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Nem o melhor currículo salva: os erros que zeram suas chances na entrevista de emprego

Especialista detalha as armadilhas invisíveis que eliminam até os candidatos com ótimos currículos

Lívia Oliveira
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Ter um bom currículo e dominar os requisitos técnicos apenas coloca a pessoa no jogo para ser considerada para preencher uma vaga.
Ter um bom currículo e dominar os requisitos técnicos apenas coloca a pessoa no jogo para ser considerada para preencher uma vaga. - Foto: Reprodução/Freepik

Encontrar uma colocação no mercado de trabalho brasileiro exige resiliência. Com processos seletivos de múltiplas etapas e uma alta competitividade, ser chamado para entrevista é um marco importante, mas ainda não garante facilidade para contratação.

A entrevista, seja presencial ou por videochamada, é um momento de avaliação detalhada sobre comportamento, maturidade profissional e capacidade de entrega no dia a dia.

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Para entender o que acontece nos bastidores dessas conversas e o que pesa na decisão das empresas, o A Tardeconversou com Liz Coelho, psicóloga e coordenadora de pessoas e cultura da Zorya. A especialista detalhou as armadilhas invisíveis que eliminam candidatos com ótimos currículos e esclareceu o que são apenas mitos nas seleções.

O funil das entrevistas de emprego no Brasil

Segundo dados do Caged(Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mais de um milhão de postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em 2025. Em muitos desses casos, os trabalhadores enfrentaram processos seletivos até assumir o posto.

Uma pesquisa feita pela Catho Online, empresa de classificados de currículos na internet, garante que as entrevistas têm um papel classificatório de grande relevância. Cerca de 48% das empresas, em especial as de grande porte, entrevistam de 4 a 5 candidatos para uma única vaga.

Por que candidatos tecnicamente bons são eliminados?

Ter um bom currículo e dominar os requisitos técnicos apenas coloca a pessoa no jogo para ser considerada para a vaga. Segundo a coordenadora Liz Coelho, três situações principais costumam reprovar candidatos que pareciam perfeitos no papel:

Falta de evidências práticas: O profissional domina perfeitamente a teoria, mas trava ou não consegue trazer exemplos concretos de como utilizou aquele conceito para solucionar um problema real do dia a dia.

Lacunas em competências complementares:
Imagine, por exemplo, uma vaga de atendimento em que a pessoa domina o sistema, mas demonstra pouca disposição para explicar a mesma coisa duas vezes. O conhecimento técnico está presente, mas uma competência importante para aquela rotina pode não estar.

Desalinhamento de expectativas:
Acontece quando há uma distância grande entre o que o profissional espera (como autonomia total em uma estrutura que exige processos rigorosos) e a realidade do cargo.

Apesar desses filtros, a especialista faz uma ponderação: uma resposta fraca coletada durante a conversa não deve ser tratada como um veredito definitivo. “Antes de eliminar um candidato, é preciso entender se estamos diante de uma falta real de competência ou se a entrevista não conseguiu criar espaço para que ela aparecesse”, destaca Liz.

Comportamentos na entrevista de emprego que ligam o sinal de alerta

Questionada pelo A TARDE sobre os comportamentos que mais geram preocupação em gestores e recrutadores, a coordenadora de pessoas destacou atitudes que colocam em dúvida a convivência e a relação de confiança no ambiente de trabalho.

“Durante uma entrevista, observo como o candidato se comunica, como reage a perguntas mais difíceis e como fala sobre suas experiências anteriores. Quando existe uma postura de desrespeito, falta de transparência ou uma tendência a responsabilizar sempre os outros pelos problemas, isso merece atenção”, explica.

Outro ponto de alerta é a tentativa de sustentar uma imagem de perfeição, de nunca ter errado ou enfrentado uma dificuldade. “A maturidade profissional não está em acertar sempre, mas em conseguir reconhecer limites, refletir sobre as próprias atitudes e demonstrar disposição para aprender”, afirma Liz.

O que é mito quando o assunto é prejudicar ou não no resultado da entrevista?

A especialista conta que detalhes ajudam a construir a percepção do recrutador, como a forma como o candidato se prepara para a conversa e escuta as perguntas, mas é preciso saber interpretar os sinais sem fazer julgamentos precipitados.

Além disso, Liz Coelho, explica que alguns pontos estigmatizados no mercado corporativo acabam sendo exageradamente julgados:

  • Nervosismo e timidez: A pressão de uma entrevista afeta os candidatos de formas diferentes, e gaguejar ou demorar para responder não anula a competência técnica.
  • Questionar salário, benefícios e modelo de trabalho: Fazer perguntas sobre remuneração não deve ser visto como ganância ou falta de interesse. Para Liz Coelho, isso pode demonstrar o interesse do profissional em avaliar racionalmente se a vaga faz sentido para a sua realidade de vida.

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O desempate: o que define quem ganha a vaga?

Quando dois finalistas apresentam qualificações muito parecidas, Liz Coelho conta que se apoia em critérios analíticos e comportamentais para tomar a decisão. Ela listou três pontos que costuma usar em um desempate, são eles:

  • Qualidade dos exemplos: A clareza ao relatar desafios reais e os resultados obtidos revela a verdadeira dinâmica de trabalho do candidato.
  • Disposição para aprender: O modo como o profissional lida com o que ainda não domina — reconhecendo lacunas e buscando evoluir — pesa mais do que fingir saber tudo.
  • Motivação real: Distinguir quem busca apenas fugir do emprego atual de quem demonstra um interesse genuíno pelo desafio proposto pela vaga.

Dicas da especialista em pessoas para quem vai encarar uma entrevista de emprego

Liz Coelho conta que a principal dica é não tentar decorar respostas perfeitas e focar em se preparar para contar a sua história profissional com clareza. “Antes da entrevista, pesquise sobre a empresa, entenda o que a vaga pede e pense em situações reais da sua trajetória que mostrem como você trabalha, resolve problemas, lida com desafios e aprende com as experiências”, detalha.

Para os momentos em que não tiver resposta, a especialista indica ser transparente. “Se possível, explique como buscaria aprender ou resolver aquela situação. Isso demonstra maturidade e disposição para se desenvolver”.

Além disso, a coordenadora de pessoas conta que a entrevista também deve ser usada para tirar dúvidas sobre a empresa. “Aproveite o final da entrevista para perguntar sobre a rotina, os desafios da posição e o que a empresa espera de quem assumir aquela função. Afinal, a seleção não é só a empresa escolhendo alguém; é também você entendendo se aquela oportunidade faz sentido para o seu momento e para os seus objetivos”, completa.

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