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Ex-Vitória é réu por financiamento ao tráfico e organização criminosa

Jogador foi alvo de medidas cautelares após decisão do Ministério Público

Gustavo Nascimento
Por
David, ex-jogador do Vitória, hoje está no Vasco
David, ex-jogador do Vitória, hoje está no Vasco - Foto: Beno Kuster Nunes

O atacante David, do Vasco, tornou-se réu após a Justiça do Espírito Santo aceitar uma denúncia do Ministério Público contra o jogador por suspeita de financiamento ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa. Como parte das medidas cautelares determinadas pela Justiça, o ex-jogador do Esporte Clube Vitória deverá entregar o passaporte e não poderá deixar o país sem autorização judicial.

A decisão ocorreu após a conclusão de uma etapa da Operação A Tropa, deflagrada em 31 de agosto pela Polícia Civil capixaba. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, comércio interestadual de armas e lavagem de dinheiro.

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Inicialmente, a Polícia Civil havia solicitado a prisão preventiva de David e o bloqueio de seus bens. O Ministério Público, porém, manifestou-se contra essas medidas e defendeu a aplicação de restrições cautelares, alternativa aceita pela Justiça.

Mensagens colocaram jogador na mira da investigação

A investigação ganhou repercussão após a Polícia Civil revelar conversas atribuídas a David com Edson Vander da Silva Júnior, apontado pelos investigadores como traficante e ex-agente do jogador.

Os diálogos foram encontrados durante a análise de um celular apreendido em uma investigação sobre uma tentativa de homicídio registrada em março de 2024, no município da Serra, na Grande Vitória.

Em uma das conversas, após receber a fotografia de uma pistola, David teria respondido: "Tem que matar um para ver de qual é". Em outro diálogo, ao receber informações sobre uma vítima de tentativa de homicídio, o atacante teria escrito: "Mereceu tomar uns tiros mesmo".

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Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, responsável pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, o conteúdo das mensagens levantou suspeitas sobre uma possível participação do jogador no financiamento do tráfico de drogas na região de Serra Dourada 3.

A Polícia Civil também identificou transferências financeiras e contatos que ampliaram o alcance das investigações. Edson Vander da Silva Júnior é apontado como responsável pela vida financeira e pela carreira de David naquele período, além de exercer papel de liderança no tráfico local.

Defesa nega envolvimento de David

A defesa do atacante nega qualquer participação em atividades criminosas. David já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, incluindo em sua residência e no centro de treinamento do Vasco.

O recebimento da denúncia pela Justiça significa que o jogador passará a responder formalmente ao processo, mas não representa uma condenação. A responsabilidade do atleta pelas acusações ainda será analisada durante a tramitação judicial.

Caso de Hayner teve encaminhamento diferente

Outro jogador citado na Operação A Tropa, Hayner Willian Monjardim Cordeiro, lateral-direito do Vila Nova, emprestado pelo Santos, não foi denunciado pelos mesmos crimes atribuídos a David.

Segundo informações do UOL, a investigação não encontrou elementos que vinculassem Hayner às suspeitas de financiamento ao tráfico ou participação em organização criminosa. A conduta atribuída ao lateral ficou restrita a um episódio de compartilhamento de drogas, considerado de menor potencial ofensivo.

Com isso, o Ministério Público concordou com o encaminhamento do caso ao Juizado Especial Criminal, onde será analisado o episódio específico. Hayner também havia sido alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação.

Outros quatro investigados continuam presos

A Polícia Civil concluiu o inquérito envolvendo os demais suspeitos, que foram indiciados por possíveis crimes de participação em organização criminosa, tráfico de drogas e tráfico de armas.

Após o oferecimento das denúncias pelo Ministério Público e o recebimento pela Justiça, as prisões dos quatro investigados foram mantidas. Todos permanecem custodiados no sistema penitenciário do Espírito Santo.

A investigação e os processos judiciais continuam em andamento.

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