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Nova presidente destaca investimentos históricos da Coelba na Bahia

Concessionária vai investir R$ 25 bilhões na Bahia para modernizar a rede elétrica

Divo Araújo
Por Divo Araújo
Diretora da Coelba, Fabiana Lopes
Diretora da Coelba, Fabiana Lopes - Foto: Divulgação

A Neoenergia Coelba inicia um novo ciclo na Bahia com a promessa do maior pacote de investimentos da história da empresa no estado. À frente da distribuidora, a nova diretora-presidente, Fabiana Lopes, afirma que a companhia pretende ampliar a capacidade da rede, investir em tecnologia e melhorar a qualidade do fornecimento em todas as regiões baianas.

“Estamos falando de um investimento da ordem de R$ 25 bilhões, absolutamente planejado e considerando todas as especificidades que a gente tem na Bahia”, afirma Fabiana, em entrevista ao A TARDE.

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Durante a conversa, a executiva destacou que a renovação da concessão até 2057 traz “segurança regulatória e jurídica” para ampliar os investimentos em energia. Ela também reconheceu os desafios de operar em um estado com características tão distintas.

“A Bahia é muito grande, maior do que muitos países, inclusive. Entender essa geografia é um desafio”, disse.

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Confira a entrevista:

Você assume a presidência da Neoenergia Coelba junto ao anúncio do maior pacote de investimentos da história da empresa no estado. Quais serão as prioridades imediatas dessa nova gestão?

Realmente é um privilégio ter a oportunidade de assumir a presidência da Neoenergia Coelba num momento em que a gente anuncia um investimento histórico. A gente está falando de um investimento da ordem de R$ 25 bilhões, absolutamente planejado e considerando todas as mesorregiões e as especificidades que a gente tem na Bahia.

Qual é a nossa prioridade? A gente dividiu o nosso planejamento em quatro importantes pilares. Conexão com o cliente, e essa frente está muito pautada no Programa Luz para Todos. Têm a melhoria da qualidade. Vamos investir em qualidade, trazendo oportunidade de inserção de novas tecnologias para trazer resiliência e robustez à rede. Vamos investir também em obras de expansão, além da infraestrutura operacional.

A construção de novas bases, a troca e ampliação da nossa frota. É um investimento muito robusto, mas com um planejamento ainda mais robusto para que a gente consiga executar tudo isso e realmente trazer uma percepção de melhoria para os nossos clientes.

A Neoenergia Coelba acaba de garantir a renovação da concessão até 2057. O que essa renovação representa para o futuro da distribuição de energia na Bahia?

Sem sombra de dúvidas é uma demonstração de confiança no trabalho que a gente tem realizado aqui na Bahia. E, ao mesmo tempo, reforça o nosso compromisso de longo prazo com todos os baianos. Essa foi uma construção muito importante. Por quê? Porque obviamente traz segurança regulatória e jurídica para que a gente siga com a expansão e o desenvolvimento dos investimentos que precisam ser feitos.

Para a Bahia, isso significa geração de emprego, a movimentação da economia e a oportunidade de atrair ainda mais investimentos com toda essa expansão de rede que a gente está fazendo, olhando para cada uma das regiões do estado.

Foi um pontapé importante trazido pelas renovações das concessões, que garantem segurança, especialmente regulatória, para a empresa continuar investindo fortemente num estado que a gente acredita muito.

O novo contrato de concessão prevê metas mais rígidas de qualidade e resiliência da rede. O que muda, na prática, para o consumidor baiano?

Esse novo contrato traz uma cobrança ainda maior dos indicadores operacionais e de performance, além do olhar para a sustentabilidade econômico-financeira da empresa.

Nós estamos fazendo, já há algum tempo, um esforço adicional de ampliar os nossos investimentos, de pensar bastante em como a gente prioriza esses investimentos, trazendo a oportunidade de melhoria dos indicadores operacionais - o TEC, que é a duração de interrupções, o FEC, que é o tempo médio de atendimento das ocorrências quando elas acontecem.

Esse contrato reforça ainda mais a obrigatoriedade de investimentos em tecnologia. Portanto, prepara as concessões para o futuro que está acontecendo, de inserção cada vez maior de outras tecnologias que movimentam toda a cadeia do setor elétrico.

Sem dúvida, foi um movimento muito importante, a renovação das várias concessões que aconteceram pelo Brasil. Para a Bahia vai ser fundamental para a gente avançar com os nossos investimentos.

Falando de uma região muito importante que é o oeste baiano — um dos maiores polos do agronegócio do país —, a questão energética é apontada como um dos principais gargalos. Recentemente, houve o leilão de novas linhas de transmissão de energia, e as empresas vencedoras já sinalizaram a antecipação da entrega dessas obras. Qual é o cenário atual da distribuição de energia na região?

