FINANÇAS
13º maior bilionário do Brasil pode investir em SAF de gigante da Série A
Empresário revelou que avalia uma participação minoritária na SAF alvinegra


Torcedor declarado do Botafogo e um dos empresários mais ricos do Brasil, João Moreira Salles admitiu que pode participar como investidor minoritário da SAF alvinegra, que será comandada pela GDA Luma, empresa de Gabriel de Alba. A possibilidade, no entanto, está condicionada ao projeto que será apresentado para o futuro do clube.
Apesar da ligação afetiva com o Botafogo e da possibilidade de investir no clube, o empresário deixou claro que não pretende assumir qualquer função na administração do futebol, em longa entrevista concedida ao canal Arena Alvinegra. Para ele, a gestão deve estar nas mãos de profissionais especializados no setor.
João Moreira Salles é o 13º maior bilionário brasileiro, com patrimônio declarado de US$ 5,1 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 26,8 bilhões na conversão oficial utilizada pela publicação internacional, segundo a lista atualizada da Forbes de 2026.
Projeto do Lonier pode aproximar empresário da SAF
Uma das possibilidades para que João Moreira Salles se torne acionista minoritário do Botafogo está relacionada ao projeto para a formação de jogadores no Espaço Lonier, iniciativa que começou a ser estruturada ainda durante a gestão de John Textor.
Em 2022, quando cedeu o espaço para que o Botafogo pudesse utilizá-lo, o empresário apresentou duas alternativas: receber uma participação na SAF ou ter quitada a dívida que o clube mantinha com os irmãos Moreira Salles.
Agora, diante da mudança no comando da SAF, ele afirmou que pretende avaliar o projeto apresentado pela GDA Luma antes de tomar qualquer decisão.
"A gente precisa entender quem está chegando, qual é o projeto de quem está chegando, se a pessoa que está chegando topa essas condições, que são as mesmas que a gente propôs para o Textor, que a gente proporia para o de Alba… [...] Se tudo isso estiver alinhado, a gente para para pensar. [...] O Botafogo continua sendo muito importante para mim e será sempre importante para mim, portanto eu quero que o Botafogo possa cumprir o seu potencial. E o potencial do Botafogo será cumprido pela base, então estou disponível para conversa", disse.
Moreira Salles não quer participar da gestão
A relação de João Moreira Salles com o projeto de transformação do Botafogo em SAF não é recente. O empresário participou da elaboração do modelo que levou o clube a adotar a estrutura de Sociedade Anônima do Futebol, mas optou por não fazer parte da administração.
Durante a entrevista, ele explicou que a decisão está relacionada à sua própria falta de experiência na gestão esportiva. Na visão do empresário, ter recursos financeiros e ser torcedor de um clube não significa estar preparado para comandá-lo.
"Para a gente estava claríssimo, sempre esteve claríssimo, continua claríssimo: a gente não quer se envolver com a gestão do Botafogo. Por uma razão muito simples: o Botafogo não precisa de amadores, e nós seríamos amadores no futebol. O que a gente entende? Eu sou um cara que vai ao jogo e torce, entende? E de vez em quando acho que o técnico escalou bem e a gente toma de 3 a 0. O que eu entendo de futebol? Muito pouco, eu entendo mais da torcida do Botafogo do que do time do Botafogo. E de gestão de clube, então, rigorosamente nada", disse, para completar:
"Essa ideia de que você traz duas pessoas simplesmente porque gostam do Botafogo e têm recursos, essas pessoas são as pessoas certas para tocar o Botafogo é um equívoco, é um equívoco perigoso. Não acreditem nisso não. O que a gente precisa é de gestores competentes, de empresários, de pessoas que saibam organizar esse carnaval, nós não sabemos. O que a gente podia fazer pelo Botafogo é oferecer um projeto de base, porque aí tem uma pessoa, pelo menos os dois, que entende disso [Walter], porque viveu isso intensamente por 10, 12 anos, fez muitas amizades, tem muitos interlocutores qualificados no Brasil e fora do Brasil e esse projeto podia ser oferecido. É mais um projeto de educação do que um projeto esportivo, porque o projeto esportivo ficaria por conta dos profissionais do esporte".
Investimento seria convertido em participação na SAF
De acordo com Moreira Salles, uma eventual entrada na SAF aconteceria por meio do projeto ligado ao Espaço Lonier e à formação das categorias de base. O empresário explicou que o aporte seria utilizado para a construção de toda a estrutura necessária e, em contrapartida, poderia resultar em uma participação societária no Botafogo.
Ele, porém, reforçou que a participação seria necessariamente minoritária e que não representaria uma mudança em sua postura em relação à gestão do futebol.
"Acho que a gente participaria da SAF via Lonier, via base, entendeu? Porque o nosso investimento, que não seria um investimento pequeno, porque a gente iria construir toda a estrutura, se converteria em participação da SAF, o que nos daria um voto no conselho. Seria isso, mas sempre minoritário. É muito importante deixar isso muito claro. O Waltinho é muito competente no que faz, e é bom que ele continue fazendo o que ele faz, é importante para o cinema brasileiro, para a cultura brasileira. Eu sei fazer as minhas coisas também, e eu preciso continuar a fazê-las", afirmou.
O empresário também descartou a possibilidade de deixar suas atividades profissionais para assumir uma função direta no Botafogo. Segundo ele, justamente por reconhecer suas limitações no futebol, prefere contribuir de outra maneira com o clube que torce.
"Eu não vou suspender a minha vida para me lançar numa aventura na qual eu sei tanto quanto essa caneca aqui. Então, é uma bobagem isso. Por amor ao Botafogo, eu não quero ser dono do Botafogo. Eu quero continuar a torcer pelo Botafogo, e se eu soubesse que o Botafogo estava sendo tocado por mim, eu não ia mais conseguir torcer pelo Botafogo, porque eu saberia que a gente ia caminhando rapidamente para o abismo", destacou.