NAS SEMIS!
Yanne revela treinos, faz desabafo e comemora classificação do Bahia
As Mulheres de Aço venceram o Palmeiras nos pênaltis e chegaram à semifinal inédita do Brasileirão


Todo torcedor do Bahia foi dormir na noite desta sexta-feira, 4, com um nome ecoando na mente - Yanne. Decisiva na classificação inédita do Bahia para as semifinais do Campeonato Brasileiro Feminino, a goleira, no entanto, rejeitou o rótulo de heroína após a vitória sobre o Palmeiras nos pênaltis, em Bragança Paulista.
A camisa 12 defendeu a cobrança de Tainá Maranhão e ajudou as Mulheres de Aço a vencerem por 5 a 4 nas penalidades, depois de novo empate por 1 a 1 no tempo normal.

A classificação colocou o Bahia entre os quatro melhores times do Brasileirão Feminino pela primeira vez na história e também marcou o melhor desempenho de uma equipe nordestina na competição. Após a partida, Yanne atravessou o gramado de joelhos e celebrou o peso do feito para o clube, para o estado e para a região.
"Muito especial, agradecer a Deus. A gente sai de casa cedo e passa muitas dificuldades. Ficar longe da família, e até perder pessoas e não conseguir se despedir. O mais difícil é não saber se você vai encontrar as coisas como eram quando você voltar para casa", disse.
"Fica seis meses, um ano sem ver a família. A gente é muito feliz jogando futebol, mas tudo isso pesa bastante", completou.

"Levar o Nordeste para onde merece estar"
Natural da Bahia, Yanne destacou o significado de defender um clube do próprio estado em uma campanha histórica. A goleira afirmou que o retorno ao Tricolor teve peso emocional justamente pela possibilidade de ficar mais perto da família e representar o Nordeste em um cenário ainda centralizado no futebol brasileiro.
"Retornar ao Bahia pesou bastante, ficar perto da minha família. Muito gratificante estar em um clube do meu estado e poder levar o Nordeste para onde merece estar. Infelizmente ainda existe a centralização, não só no futebol feminino", afirmou.

"E o Bahia veio para isso. A gente faz história mais uma vez. Espero que a gente possa chegar na final e, quem sabe, colocar o Bahia na Libertadores", projetou.
Estratégia nos pênaltis
Nos pênaltis, Yanne foi decisiva, e contou que a preparação para esse tipo de momento é intensa, levando-a a focar mais na própria execução do que nas cobradoras adversárias.
"Treino bastante. A gente já treinou mais de dois mil pênaltis até hoje. Treino bastante para pegar pênalti. Mas não foco nelas, mas em mim e como posso executar da melhor forma. É muito sobre a minha postura como goleira", explicou.

A defesa foi fundamental para confirmar a classificação tricolor. Gica, Isa Fernandes, Taty Sena, Wendy Rosa e Cássia converteram para o Bahia. Pelo Palmeiras, Bia Zaneratto, Poliana, Fê Palermo e Pati Maldaner marcaram, mas Tainá parou em Yanne.
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Goleira divide protagonismo com o time
Apesar do brilho individual, Yanne fez questão de dividir o mérito com as companheiras. A goleira afirmou que a equipe soube se reerguer no momento certo e ressaltou o caráter coletivo da classificação.
"Só tenho a agradecer a Deus. Muito feliz pela partida da equipe. A gente soube se reerguer no momento certo. Não quero ficar com esse título de heroína. Se não fossem as meninas eu não teria conseguido", reconheceu.

"Muito feliz por ser o primeiro time nordestino semifinalista. Já fui semifinalista, mas a sensação de ajudar de forma efetiva é único e quero repetir na minha vida", celebrou.
Bahia aguarda adversário
Agora, o Bahia descansa classificados enquanto aguarda o vencedor do confronto entre Cruzeiro e Corinthians para conhecer o adversário nas semifinais. No jogo de ida, em Minas Gerais, as equipes empataram por 1 a 1.
Depois de eliminar o Palmeiras, as Mulheres de Aço seguem vivas na busca por uma vaga inédita na final do Brasileirão Feminino e pela possibilidade de levar o clube à Libertadores.



