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Flamengo tenta anular eliminação na Libertadores por irregularidade

Clube carioca questiona escalação de Marcos Rojo na semifinal e pede decisão antes de 28 de novembro

Marina Branco
Por
Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

O Estudiantes eliminou o Flamengo na semifinal da Libertadores e chegou à tão sonhada final das Américas - mas o Rubro-Negro não aceitou de cara o resultado. A classificação do Estudiantes para a final da Copa Libertadores de 2026 ainda é alvo de uma disputa nos tribunais.

Eliminado pela equipe argentina nos pênaltis, na última quinta-feira, 22, o Flamengo tenta reverter o resultado da semifinal por meio de uma reclamação sobre a escalação do zagueiro Marcos Rojo, cuja participação foi autorizada provisoriamente pela Corte Arbitral do Esporte (CAS).

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O clube carioca sustenta que o jogador foi inscrito irregularmente e busca obter os pontos da partida, enquanto os argentinos afirmam não correr risco de perder a vaga na decisão contra o Palmeiras.

Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

A controvérsia começou antes do confronto no Maracanã, quando a Conmebol recusou a inscrição de Rojo por considerar que sua transferência havia ocorrido depois do encerramento da janela de registros na Argentina.

O Estudiantes recorreu ao CAS e conseguiu uma autorização cautelar para utilizar o defensor, mas a decisão não encerrou a discussão sobre sua elegibilidade.

Agora, com a final marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai, o Flamengo espera que a situação seja resolvida antes da partida. O Estudiantes, por outro lado, demonstra confiança na manutenção da classificação e aguarda a decisão definitiva do tribunal.

Entenda por que a escalação de Marcos Rojo é questionada

A origem da disputa está na contratação do zagueiro pelo Estudiantes. Rojo defendia o Racing, da Argentina, e foi negociado com a equipe de La Plata após um período de desgaste com a direção do antigo clube, presidida por Diego Milito.

O Estudiantes buscava reforçar seu sistema defensivo depois de perder dois titulares, Pírez e Tomás Palacios, suspensos para a primeira partida da semifinal da Libertadores.

Para concretizar a transferência, o clube desembolsou US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões. O acordo também previa bônus de US$ 250 mil, cerca de R$ 1,2 milhão, em caso de classificação à final, e outros US$ 450 mil, equivalentes a R$ 2,2 milhões, se a equipe conquistasse o título.

Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

O problema surgiu porque a janela de transferências argentina havia sido encerrada em 2 de setembro, enquanto Rojo ainda disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 daquele mês.

A Associação de Futebol Argentino (AFA) permitiu que o defensor fosse registrado para competições nacionais como substituto do lesionado Gabriel Neves. A autorização, entretanto, não foi suficiente para garantir sua inscrição na Libertadores.

Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à Conmebol a inclusão do zagueiro na lista de atletas habilitados para a semifinal. Após consultar a Fifa, a confederação recusou o pedido em 14 de outubro e manteve a decisão no dia seguinte.

Segundo o comunicado divulgado pelo Flamengo, a Fifa esclareceu que as regras relativas aos períodos de inscrição também devem ser observadas em transferências nacionais, sem exceções além das expressamente previstas no regulamento.

CAS autorizou jogador, mas não garantiu ausência de punição

Diante das negativas da Conmebol, o Estudiantes recorreu à Corte Arbitral do Esporte e conseguiu uma decisão provisória favorável à participação de Rojo. Em 21 de outubro, um dia antes do confronto de volta da semifinal, o CAS autorizou o zagueiro a atuar contra o Flamengo.

A decisão, assinada por Antonio de Quesada, considerou que impedir sua participação poderia comprometer uma oportunidade esportiva relevante, que talvez não voltasse a ocorrer.

O tribunal também avaliou que, naquele momento, permitir a escalação não representaria necessariamente um prejuízo à integridade da competição, especialmente diante das dúvidas apresentadas sobre a aplicação das normas.

Entretanto, a autorização foi parcial. O CAS rejeitou um segundo pedido do Estudiantes, que pretendia obter uma garantia antecipada de que a utilização do defensor não poderia resultar em punições esportivas ou disciplinares.

Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

Esse ponto se tornou central na disputa entre os clubes. O documento ressalta que a rejeição do pedido não significa reconhecer que uma eventual punição seja cabível, e também não representa uma decisão antecipada sobre a legalidade da escalação.

O tribunal esclareceu apenas que não poderia se pronunciar preventivamente sobre sanções hipotéticas e que caberia ao Estudiantes e ao jogador avaliar os riscos de uma decisão definitiva desfavorável.

Assim, Rojo entrou em campo amparado por uma autorização judicial provisória, mas sem uma conclusão definitiva sobre a controvérsia regulatória.

Flamengo afirma que não iniciou processo e defende aplicação das regras

No sábado, 24, dois dias após a eliminação, o Flamengo divulgou uma nota oficial para explicar sua participação na disputa jurídica.

O clube afirmou que não foi responsável por iniciar o processo no CAS. Segundo a versão rubro-negra, foi o próprio Estudiantes que incluiu o Flamengo como parte da ação, em 16 de outubro, por ser o adversário da semifinal.

A direção carioca também declarou que havia informado antecipadamente ao tribunal e à equipe argentina que apresentaria uma reclamação formal caso Rojo fosse utilizado na partida.

Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

Depois da classificação do Estudiantes, o Flamengo protocolou o pedido dentro do prazo previsto no artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol. "Chamado a integrar um processo que não iniciou, o Flamengo agiu apenas para preservar seus direitos", afirmou o clube.

No comunicado, o Rubro-Negro destacou que o Estudiantes tinha conhecimento da possibilidade de questionamento antes de escalar o zagueiro.

"Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países", acrescentou.

O Flamengo solicitou que a situação seja resolvida antes da final, argumentando que o julgamento poderá ter consequências diretas sobre a definição do representante sul-americano na decisão continental.

Clube carioca usa precedentes de Santos e Chapecoense

A estratégia jurídica do Flamengo também considera casos anteriores de punições aplicadas pela Conmebol a clubes brasileiros por escalação irregular de jogadores.

Um dos episódios utilizados como referência aconteceu na Libertadores de 2018, quando o Santos enfrentou o Independiente, da Argentina, pelas oitavas de final.

Na ocasião, a equipe paulista foi punida pela utilização do meia Carlos Sánchez, considerado irregular. A Conmebol alterou o resultado da partida de ida para uma derrota santista por 3 a 0, o que teve impacto decisivo na eliminação.

Outro precedente envolve a Chapecoense, que perdeu pontos por ter escalado o zagueiro Luiz Otávio sem condições regulamentares de jogo, comprometendo suas chances de avançar na fase de grupos.

Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

O Flamengo também se apoia no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol. A norma prevê que uma equipe responsabilizada pela escalação indevida de um atleta seja considerada derrotada por 3 a 0.

A direção rubro-negra entende que, caso a irregularidade de Rojo seja reconhecida, a aplicação dessa regra poderia alterar o resultado do confronto de volta e, consequentemente, a classificação à final.

A questão, porém, depende da interpretação jurídica sobre os efeitos da autorização provisória concedida pelo CAS e do julgamento definitivo sobre a elegibilidade do jogador.

Estudiantes descarta perda da vaga

Enquanto o Flamengo tenta reverter a eliminação, o Estudiantes sustenta que tomou as medidas necessárias antes de utilizar Marcos Rojo. Presidente do clube argentino, o ex-jogador Juan Sebastián Verón afirmou, em entrevista à Rádio La Red, que a diretoria buscou orientação jurídica antes de apresentar o recurso.

Segundo ele, o advogado Ariel Reck analisou a situação e indicou que havia fundamentos para defender a inscrição do zagueiro. "Em um primeiro momento, com o tema de Marcos, nos assessoramos com Ariel Reck para saber onde estávamos parados e também sabendo primeiro que não queríamos ter nenhum problema", disse.

"Se ele tivesse nos dito que isso não era válido, não teríamos feito nada", declarou. Verón ressaltou que o CAS autorizou a participação do atleta e afirmou não acreditar que a equipe corra o risco de perder a classificação.

Flamengo e Estudiantes
Flamengo e Estudiantes - Foto: CONMEBOL

"Estamos à espera da resolução definitiva do CAS, não sabemos quando será realizado, se antes ou depois da final. O importante é que ele foi habilitado pelo CAS. E sobre o que se defina para frente, nós não corremos riscos de não jogar a final", afirmou.

A declaração contrasta com a interpretação apresentada pelo Flamengo, que considera possível uma punição esportiva ao Estudiantes. Apesar da confiança do dirigente argentino, a decisão definitiva do tribunal ainda não foi divulgada.

Técnico do Flamengo acredita em possibilidade de classificação

O assunto também chegou à comissão técnica rubro-negra, e depois da vitória do Flamengo por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, na última segunda-feira, 26, o treinador Leonardo Jardim foi questionado sobre a possibilidade de disputar a final da Libertadores.

O português afirmou acreditar em uma solução favorável ao clube, mas evitou aprofundar a discussão: "Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar".

Nos bastidores, a expectativa da direção rubro-negra está concentrada no julgamento do CAS e em seus possíveis desdobramentos na Conmebol. Já o Estudiantes mantém o planejamento para enfrentar o Palmeiras e não demonstra preocupação pública com uma eventual mudança na classificação.

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O que falta para a situação ser resolvida?

A disputa envolve duas questões relacionadas, mas distintas: a validade da inscrição de Marcos Rojo na Libertadores e a possibilidade de aplicação de consequências esportivas pela utilização do defensor.

A decisão cautelar do CAS permitiu que o jogador participasse da semifinal, mas não solucionou definitivamente a controvérsia.

Caso o tribunal conclua que Rojo estava regularmente habilitado, o principal argumento da reclamação rubro-negra perderá força.

Se a decisão final considerar a inscrição irregular, a discussão poderá avançar para a aplicação das punições previstas no regulamento da Conmebol, incluindo o pedido de alteração do resultado apresentado pelo Flamengo.

A possibilidade de uma punição, entretanto, não é automática. O próprio documento do CAS ressalta que a ausência de proteção antecipada contra sanções não representa reconhecimento de que elas sejam juridicamente cabíveis.

A data do julgamento definitivo ainda não foi anunciada. Por enquanto, o Estudiantes permanece oficialmente classificado para enfrentar o Palmeiras na final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu.

O Flamengo continua eliminado pelo resultado de campo, mas mantém uma reclamação jurídica em andamento na tentativa de alterar o desfecho da semifinal.

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