Foi um excelente ponto esse que você trouxe. No nosso o último ciclo, a gente já dobrou a potência instalada no extremo oeste da Bahia. E agora a gente anunciou os investimentos também que vão dobrar a nossa capacidade de distribuição instalada.

Os produtores já estão sentindo a melhoria da qualidade do fornecimento e a oportunidade de ampliação dos seus investimentos. Mas você trouxe um ponto muito importante: as linhas de transmissão precisam chegar, porque o que a gente está construindo é a malha de segundo nível para que essa energia chegue nos produtores.

Estivemos na semana passada, inclusive com o setor todo do extremo oeste, na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), discutindo sobre essas oportunidades. Foi uma reunião muito assertiva entre Neoenergia e o setor produtivo, levando as necessidades e uma projeção do que a gente enxerga que é o futuro da região do oeste.

Nós estamos aqui preparados para fazer os investimentos para melhorar qualidade e ampliar a demanda. E, certamente, vamos ampliar as oportunidades para toda aquela região.

Eventos climáticos extremos têm afetado sistemas elétricos em várias regiões do país e do mundo. Como a Neoenergia Coelba pretende preparar a rede baiana para enfrentar esses desafios?

Essa é uma dinâmica, como você mesmo disse, que tem afetado todo mundo. Nós estamos trabalhando cada vez mais na preparação da rede.

O que a gente precisa fazer? Ter uma rede mais resiliente, ter redundância na rede, investir muito em tecnologia e digitalização. Para que, quando esses grandes eventos aconteçam, a nossa capacidade de resposta seja ainda mais rápida.

Aí, quando cair um determinado trecho, você consegue religar a distância, fazendo movimentos com tecnologia, digitalização e redundância, que geram resiliência na rede.

A gente tem trabalhado previamente com esse planejamento, além de estar investindo muito em tecnologia para predição, fazendo parcerias com empresas e meteorologistas para que a gente também consiga se preparar e mobilizar as equipes antes mesmo que os eventos aconteçam.

Já temos aqui na Bahia uma parceria muito forte com o poder público, que nos ajuda a organizar tudo isso. É seguir investindo e preparando previamente, para que quando acontecer, a gente consiga ter uma resposta cada vez mais rápida.

Falando de outro tema muito atual, que é o avanço das energias renováveis, a Bahia hoje se consolidou como um dos principais polos do setor no país, especialmente no semiárido, com forte presença da geração eólica e solar. Como a Neoenergia Coelba está preparando o sistema de distribuição para acompanhar essa nova realidade energética?

O setor elétrico, quando comecei lá atrás, era unidirecional. Hoje a gente enxerga um setor elétrico bidirecional. Antes a gente gerava, transmitia e distribuía. Agora, a gente gera, transmite, distribui e gera ao mesmo tempo e volta a energia para a rede. Enfim, isso traz desafios importantes.

Mas, de novo, planejamento e investimento são o que nos prepara para atender essa matriz energética cada vez mais diversa. E é o que estamos fazendo, todo o grupo Neoenergia, se organizando, planejando e investindo para que a gente consiga ter uma rede cada vez mais resiliente, inclusive com a inserção dessas diversas fontes renováveis.

A empresa registrou melhora nos indicadores de continuidade do fornecimento, com redução no tempo e na frequência das interrupções. O que foi determinante para essa evolução?

Bom, mais uma vez, investimentos e investimentos planejados. Entender a dinâmica de como a nossa rede evolui e como as novas conexões também estão evoluindo fazem toda a diferença.

A gente tem trabalhado com um planejamento cada vez mais assertivo. Planejar setor elétrico é uma visão de médio e longo prazo. Mais do que isso, a gente tem feito treinamentos pesados com os nossos times.

Construímos também novas bases para que estejamos cada vez mais perto dos nossos clientes. Teve uma ocorrência, diminuo o tempo de deslocamento do time quando pulverizo mais a atuação das nossas bases.

Enfim, são investimentos em todas as frentes, tanto na rede quanto na estrutura operacional para que a gente possa responder mais rapidamente. A redução de DEC, da duração de interrupção, de FEC, da frequência, foi bastante expressiva e a gente tem trabalhado para que seja ainda mais. Nosso objetivo é melhorar a cada dia o nosso desempenho trazendo essa percepção para o cliente também.

Quais são os principais gargalos para manter a qualidade do atendimento?

A Bahia é muito grande, maior do que muitos países, inclusive. Entender essa geografia é um desafio. A Bahia é única, mas ao mesmo tempo é muito diversa e com uma geografia muito diferente. Tem regiões de muita salinidade, por exemplo.

