INVESTIMENTO
Estádio tradicional brasileiro terá reforma de R$ 400 milhões
Tribuna terá espaço para 44 mil torcedores novas áreas de lazer e estrutura para grandes shows

O tradicional Estádio Serra Dourada, em Goiânia, passará por uma transformação que prevê ampliação das arquibancadas, construção de camarotes inspirados na NFL e modernização da estrutura para receber grandes shows. O projeto conta com investimento privado de R$ 400 milhões e também contempla melhorias no ginásio Goiânia Arena e nas áreas de lazer, gastronomia e serviços do complexo.
As obras começaram em julho de 2026, com previsão de conclusão para julho de 2028.
Após a reforma, o estádio deverá ter capacidade para aproximadamente 44 mil torcedores, acima dos 38.412 lugares registrados no atual laudo de segurança. Em grandes eventos, a estrutura poderá receber até 60 mil pessoas.
A concessão do complexo está sob responsabilidade da Concessionária Complexo Serra Dourada, que já realizou o investimento de aproximadamente R$ 400 milhões liderada pela Construcap, empresa que controla a Urbia, gestora do Parque Ibirapuera, em São Paulo, e participa da concessionária do Mineirão, em Belo Horizonte. O contrato tem duração de 35 anos.
Camarotes inspirados na NFL são destaque da reforma
Uma das novidades do projeto são as 23 suítes inspiradas nas field suites, espaços localizados próximos ao gramado em estádios de futebol americano. A referência veio do estádio do Dallas Cowboys, nos Estados Unidos, visitado por Samuel Lloyd, diretor comercial do Complexo Serra Dourada.
No estádio goiano, os ambientes ficarão aproximadamente um metro acima do campo, para preservar a visibilidade do banco de reservas e das placas publicitárias. As suítes terão espaços climatizados, varanda, assentos e corredores de acesso.
“Foi onde eu conheci pela primeira vez e pude visitar as field suites e entender o valor que isso tem para a sustentabilidade do estádio e também para o torcedor”, afirma Lloyd.

Além dos camarotes, a reforma prevê o rebaixamento do gramado em aproximadamente um metro e a ampliação da arquibancada inferior, no espaço anteriormente ocupado pela Geral.
A proposta é aproximar os torcedores do campo e melhorar a visibilidade durante as partidas. O gramado natural será mantido.
Os vestiários, a zona mista e a estrutura de imprensa também passarão por melhorias. O projeto prevê ainda acessibilidade entre os diferentes níveis do estádio, inclusive até a área destinada aos profissionais de cobertura.
Complexo terá restaurantes, academias e espaços de lazer
A proposta da concessionária é transformar o Serra Dourada em um espaço de convivência e serviços, com atividades durante todo o ano, inclusive fora dos dias de jogos e shows.
“O que custa caro num estádio de futebol é a cadeira vazia”, afirma Lloyd.
A estratégia considera que, durante a fase de maturação do projeto, até 2030, o estádio deverá receber aproximadamente 18 partidas por ano.
Como os principais clubes locais já possuem estádios próprios, a empresa pretende ampliar a utilização do complexo com restaurantes, academias e espaços de trabalho.
Para isso, os edifícios Norte e Sul, localizados atrás dos gols, serão reformados. O projeto prevê a ocupação de aproximadamente 6 mil metros quadrados com coworkings, academias e estabelecimentos gastronômicos.
O entorno também receberá melhorias. Está prevista a construção de um circuito de 3,7 quilômetros, com pista de corrida e caminhada e ciclovia integrada, além de um parque poliesportivo de 16,5 mil metros quadrados.

Outro espaço será um parque linear, com o plantio previsto de aproximadamente mil mudas de espécies nativas do Cerrado. A concessionária pretende colocar a pista e a ciclovia em funcionamento já em 2027, antes da conclusão da reforma do estádio.
A estimativa é que, a partir de 2030, as atividades do complexo movimentem cerca de R$ 1 bilhão por ano na economia goiana.
O valor representa o impacto econômico esperado na região e na cadeia de serviços, não o faturamento direto da concessionária.
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Estádio será preparado para receber grandes shows
A modernização também prevê mudanças na logística de grandes apresentações. Atualmente, o acesso disponível para veículos pesados tem aproximadamente 2,30 metros de largura, o que dificulta a entrada de carretas. Por isso, os equipamentos precisam ser transferidos para veículos menores antes de chegar ao gramado.
Com a reforma, um novo acesso permitirá a entrada direta de caminhões de grande porte, facilitando a montagem e a desmontagem das estruturas dos eventos.
Para shows, a capacidade prevista é de até 60 mil pessoas, incluindo a ocupação do gramado. O projeto também contempla banheiros permanentes de alvenaria, reduzindo a necessidade de instalações químicas temporárias.

Obras seguem até julho de 2028
O Serra Dourada está fechado desde julho de 2026 e tem previsão de reabertura para julho de 2028. Durante esse período, outras áreas do complexo continuarão recebendo atividades, em um planejamento chamado pela concessionária de “Obra Viva”.
Os estacionamentos, espaços externos e o ginásio Goiânia Arena poderão seguir recebendo eventos. No ginásio, as intervenções serão realizadas por etapas, com uma breve interrupção prevista para o primeiro semestre de 2027.
A concessionária estima que as obras deverão gerar aproximadamente 2,5 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Depois da entrega, a expectativa é de cerca de 3 mil empregos relacionados às atividades do complexo.

Inaugurado em 9 de março de 1975, o Serra Dourada recebeu 79.610 pessoas em sua partida de estreia, recorde de público registrado pela Secretaria de Esporte e Lazer de Goiás. O projeto original é de autoria do arquiteto Paulo Mendes da Rocha.
Segundo a concessionária, a reforma preservará as características arquitetônicas do estádio, concentrando as intervenções na modernização dos espaços, dos acessos e da infraestrutura destinada a torcedores, artistas e produtores de eventos.








