DESABAFO
Ex-diretor e ex-técnico da dupla BaVi criticam arbitragem da Série B
Edgard Montemor e Enderson Moreira questionaram resultado contra o São Bernardo


O Novorizontino empatou por 0 a 0 com o São Bernardo nesta sexta-feira, 25, pela 30ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro - e a diretoria do clube deixou a partida muito incomodada.
A reclamação principal foi sobre um possível pênalti em Robson no segundo tempo, não marcado pelo árbitro Lucas Canetto Bellote mesmo após revisão no VAR.
O lance aconteceu em uma disputa com Jemerson. O árbitro foi chamado ao monitor, analisou a jogada e manteve a decisão de campo, sem assinalar penalidade.
Depois da partida, o executivo de futebol e ex-diretor do Vitória Edgard Montemor, junto ao técnico do Novorizontino e ex-técnico do Bahia Enderson Moreira, e do presidente do Novorizontino Genilson da Rocha Santos, foi à sala de coletiva para contestar a arbitragem e anunciar que o clube formalizará reclamação à CBF.
"Queremos apenas que seja justo"
Edgard Montemor afirmou que não costuma reclamar publicamente de arbitragem, mas disse ver uma repetição de episódios envolvendo o Novorizontino nesta reta de Série B.
"Se vocês pegarem desde quando comecei a trabalhar como executivo de futebol, em dezembro de 2004, e procurarem uma vez em qualquer clube pelo qual passei em que vim reclamar de arbitragem, talvez não encontrem nenhuma, talvez uma ou duas", disse.
"Sou um cara mais tranquilo em relação à arbitragem. Entendo que é difícil ser árbitro ou auxiliar, sei que existe pressão e talvez tenha um pouco mais de paciência com isso", completou.
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O dirigente disse que o clube não pede favorecimento, mas cobra a marcação de lances que considera claros.
"O importante é que não foi só hoje. Temos visto, neste campeonato e em outras competições, o Grêmio Novorizontino sendo preterido na reta final. Não queremos ajuda de ninguém", afirmou.
"Não estamos pedindo para o árbitro dar um pênalti inexistente para nós. Queremos que, quando ele seja requisitado a ir ao VAR em um pênalti que entendemos ser absolutamente claro, faça a avaliação correta", declarou.
Edgard cita fatores extracampo
O executivo também questionou se o tamanho da cidade e da torcida do Novorizontino pode pesar contra o clube em momentos decisivos da competição. Atualmente, Novo Horizonte tem cerca de 40 mil habitantes.
"O que começamos a pensar? Que o Grêmio Novorizontino tem torcida pequena, que a cidade é pequena, que é longe para viajar? 'Pô, mas o Novorizontino na Série A, como vai fazer para chegar lá Flamengo, Corinthians?'. Isso não é problema nosso", explicou.
Edgard reforçou que o clube quer que a disputa pelo acesso seja definida dentro das quatro linhas: "Trabalhamos há anos aqui. O Genilson, os donos, o Enderson está aqui desde o ano passado, passaram outros treinadores e executivos, e é sempre a mesma coisa".
"Vamos ter que pegar um voo para reclamar na CBF, reclamar aqui e mandar vídeo para quê? Queremos apenas que seja justo. É inadmissível o que foi feito hoje. Não vim aqui simplesmente desabafar", disse.
"Vim pontuar algo que considero importante e demonstrar para a imprensa, para o treinador, para a comissão técnica e para os jogadores que concordamos com eles. Gostaríamos muito que o campeonato fosse decidido dentro de campo", completou.
Presidente confirma reclamação à CBF
O presidente Genilson da Rocha Santos seguiu a mesma linha e confirmou que o Novorizontino levará o caso à CBF. "Acho que ficou mais do que claro que o Novorizontino só quer justiça, aquilo que for correto e fizer bem ao futebol", afirmou.
"Somos conhecidos como um clube que procura fazer o bem para o futebol e, quando você faz isso, no mínimo espera receber de volta aquilo que é correto", disse.
"Vamos, sim, comunicar a CBF e tomar as medidas que forem necessárias. O que pedimos é que exista essa preocupação em fazer o bem para o futebol. Fala-se em muitas coisas novas que estão sendo implantadas, e acredito que, se realmente forem colocadas em prática, teremos um futebol melhor", completou.
Reta final preocupa o clube
No pronunciamento, Genilson também pediu atenção especial da entidade para a reta final da Série B, marcada por disputa acirrada pelo acesso: "Tudo isso nos entristece muito porque trabalhamos diariamente, assim como os outros clubes, procurando fazer o nosso melhor".
"O que pedimos é somente justiça. Acredito que a CBF também estará voltada para isso e, com certeza, estará com os olhos atentos para esta reta final. É um campeonato muito competitivo e muito difícil, que não pode ser atrapalhado por situações que podem ser evitadas. Isso é o que nos incomoda", finalizou.
Empate deixa Novorizontino no G-4
Com a polêmica de arbitragem dominando o pós-jogo, o empate sem gols ficou em segundo plano. O Novorizontino chegou aos 51 pontos e dormiu provisoriamente na vice-liderança da Série B, dentro da zona de acesso à elite nacional.


