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FUTEBOL BRASILEIRO

Com SAF travada, clube da Série B expõe dívida de R$ 367 milhões

Diretor jurídico afirma que clube não consegue honrar compromissos e aponta recuperação judicial

Téo Mazzoni
Por
Diretor jurídico afirma que clube não consegue honrar compromissos e aponta recuperação judicial como possível alternativa
Diretor jurídico afirma que clube não consegue honrar compromissos e aponta recuperação judicial como possível alternativa - Foto: Staff Images/CBF

A Ponte Preta atravessa um cenário financeiro delicado, com uma dívida consolidada estimada em aproximadamente R$ 367 milhões. O valor foi apontado pelo diretor jurídico do clube, José Henrique Specie, durante participação no programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes.

Ponte Preta tem dívida consolidada de R$ 367 milhões, segundo auditoria independente, e avalia recuperação judicial em meio ao impasse da SAF
Ponte Preta tem dívida consolidada de R$ 367 milhões, segundo auditoria independente, e avalia recuperação judicial em meio ao impasse da SAF - Foto: Divulgação/Ponte Preta


Segundo o dirigente, o montante foi identificado por meio de uma auditoria independente. Além do alto volume de débitos, a situação financeira da Ponte envolve bens penhorados e tentativas de bloqueio de contas bancárias.

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O clube hoje não possui condições de honrar esses compromissos. O estádio está apenhorado, o clube social está apenhorado. Os executivos tentam bloquear contas correntes José Henrique Specie - diretor jurídico da Ponte Preta


Diante das dificuldades para cumprir os compromissos financeiros, Specie apontou a recuperação judicial como uma alternativa que poderá ser considerada pelo clube no futuro. O dirigente, porém, destacou que a Ponte não teria, neste momento, capacidade financeira para apresentar um plano de pagamento considerado viável.

Na minha visão, a única possibilidade de que a Ponte Preta venha a racionalizar essa dívida é buscar no futuro uma recuperação judicial José Henrique Specie - diretor jurídico do clube

Clube precisa aumentar receitas para viabilizar recuperação

A possibilidade de uma recuperação judicial está diretamente ligada à capacidade de geração de receitas da Ponte Preta. De acordo com Specie, o clube precisaria apresentar um plano para reorganizar e quitar seus débitos, mas a arrecadação atual não seria suficiente para sustentar esse compromisso.

Nesse contexto, o diretor jurídico também relacionou a discussão sobre a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) à necessidade de ampliar as receitas da instituição.

Na avaliação apresentada pelo dirigente, a chegada de investidores ao futebol poderia proporcionar novos recursos e, consequentemente, gerar valores destinados à associação e ao processo de pagamento das dívidas.

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Ponte Preta prevê déficit de R$ 10 milhões em 2026

O quadro financeiro também preocupa no curto prazo. Durante a entrevista, Specie revelou que a estimativa é de que a Ponte Preta encerre 2026 com um déficit de aproximadamente R$ 10 milhões.

A Crear Empreendimentos, nova patrocinadora master do clube, representa uma fonte adicional de arrecadação. O acordo, entretanto, não seria suficiente para cobrir todas as obrigações financeiras da Ponte.

Entre os compromissos estão as despesas relacionadas ao futebol profissional, funcionários, manutenção da estrutura, tributos, acordos de dívidas e obrigações com órgãos como o CNRD.

Para 2027, a previsão apresentada pelo diretor jurídico é de um orçamento anual de aproximadamente R$ 40 milhões. A estimativa engloba não apenas os salários e custos do futebol profissional, mas também despesas com estádio, funcionários, clube social, centro de treinamento, categorias de base e compromissos financeiros.

Assembleia não aprova avanço da SAF por falta de votos

Outro ponto abordado por Specie foi a Assembleia realizada no último sábado, que discutiu o processo relacionado à possível criação de uma SAF.

Segundo o diretor jurídico, os associados não votaram naquele momento a aprovação de um contrato de SAF ou de uma proposta específica de investidor. A finalidade da Assembleia era autorizar a continuidade do processo de constituição da Sociedade Anônima do Futebol e permitir que o clube pudesse, posteriormente, analisar propostas firmes e eventuais contratos.

Ao todo, foram registrados 384 votos. Desse total, 234 foram favoráveis e 150 contrários.

Como o estatuto da Ponte Preta determina a necessidade de aprovação de dois terços dos presentes, eram necessários 256 votos favoráveis para que a proposta alcançasse o quórum exigido. Com isso,
faltaram 22 votos para atingir o número necessário.

O resultado ainda está sendo analisado internamente pelo clube. A direção deverá comunicar os associados e a comunidade pontepretana quando houver uma definição sobre os próximos passos do processo.

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ponte preta SAF

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