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Dívida de R$ 642 milhões por estádio de time da Série A pode sumir; entenda

Ministério Público abriu uma nova investigação sobre as dívidas

Gustavo Zambianco
Por
Neo Química Arena
Neo Química Arena - Foto: Evander Portilho/Corinthians

A novela da dívida de aproximadamente R$ 642 milhões do Corinthians com a Caixa Econômica Federal sobre a construção da Neo Química Arena ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 1º. Esse novo capítulo pode virar completamente esse caso por causa de um possível erro de cálculo na cobrança dos juros.

De acordo com a TV Record, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma nova investigação sobre o financiamento do estádio, que apresentaria possíveis inconsistências nos cálculos utilizados para atualizar a dívida.

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A investigação é conduzida pelo promotor Cássio Conserino e teve início após uma denúncia apresentada pelo perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa (IPI).

Perito aponta possíveis erros nas cobranças

Anísio Castelo Branco realizou um dossiê baseado em documentos relacionados ao contrato da construção e levantou possíveis erros nos cálculos utilizados para a atualização da dívida, aponta o portal “Meu Timão”.

Neo Química Arena
Neo Química Arena - Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão

“Arena poderia estar quitada.”

A investigação apresentou um novo ponto de análise, já que, conforme Conserino, caso os cálculos mostrados na perícia estejam corretos, o Corinthians já deveria ter quitado de forma integral a dívida da Neo Química Arena.

“A Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019", afirmou Conserino.

Entenda o acordo

O financiamento da Neo Química Arena iniciou em 2013, quando o clube paulista obteve crédito de até R$ 400 milhões para a construção do estádio.

Com o decorrer dos anos, o Corinthians afirma ter desembolsado aproximadamente R$ 600 milhões ao longo dos anos, porém, ainda teria um saldo devedor de cerca de R$ 642 milhões, aponta a Record TV.

A partir disso, o débito passou por outras negociações até chegar ao modelo de pagamento utilizado atualmente.

Porém, na análise apresentada por Castelo Branco ao MP-SP, são questionados, entre outros pontos, os juros aplicados sobre parcelas em atraso.

Neo Química Arena
Neo Química Arena - Foto: Reprodução I Instagram

Perícia apresenta possível dívida milionária

O foco da investigação do MP-SP se dá justamente na forma como a dívida foi atualizada ao longo dos anos.

Conforme a análise apresentada pelo perito, os cálculos realizados pela Caixa podem ter provocado uma cobrança maior do que deveria ser paga pelo Corinthians.

A principal divergência mostrada pela perícia envolve um valor milionário. Entenda:

  • Em 2019, a Caixa ajuizou uma execução cobrando mais de R$ 536 milhões;
  • Porém, o recálculo técnico apresentado por Castelo Branco indicou que o saldo devedor correto seria de aproximadamente R$ 280 milhões;
  • Com isso, gerando uma diferênça de mais de indicou que o saldo devedor correto seria de aproximadamente R$ 280 milhões.

Levando em conta essa diferença, o períto aplicou os juros e índices previstos contratualmente. Com a atualização, o impacto econômico da divergência apontada pela perícia chega a R$ 402,7 milhões em valores corrigidos.

O promotor Cássio Conserino afirmou que o caso envolve a possibilidade de um erro matemático ocorrido durante a atualização do débito.

A Caixa teria errado nos cálculos apresentados ao Corinthians e, consequentemente, dado um valor a mais de R$ 280 milhões, que, atualizados em agosto de 2026, chegam à beira de uns R$ 455 milhões", afirmou a TV Record.

Neo Química Arena
Neo Química Arena - Foto: Evander Portilho/Corinthians

Questão já teria sido levada à diretoria do clube

Ainda conforme o perito, a questão já teria sido levada ao conhecimento do Corinthians em 2020.

Na época, ele teria enviado mensagens ao então presidente do clube, Andrés Sanches, e ao presidente do Conselho Deliberativo, Alexandre Husni, porém não teria recebido uma resposta.

Renegociação da dívida

A dívida do Corinthians em relação a Neo Química Arena passou por uma ampla restauração em 2022, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves.

Na ocasião, o saldo que tinha como referência os R$ 400 milhões, originalmente financiados parssou para aproximadamente R$ 700 milhões.

Atualmente o pagamento foi dividido em parcelas trimestrais. Durante os dois primeiros anos da nova estrutura, em 2023 e 2024 o Corinthians pagou valores referentes aos juros acumulados no período de inadimplência.

Atualmente, as parcelas variam e ficam na faixa de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, dependendo da atualização do saldo devedor e da taxa Selic.

O cronograma prevê pagamentos até dezembro de 2041, além de uma amortização progressiva do principal ao longo dos anos.

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