Então, você precisa planejar e entender quais são os melhores equipamentos que precisa usar em cada uma dessas regiões. Repensar a estratégia de como essa rede foi planejada. Em regiões, por exemplo, de mata densa, a dificuldade de acesso para atender uma ocorrência é muito maior.

E ter esse olhar regionalizado, ouvindo, inclusive, as demandas de poder público, governo do Estado, município, associações e federações e a sociedade como um todo. É o que nos ajuda a direcionar o investimento e fazer um planejamento assertivo que atenda a necessidade final, que é a satisfação dos nossos clientes.

O que a gente quer é isso. E, mais interessante, o que a gente mais quer é conectar clientes. Porque, obviamente, isso é o que traz o resultado para a nossa empresa. Vencer esses desafios é o que nos permite ampliar ainda mais. A Bahia tem muito espaço para crescer. Que estejamos prontos para abraçar todo esse crescimento.

O Ministério Público da Bahia instaurou um inquérito para apurar supostas falhas no fornecimento de energia e na iluminação pública em Salvador. Como a empresa responde a essa questão?

Antes de mais nada, com muita transparência. Na minha gestão, e não é diferente do que já era na gestão do Thiago Guth, a transparência com toda a sociedade, com a imprensa, é fundamental. Muita transparência, acesso, respondendo e documentando todas as perguntas e questionamentos de qualquer órgão.

Mas aqui é importante a gente separar o que é responsabilidade da concessionária de distribuição e o que é do poder municipal. A nossa responsabilidade é que a energia esteja disponível para atender a iluminação pública.

Mas a operação e a manutenção da iluminação pública é de responsabilidade municipal. Então, a gente tem algumas limitações. A sociedade como um todo confunde um pouco o que acontece.

Se tem uma via onde os prédios e casas estão iluminados e a iluminação pública não está, a energia está disponível e chegando. Precisa acontecer um olhar mais cuidadoso para a operação e a manutenção da iluminação pública.

A gente segue aqui atendendo todas as demandas com muita transparência, entendendo onde tem as oportunidades e nos preparando para sempre melhorar do ponto de vista do atendimento e do fornecimento de energia.

Você chega à presidência da Coelba após liderar a Cosern, no Rio Grande do Norte, considerada a melhor distribuidora do país pela Abradee. Que experiências daquela gestão pretende trazer para a Bahia?

Foi um presente a oportunidade de liderar a Neoenergia Cosern por três anos e meio. Nesse período, ela foi reconhecida como a melhor distribuidora do Brasil por dois anos.

E foi um trabalho muito pautado em planejamento, excelência operacional, foco na operação. E, mais do que tudo, um olhar diferenciado para as pessoas. É através do nosso time, das pessoas, de formação, de treinamento, que a gente consegue avançar.

Essa experiência eu trago para cá, revisão dos processos, um olhar com o cliente no centro. Entender quais são as necessidades do cliente, com escuta ativa, foi o que nos permitiu construir uma empresa de bastante resultado e sucesso.

E a jornada aqui vai seguir nesse caminho também, dando continuidade ao que já vinha sendo executado e feito, agora com o olhar um pouco diferente, mas na mesma direção.

Você é a primeira mulher a comandar a Coelba. Qual é o simbolismo desse momento para o setor elétrico e para outras mulheres que desejam ocupar espaços de liderança?

É um simbolismo importante, que me deixa muito honrada e traz, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Mas, mais do que tudo, para mim, é a oportunidade de, quem sabe, incentivar outras mulheres.

O setor elétrico é muito masculino, mas é possível que a gente avance com todos os papéis que a gente tem, sendo mãe, esposa, filha, sendo profissional, mulher, fazendo a coisa acontecer, entregando bons resultados. Eu sempre falo uma coisa para o meu time: nada vence o trabalho.

Acho que é arregaçar as mangas, trabalhar, fazer a coisa acontecer, respeitando e desenvolvendo as pessoas, que a gente alcança cada dia mais oportunidades. Espero que essa seja uma oportunidade muito positiva para outras mulheres acreditarem que elas podem e que, juntas, a gente vai vencendo os desafios.

Raio-X

Fabiana Lopes assumiu recentemente a diretoria-presidente da Neoenergia Coelba e possui mais de 20 anos de experiência no setor elétrico.

Formada em Direito, tem MBA Executivo em Economia e Gestão de Energia pela UFRJ, MBA em Inovação Estratégica pela HSM University e especialização em Economia Financeira e Modelos de Previsão pela Unicamp.

Ao longo da carreira, atuou nas áreas de planejamento energético, regulação, marketing e inteligência de mercado. Também presidiu a Neoenergia Cosern, no Rio Grande do Norte, e o Conselho da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

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