores.
Quanto custa implementar soluções de IA e em quanto tempo o investimento costuma se pagar?
Depende do porte e da solução, mas, para o pequeno e médio empreendedor, a IA deixou de ser algo inacessível, que depende de conhecimento técnico profundo ou estrutura de especialista, e passou a estar disponível para contratação como serviço, por assinatura. O Blip Go, por exemplo, tem três planos mensais, todos sem fidelidade. O Básico custa R$ 179,90, com 50 disparos de mensagens; o Intermediário custa R$ 239,90, com 100 disparos; e o Avançado, R$ 399,90, com 300 disparos.
A solução é configurada e operada sem conhecimento técnico especializado, usa a infraestrutura oficial da Meta e é cobrada na própria fatura da Claro, com suporte especializado. Isso elimina boa parte do custo de integração e manutenção que antes afastava o pequeno negócio. A mesma lógica vale para a nuvem: na Claro cloud, um dos diferenciais é a previsibilidade dos custos. O retorno sobre o investimento dependerá de cada negócio e da aplicação da IA.
Cada aplicação e o volume de transações definem o retorno no curto, médio ou longo prazos. Normalmente, aplicações em vendas e atendimento têm retorno no curto prazo, porque a IA amplia a capacidade de atender o cliente e gerar negócios.
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Como a IA transforma relações de trabalho no comércio?
No pequeno comércio, a IA tem mudado mais a rotina do que o quadro de pessoas. Assume tarefas repetitivas, como responder horário de funcionamento, preço ou disponibilidade de produto. A equipe fica livre para o que pede julgamento e relacionamento: negociar, resolver problemas, fechar vendas, encantar o cliente. Apostamos no modelo híbrido, em que o atendente assume a conversa sempre que necessário e a automação pausa.
Qual o limite entre oferecer conveniência e invadir a privacidade do cliente?
O limite é o propósito e a transparência. Usar dados para atender melhor quem procurou a empresa, lembrar uma preferência ou avisar sobre algo que o cliente pediu é conveniência. Insistir, expor ou usar informações para algo que o cliente não esperava é invasão. A confiança vem de deixar claro o que é coletado e para que, e de respeitar a legislação de proteção de dados. A segurança faz parte da digitalização. O portfólio da Claro inclui soluções de cibersegurança para PMEs, como o Microsoft Defender. Personalização sem segurança não gera confiança.


