SEIS CIRURGIAS
Brasileira volta à final do Mundial de Ginástica depois de 11 anos
Medalhista olímpica de 28 anos supera histórico de lesões e celebra retorno aos quatro aparelhos


Já fazem onze anos desde que Lorrane Oliveira, conhecida nacionalmente pelo seu desempenho nas Olimpíadas, disputou uma final do individual geral em um Campeonato Mundial de ginástica artística - mas a espera acabou.
Aos 28 anos, a brasileira superou um histórico de lesões, passou por seis cirurgias e garantiu uma vaga entre as melhores ginastas do mundo na competição realizada em Roterdã, na Holanda. A classificação foi conquistada na última segunda-feira, 19, após a atleta voltar a competir nos quatro aparelhos em um Mundial.
Medalhista de bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, Lorrane terminou a fase classificatória do individual geral na 22ª posição e disputará a final nesta sexta-feira, 23, ao lado de Flávia Saraiva, que avançou em 12º lugar. A decisão terá transmissão do SporTV2.
A última vez que Lorrane havia participado de uma final individual em Mundiais foi em Glasgow, na Escócia, em 2015. Na ocasião, terminou na 18ª colocação, e desde então, uma sequência de problemas físicos comprometeu sua continuidade nas competições internacionais, tornando o retorno ainda mais significativo.
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Seis cirurgias e 11 anos de espera
A classificação em Roterdã representa mais do que um resultado esportivo para a ginasta do Flamengo. Depois de anos convivendo com lesões e processos de recuperação, Lorrane conseguiu atingir um dos principais objetivos de sua carreira, que era justamente voltar a disputar uma competição completa, passando por salto, barras assimétricas, trave e solo.
Após as eliminatórias, a brasileira relembrou as dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória e destacou que nunca abandonou a possibilidade de retornar ao individual geral.
"Foram anos muito difíceis, muitas pessoas não sabem o que passei, foram seis cirurgias no corpo, no total, mas eu nunca deixei de acreditar, de sonhar e de lutar para estar aqui nos quatro aparelhos, e é por isso que hoje eu continuo na ginástica até hoje", disse.
"Finalmente eu consegui chegar ao Mundial e me apresentar nos quatro aparelhos da melhor forma", declarou.

Apesar da classificação, Lorrane não teve apresentações livres de erros. Durante a fase eliminatória, sofreu um desequilíbrio na trave e não conseguiu executar o salto como esperava. Ainda assim, completou suas séries e encerrou a participação sem novos problemas físicos.
Na final por equipes, voltou a contribuir com boas apresentações nas barras assimétricas e no solo, ajudando o Brasil a terminar entre os cinco melhores países do mundo.
"Estou muito orgulhosa de todas nós. Sexta tem mais. Tem que recuperar o corpinho que são quatro aparelhos", comentou a ginasta, já projetando a decisão individual.
Brasil termina Mundial por equipes na quinta colocação
Além da classificação individual de Lorrane e Flávia Saraiva, a seleção brasileira feminina também teve um desempenho importante na disputa coletiva. Na última quarta-feira, 21, o Brasil somou 159,730 pontos na final por equipes e terminou na quinta posição, ficando próximo da disputa por medalhas.
A China conquistou o título mundial, enquanto Estados Unidos e Japão completaram o pódio. As três seleções também asseguraram classificação antecipada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Lorrane participou da campanha brasileira ao lado de nomes como Rebeca Andrade e Flávia Saraiva, também integrantes da equipe que conquistou o bronze olímpico em Paris 2024.

Lorrane destaca importância de Rebeca Andrade
Durante o Mundial, Rebeca Andrade optou por competir apenas no salto e na trave na disputa por equipes, ficando fora das apresentações de barras assimétricas e solo.
Mesmo com uma participação reduzida, a maior medalhista olímpica da história do Brasil teve sua presença valorizada por Lorrane, que destacou tanto a contribuição técnica quanto o apoio oferecido às companheiras.
"Só de ter ela aqui, ajudando a nossa equipe, competindo nos dois aparelhos, já é ótimo. De uma certa maneira, isso é bom para a nossa equipe entender também: nós, mais velhas, uma hora vamos parar", afirmou.

Para Lorrane, competições como o Mundial de Roterdã são fundamentais para que as ginastas mais jovens adquiram experiência e assumam responsabilidades dentro da seleção.
"Então, a nova geração tem que vir e entender como funciona um Campeonato Mundial. Vai ter de correr atrás de uma série mais difícil para poder chegar numa final e até disputar uma medalha, sem Rebeca, sem Flávia daqui a um tempo", completou.
Rebeca e Flávia são esperanças de medalha nas finais
Além da decisão do individual geral, o Brasil terá representantes em outras finais do Campeonato Mundial de ginástica artística.
Rebeca Andrade chega como um dos principais nomes na disputa do salto. A brasileira liderou a fase classificatória com 14,533 pontos e tentará conquistar seu terceiro título mundial no aparelho. A decisão está marcada para sábado, 24, mesmo dia da final das barras assimétricas.

Já Flávia Saraiva disputará no domingo, 25, a final da trave, após terminar as eliminatórias na terceira colocação, com 14,400 pontos. A brasileira busca sua primeira medalha mundial no aparelho.
A final do solo também será realizada no domingo, mas não contará com representantes do Brasil.
Confira as próximas finais com brasileiras no Mundial
- Sexta-feira (23): individual geral feminino - Lorrane Oliveira e Flávia Saraiva
- Sábado (24): salto feminino - Rebeca Andrade
- Domingo (25): trave feminina - Flávia Saraiva
Para Lorrane, a decisão desta sexta-feira representa a oportunidade de voltar ao palco de uma final individual depois de mais de uma década. Independentemente da colocação, a presença entre as finalistas já marca um novo capítulo de uma carreira que precisou superar seis cirurgias e sucessivos períodos de afastamento para retornar à elite da ginástica mundial.


