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MULHERES DE AÇO

"Time que mais treinou pênalti": Felipe Freitas celebra Bahia na semi

As Mulheres de Aço venceram o Palmeiras nos pênaltis e chegaram à semi inédita do Brasileirão

Marina Branco
Por
Felipe Freitas pelo Bahia
Felipe Freitas pelo Bahia - Foto: Divulgação I EC Bahia

A classificação inédita do Bahia para a semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino teve emoção, mudança tática, defesa decisiva de Yanne e, acima de tudo, história feita pelo Tricolor. Após o triunfo por 5 a 4 nos pênaltis sobre o Palmeiras, na Arena Barueri, o técnico Felipe Freitas celebrou a marca histórica das Mulheres de Aço e afirmou que o time precisa seguir acreditando em uma vaga na decisão.

Depois de dois empates por 1 a 1 no tempo normal, na ida e na volta, o Bahia superou as Palestrinas nas penalidades e se tornou o primeiro clube nordestino a chegar à semifinal do Brasileirão Feminino. Para Felipe, o momento é difícil até de descrever.

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"Se eu fosse Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, eu não conseguiria escrever um poema que pudesse falar sobre esse sentimento. Eu gostaria que todo ser humano tivesse oportunidade de vivenciar isso. Essa sensação é indescritível. É um misto de êxtase, alegria e realização", disse o treinador.

Felipe Freitas pelo Bahia
Felipe Freitas pelo Bahia - Foto: Divulgação I EC Bahia

"O jogo ocorreu como é ser Bahia"

O Bahia sofreu durante boa parte da partida. O Palmeiras foi melhor no primeiro tempo, abriu o placar com Raíssa Bahia e ainda teve um gol de Bia Zaneratto anulado por impedimento após revisão do VAR. Na etapa final, no entanto, Dan Nunes empatou para o Tricolor e levou a decisão para os pênaltis.

Felipe Freitas reconheceu que o time entrou abaixo do esperado, mas destacou a capacidade de reação do grupo.

"O jogo ocorreu como é ser Bahia. Bahia acaba sendo sofrido algumas vezes. A gente veio com um plano muito claro no primeiro momento. Ainda não tenho claro por que as meninas entraram para esse jogo muito abaixo do que elas sempre fizeram. E o Palmeiras também veio muito bem, conseguiu controlar o jogo e anular todas as alternativas iniciais", avaliou.

Bahia feminino na Fonte Nova
Bahia feminino na Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

No intervalo, o treinador disse que cobrou entrega e coragem das atletas: "Ganhar ou perder faz parte do futebol e de qualquer parte competitiva. Mas perder tem que ser com muita entrega, com raça, com vontade. E, se a gente for merecedor, consegue reverter isso".

Bahia treinou mais de 2,6 mil pênaltis

A classificação veio nas penalidades, mas Felipe Freitas garantiu que o Bahia estava preparado para esse cenário. Segundo o treinador, o elenco treinou 2.632 cobranças de pênalti ao longo do ano, com média de 15,2 batidas por sessão.

"Quando vai para os pênaltis, eu tenho certeza que é a equipe que mais treinou pênaltis esse ano. Se eu não falar errado o valor agora, são 2.632 pênaltis treinados. É uma média de 15,2 pênaltis a cada sessão de treino. Tudo computado, tudo qualificado", explicou.

Bahia feminino contra o Palmeiras na Fonte Nova
Bahia feminino contra o Palmeiras na Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

O técnico também destacou o trabalho da comissão na preparação de Yanne e no estudo da goleira adversária, Kate Tapia.

"Nós estudamos muito a Tapia. O André faz um trabalho excepcional com a Yanne e também faz uma análise da goleira adversária. Nós estávamos muito prontos para esse cenário, aliás, para todo cenário", completou.

Yanne defendeu a cobrança de Tainá Maranhão, a única desperdiçada na disputa. Pelo Bahia, Gica, Isa Fernandes, Taty Sena, Wendy Rosa e Cássia converteram.

