"DIRETORIA ABANDONOU O CLUBE"
Na espera por SAF, time da Série B pode sofrer W.O após greve de jogadores
Sem receber salário há até seis meses, jogadores podem não enfrentar o América no domingo


Em meio às negociações para implementação da SAF, a crise da Ponte Preta vem se agravando cada vez mais, e ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 26. O elenco profissional da Macaca anunciou greve causada por atrasos salariais, e suspendeu todas as atividades até que os pagamentos sejam regularizados.
A paralisação inclui treinos e também pode afetar partidas oficiais, podendo resultar em um W.O no próximo domingo, 30, quando a Ponte Preta enfrentaria o América-MG, em Belo Horizonte, pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.
Em comunicado assinado pelos atletas, o grupo afirma que há jogadores com salários e direitos de imagem atrasados há até seis meses. O elenco também diz se sentir abandonado pela diretoria, citando falta de respostas, garantias e presença no dia a dia do clube.

Jogadores citam abandono da diretoria
A nota dos atletas tem como principais alvos o presidente Luiz Torrano e o vice-presidente Marco Antônio Eberlin. No comunicado, o elenco afirma que a situação é de conhecimento público e que a maioria dos jogadores não recebeu os últimos meses de salários e direitos de imagem.
"Há ainda uma nuvem de incertezas que pairam sobre nós, eis que a atual diretoria abandonou o dia a dia do clube e, além dos atrasos salariais, estamos sem qualquer satisfação ou garantia", diz trecho da nota.
Os jogadores também afirmam que esperaram semanas e até meses antes de tomar a decisão, em respeito à torcida e à instituição: "Nosso sentimento é de abandono".

Elenco cita Lei Geral do Esporte
Na nota, os atletas citam o artigo 90 da Lei Geral do Esporte, que permite ao jogador profissional se recusar a competir quando houver atraso salarial de dois meses ou mais.
O elenco afirma que, diante do descaso da diretoria e do fim do prazo dado para a regularização dos pagamentos, decidiu suspender as atividades a partir desta quarta-feira.
"Comunicamos que, a partir desta quarta-feira, 26/08/2026, após encerramento do prazo que estipulamos para a diretoria, suspenderemos as nossas atividades até a regularização dos nossos pagamentos", informa o texto.

No aguardo pela SAF
Como a paralisação inclui jogos, a Ponte Preta pode não entrar em campo no domingo contra o América-MG. Na última semana, antes da goleada sofrida por 6 a 0 para o Vila Nova, em Goiânia, os jogadores já haviam divulgado um ultimato cobrando o pagamento dos salários atrasados. O prazo terminou na terça-feira, 25, sem acordo.
O atraso também está ligado ao impasse envolvendo a SAF da Ponte, já que a assembleia que votaria o tema foi adiada por causa de uma liminar obtida por um grupo de oposição. Sem a aprovação, o grupo interessado em investir na SAF não fez o adiantamento esperado, e os atletas seguiram sem receber.
A oferta da SAF traz um aporte total de cerca de 1,1 bilhão de reais, sendo 400 milhões exclusivamente para modernizar o Estádio Moisés Lucarelli a ponto de transformá-lo em uma arena multiuso com capacidade para 21 mil torcedores.
Outros 300 milhões iriam para o elenco profissional e de base ao longo de dez anos, sendo 30 milhões de reais anuais, e outros 300 milhões para quitar as dívidas do clube.
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Crise se arrasta desde 2025
A crise financeira da Ponte Preta começou na metade do ano passado, durante a disputa da Série C. Mesmo em meio aos problemas, o clube conquistou o acesso e venceu o primeiro título nacional de sua história.
Em 2026, porém, a situação se agravou. No Campeonato Paulista, a Macaca passou as primeiras rodadas impedida de registrar jogadores e acabou rebaixada para a Série A2 com apenas um ponto.
Ao longo da temporada, mais de 15 atletas deixaram o clube por causa de pendências salariais, agravando a situação da Ponte que tem ainda três transfer bans ativos.

Ponte virtualmente rebaixada
Os reflexos da crise aparecem, claro, dentro de campo. Com elenco reduzido e poucas opções para o técnico Márcio Zanardi, a Ponte Preta soma apenas 10 pontos na Série B e está virtualmente rebaixada, mesmo ainda longe do final do torneio.
Agora, além da situação esportiva delicada, o clube precisa lidar com a paralisação do elenco e o risco de não disputar o próximo compromisso na competição.


