NEGOCIAÇÃO HISTÓRICA
Após excluir CazéTV, CBF vende direitos da Copa do Brasil por R$ 4 bilhões
A CBF concluiu a maior negociação de direitos de transmissão da história do futebol brasileiro


A CazéTV não terá acesso aos direitos de transmissão da Copa do Brasil no ciclo de 2027 a 2030 - mas quem tem, pagará caro por isso. A CBF concluiu a maior negociação de direitos de transmissão da história do futebol brasileiro e vendeu a Copa do Brasil por mais de R$ 4 bilhões.
O acordo foi fechado com Grupo Globo, Amazon e ESPN, enquanto a CazéTV ficou fora da divisão dos pacotes. A negociação prevê arrecadação superior a R$ 1 bilhão por ano, valor acima do pacote da Libertadores, estimado em R$ 900 milhões anuais.
Além da Copa do Brasil, o contrato também inclui as edições da Supercopa Rei de 2028 a 2031. A decisão de 2027, no entanto, ainda faz parte do acordo atualmente em vigor.
CazéTV fica fora mesmo com pacote para YouTube
Pela primeira vez, a CBF abriu uma concorrência para o mercado e dividiu os direitos em quatro pacotes, contemplando TV aberta, TV paga, streaming, YouTube, melhores momentos e uso de imagens para redes sociais.
Mesmo com a existência de um pacote voltado para transmissão no YouTube, a CazéTV não entrou no acordo. A Globo adquiriu os três primeiros pacotes e também ficou com o pacote de melhores momentos. Com isso, terá transmissões na TV Globo, sportv, Premiere e Ge TV, canal de entretenimento da empresa no YouTube.
A Amazon ficou com direitos para streaming. Já a ESPN terá direitos em TV paga e streaming, embora a confirmação formal ainda dependa de questões de governança da Disney nos Estados Unidos. O SBT, que apresentou proposta de R$ 150 milhões, também ficou fora.

CBF comemora valorização histórica
Em comunicado oficial, a CBF afirmou que a negociação representa aumento de mais de 80% em relação ao ciclo anterior. O presidente da entidade, Samir Xaud, classificou o acordo como um momento histórico para a Copa do Brasil e para o futebol brasileiro.
"Esse é um momento histórico para a Copa do Brasil e para o futebol brasileiro. Estamos construindo um novo ciclo para uma competição que representa a dimensão e a diversidade do nosso futebol. A Copa do Brasil é a competição que coloca frente a frente clubes de todos os cantos do país", afirmou.
Xaud também destacou que o novo modelo amplia o valor, a visibilidade e o alcance da competição: "Estamos falando de mais tecnologia, mais alcance, mais possibilidades de transmissão e uma estrutura capaz de valorizar cada jogo, cada clube e cada história".
"É um passo importante para o futebol brasileiro e para uma Copa do Brasil cada vez maior, mais forte e mais próxima do torcedor", completou.

Globo amplia número de jogos em TV aberta
A Globo seguirá como principal parceira da Copa do Brasil, com 14 datas das competições incluídas no pacote. A partir de 2027, a emissora terá obrigação de mostrar 14 jogos da Copa do Brasil em TV aberta desde a quinta fase. No modelo anterior, eram oito partidas, com entrada apenas nas oitavas.
Sportv, Premiere e Ge TV terão direito de transmitir jogos da Copa do Brasil desde a primeira fase. Ao todo, a Globo poderá exibir até 88 partidas por ano, considerando Copa do Brasil e Supercopa Masculina, sendo 38 transmissões das fases finais dos dois torneios.
"A renovação desses direitos reafirma nossa confiança na força do futebol brasileiro e nossa capacidade de oferecer a melhor experiência de transmissão, unindo alcance, qualidade e inovação em todas as plataformas da Globo", disse Fernando Manuel Pinto, diretor de Direitos Esportivos da Globo.

CBF vai produzir imagens de todos os jogos
Junto às mudanças de valores, o novo ciclo trará renovações na geração de imagens. A partir de 2027, a CBF TV será responsável por produzir o sinal de todos os jogos da Copa do Brasil e distribuir uma transmissão única para as detentoras dos direitos.
Segundo a entidade, a ideia é manter padrão de qualidade e identidade visual, em modelo semelhante ao adotado por Conmebol, Uefa e Fifa. A mudança também permitirá que a CBF tenha entregas comerciais durante as transmissões, tornando o produto mais atrativo para marcas e patrocinadores.
O diretor executivo de gestão da CBF, Helder Melillo, afirmou que a distribuição foi pensada para ampliar o acesso do público à competição.
"A grande mudança está na distribuição. Nós estruturamos essa negociação em quatro pacotes de direitos, buscando ampliar as possibilidades de distribuição da Copa do Brasil. E o resultado mais importante é que esse novo modelo aumenta de forma significativa a presença da competição na televisão aberta", disse.
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Copa do Brasil terá mais janelas e menos sobreposição
A CBF também promete reorganizar o calendário da Copa do Brasil, pretendendo criar mais janelas de transmissão, reduzir a marcação de jogos para a mesma data e diminuir a sobreposição de horários.
A ideia é aumentar a relevância de cada partida, melhorar a expectativa em torno dos confrontos e ampliar a audiência. Além disso, a competição também deve passar a ter jogos aos sábados e domingos dentro do calendário específico prometido pela entidade.
Reformulação valorizou o torneio
A valorização comercial ocorre após mudanças no formato da Copa do Brasil. O torneio passou de 92 para 126 clubes em 2026 e terá 128 participantes a partir de 2027.
O número de partidas também cresceu, saindo de 122 jogos para 155 em 2026 e chegando a 157 a partir de 2027. Além disso, o torneio passou a ocupar o calendário durante todo o ano.
Outra novidade já implementada em 2026 é a final em jogo único, que encerra o calendário nacional e, segundo a CBF, aumenta o apelo esportivo, comercial e turístico da competição.
Supercopa também entra no pacote
O acordo também inclui a Supercopa Rei entre 2028 e 2031. A partida, que abre a temporada nacional com disputa de título, será exibida pelas empresas detentoras dos direitos a partir do fim do contrato atual.
"A Copa do Brasil é a competição que conecta todos os cantos do país de uma forma ampla e diversa, passando por todas as regiões. E a Supercopa abre a temporada nacional do futebol masculino já com o primeiro jogo valendo taça", afirmou Renato Ribeiro, diretor de Esporte da Globo.
Com o novo contrato, a Copa do Brasil passa a valer mais de R$ 4 bilhões em quatro anos, deixa a CazéTV fora do pacote e se consolida como um dos produtos mais valiosos do futebol sul-americano.