Yanne pelo Bahia
Yanne pelo Bahia - Foto: Divulgação I EC Bahia

Mudança tática recolocou Bahia no jogo

A partida, no entanto, não foi fácil, e exigiu que o Bahia se adaptasse para seguir vivo. O Tricolor iniciou com uma estratégia parecida com a do jogo de ida, com linha de três na construção ofensiva e linha de cinco na fase defensiva. A ideia, segundo o treinador, era repetir mecanismos que já haviam funcionado ao longo da temporada.

O plano, porém, não encaixou no primeiro tempo. Felipe citou a lesão de Martins, os ajustes feitos com Suelen, Oliveira e Ângela Gómez, além da boa leitura da técnica Rosana Augusto, do Palmeiras.

"A Rosana foi muito inteligente. Ela colocou as duas laterais muito próximas às beiradas, e isso causou um padrão de dúvida no salto. Não estava funcionando. Os encaixes estavam toda hora atrasados", explicou.

Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão
Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão - Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

No segundo tempo, o Bahia voltou com linha de quatro, em um 4-4-2 defensivo e 4-3-3 ofensivo. A alteração ajudou o time a crescer na partida.

"A ideia foi voltar para uma linha de quatro, para tentar gerar uma dúvida em amplitude na primeira linha de marcação. A gente conseguiu entrar no jogo, fizemos talvez os primeiros 15 minutos com bom volume, boa chegada no terço, mas ainda pecando nas ações de finalização", analisou.

Foi nesse contexto que Dan Nunes, uma das mudanças feitas no intervalo, marcou o gol de empate.

Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão
Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão - Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

Romper barreiras pelo Nordeste

Mais do que a vaga, Felipe Freitas tratou a classificação como um marco para o futebol feminino nordestino. Para ele, o Bahia tem a chance de mudar olhares sobre a modalidade e sobre a região.

"As mulheres são rotuladas pela sociedade, que é patriarcal demais, de uma maneira completamente injusta. A história é o oposto disso. A gente não pode se deixar rotular. E os rótulos pioram quando você vai para Norte e Nordeste. É muito preconceituosa a maneira que muitas pessoas olham para o Nordeste", disse.

"A gente tem a possibilidade de mudar o olhar da sociedade através do esporte. É o que nós vamos fazer. Só que é com muito trabalho e acreditando muito até o final", completou.

Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão
Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão - Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

Felipe citou ainda o exemplo da própria filha, de cinco anos, que passou a dizer que quer ser jogadora de futebol.

"A maneira que a gente consegue potencializar isso é tendo o rosto da Yanne, da Cássia, da Aida, da Júlia, da Roqueline, seja lá quem for, aparecendo. E as meninas se identificando, principalmente meninas nordestinas, porque eu vejo a dificuldade de acesso a isso", contou.

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"Nós seremos finalistas"

O Bahia agora aguarda o vencedor de Cruzeiro x Corinthians para conhecer o adversário na semifinal. Apesar de reconhecer a dificuldade dos possíveis rivais, Felipe Freitas deixou claro que o objetivo do grupo é chegar à decisão.

"A gente sempre falou sobre acreditar. Quando eu cheguei ao Bahia, eu falava para as pessoas: nós vamos começar acreditando, vamos chegar longe. Nós seremos finalistas, só que nós temos que jogar como campeões. Se nós formos merecedores, conseguiremos ser finalistas", afirmou.

Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão
Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão - Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

O treinador também disse que eliminar o Palmeiras dá força emocional ao elenco para a sequência.

"Passar pelo Palmeiras nos fortalece, porque nós sabemos da magnitude do Palmeiras, dos seus investimentos, das atletas de calibre elevado. Isso nos dá casca, nos dá sustentação para enfrentar outras equipes", disse.

Antes de pensar com mais profundidade na semifinal, porém, o Bahia terá compromissos pelo Campeonato Baiano. Para Felipe, o momento agora é celebrar, descansar e retomar a preparação.

Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão
Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão - Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

"Futebol bate bastante na gente. Então é comemorar, descansar, temos o Campeonato Baiano e precisamos fazer frente nesse jogo, fazer bom resultado, e aí sim começar a pensar com um pouco mais de profundidade no nosso próximo adversário", concluiu.

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Esporte Clube Bahia Felipe Freitas Yanne

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