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MERCADO

Empresas antecipam Natal em Salvador para faturar até 40% mais

Planejamento que começa em agosto evita falta de estoque e garante mercado corporativo

Joana Lopes
Por Joana Lopes
Elis Piñón, do Grupo Empório
Elis Piñón, do Grupo Empório - Foto: Daniel Assis/Divulgação

Quando as vitrines ainda não exibem árvores iluminadas e panetones, empresas de diferentes setores já começaram a organizar as ações de Natal. A preparação antecipada envolve análise das vendas anteriores, definição de orçamento, contratação de fornecedores, compra de presentes e desenvolvimento de ambientes personalizados. O objetivo é evitar falta de estoque e de mão de obra, além de aproveitar a data para reforçar vínculos com colaboradores e consumidores.

Em Salvador, o Grupo Empório espera ampliar entre 30% e 35% a operação corporativa de Natal em 2026. Na temporada passada, a empresa atendeu 56 pessoas jurídicas. Para absorver os novos projetos, aumentou a equipe de atendimento e produção e apresentou, ainda no final de agosto, um showroom voltado a profissionais de marketing, recursos humanos e gestores de hospitais, indústrias, condomínios, hotéis e empresas de serviços.

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A antecipação foi adotada depois que clientes procuraram a empresa em novembro, nos últimos dois anos, quando acervo, profissionais e datas já estavam comprometidos. “Muita gente nos procurou para contratar cenografia, mão de obra e agenda para uma celebração corporativa e já não tínhamos nada para oferecer. Percebemos que havia uma fatia de mercado não atendida”, afirma a CEO do Grupo Empório, Elis Piñón.

Segundo ela, as encomendas deixaram de se limitar à montagem de árvores, guirlandas e outros elementos decorativos. As empresas passaram a contratar conceitos relacionados à identidade da marca, experiências sensoriais, workshops, ações para funcionários e ativações direcionadas aos clientes.

Os projetos também variam conforme o ambiente. Enquanto hospitais demandam elementos associados à tranquilidade e ao acolhimento, empresas industriais podem buscar outras linguagens. Entre as propostas apresentadas pelo grupo estão um Natal botânico, com referências tropicais, cenários em rosa, ambientação musical e composições com cristais, plantas desidratadas ou elementos marítimos.

Valorização da marca

“As empresas têm entendido que o Natal não é só decoração. É oportunidade de negócio e valorização da marca”, diz Piñón. Para ela, os investimentos estão relacionados ainda ao sentimento de pertencimento dos funcionários e à permanência dos consumidores nos espaços.

Na Incomaf Marcenaria e Construção, as compras dos itens destinados aos colaboradores começam em setembro. A decoração é instalada no fim de outubro. Além do kit para a ceia, a empresa enfeita as lojas e distribui brindes.

“O Natal tem forte apelo emocional e gera conexão entre as pessoas. Tudo que é planejado com antecedência funciona melhor”, afirma Fernanda Ferrari, responsável pelo marketing da companhia. Para a ambientação deste ano, a empresa avalia uma proposta rústica, com folhas e flores desidratadas, por considerar que os materiais dialogam com a identidade da marca.

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A organização antecipada alcança ainda o mercado de incentivos e recompensas. A BHN Brasil registra alta das negociações de cartões-presente a partir do início de setembro. Como vendas corporativas envolvem grandes lotes, o processo exige tempo para definir valores, formatos e distribuição.

De acordo com o Relatório de Tendências de Incentivos 2026, da Cashin, o volume investido nessas iniciativas no país passou de R$ 150 milhões, em 2024, para R$ 250 milhões em 2025, alta de 66,7%. Entre os produtos disponíveis neste ano estão cartões multimarcas, com créditos de R$ 100 a R$ 500, e um vale digital da Seara, lançado em julho, que permite ao beneficiário montar uma ceia de R$ 150 a R$ 600 para entrega em dezembro.

Na Deli&Cia, que produz itens para ceias e cestas corporativas, o planejamento começa em outubro. A empresa estuda tendências, examina os resultados do ano anterior e pesquisa novos produtos antes de definir o cardápio. As compras são realizadas em novembro, e biscoitos, panetones e embalagens temáticas chegam às lojas no início de dezembro.

“Quanto mais planejamento, melhor. Assim dá tempo de pesquisar novidades, criar a campanha com fotos e vídeos e garantir que todos os produtos cheguem no prazo”, afirma a sócia Daniela Biscarde. Para ela, a decoração também interfere nas vendas ao despertar o interesse do consumidor e aumentar o tempo de permanência no estabelecimento. O resultado compensa: “Investimos cerca de 28% a mais no período natalino e temos um faturamento cerca de 40% maior”, celebra a empresária.

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