FUTEBOL E NEGÓCIOS
Em crise e com dívida de R$ 17 bilhões, Casas Bahia aposta alto na Copa do Nordeste
Varejista acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas


Mesmo diante de uma grave crise financeira, com fechamentos de centenas de lojas e dívidas que chegam a R$ 17,3 bilhões, a Casas Bahia mantém uma estratégia de forte exposição no futebol brasileiro. A varejista, que renovou até 2028 os naming rights do Campeonato Paulista, também ampliou sua atuação no esporte em 2026 ao assumir o direito de nome da Copa do Nordeste.
Casas Bahia estreia nos naming rights do futebol
A entrada da Casas Bahia no mercado de naming rights esportivos aconteceu no fim de 2025. Na ocasião, a empresa fechou um acordo com a Federação Paulista de Futebol (FPF) para batizar a competição estadual como “Paulistão Casas Bahia”.
O contrato também previa uma série de propriedades comerciais durante o torneio, como painéis de LED nos estádios, vinhetas de abertura, produção de conteúdos digitais próprios e a nomeação dos principais clássicos do campeonato, que passaram a ser chamados de “Superclássicos Casas Bahia”.
Na época, Gustavo Pimenta, diretor executivo comercial e de marketing do Grupo Casas Bahia, destacou a importância do acordo para a estratégia da empresa no esporte.
“Estar à frente dessa competição como detentores dos naming rights é um passo muito importante para a Casas Bahia no avanço consistente no território esportivo. É uma parceria que amplia nossa conexão com milhões de consumidores, em momentos de emoção, relevância e grande audiência”, afirmou Gustavo Pimenta, em dezembro de 2025.
A empresa avaliou que as ativações realizadas ao longo do Paulistão trouxeram resultados comerciais. Uma das ações foi a transformação da tradicional disputa de “cara ou coroa” antes das partidas em uma ação promocional, com sorteios de produtos do portfólio da varejista.
Segundo os dados divulgados pela empresa, alguns dos produtos utilizados nas ações chegaram a registrar crescimento de até 190% nas vendas no dia seguinte às partidas.
Casas Bahia leva estratégia para a Copa do Nordeste
Com a experiência no Campeonato Paulista, a Casas Bahia ampliou sua presença no futebol brasileiro em 2026 e passou a dar nome à Copa do Nordeste.
A competição passou a ser chamada de Copa do Nordeste Casas Bahia 2026, consolidando a expansão da estratégia de naming rights para um dos principais torneios regionais do país.
A iniciativa manteve o modelo de ativação utilizado no Paulistão. O acordo garantiu à varejista presença nos estádios, ações proprietárias relacionadas à dinâmica das partidas, conteúdos em tempo real, campanhas promocionais e integração entre os canais físicos e digitais da marca.
Paulistão terá nome da marca até 2028
Em junho de 2026, a varejista renovou por mais dois anos os naming rights do Campeonato Paulista.
Com o novo acordo, as edições de 2027 e 2028 do torneio também serão disputadas sob o nome “Paulistão Casas Bahia”.
Crise financeira coloca empresa em recuperação judicial
A forte presença da Casas Bahia no futebol ocorre paralelamente a um momento delicado para as finanças do grupo.
No dia 14 de agosto, a varejista anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil colaboradores em diferentes regiões do Brasil. Além disso, o grupo informou ter apresentado à Justiça de São Paulo um pedido de recuperação judicial, mecanismo utilizado por empresas em dificuldades financeiras para reorganizar suas dívidas e tentar evitar a falência.
A medida permite a suspensão temporária de cobranças e dá à empresa a possibilidade de continuar suas operações enquanto negocia um plano de pagamento com os credores.
No pedido apresentado à Justiça, o grupo informou acumular aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Leia Também:
Cores do Bahia geraram polêmica na final da Copa do Nordeste
A associação da Casas Bahia com o futebol ganhou um capítulo particular justamente na decisão da Copa do Nordeste, vencida pelo Vitória em junho, contra o Fortaleza, no Barradão. A presença de ativações da patrocinadora com as cores azul, vermelho e branco — tradicionalmente associadas ao Bahia, maior rival do clube rubro-negro — provocou um impasse nos bastidores da final. Uma das ações previstas pela CBF acabou sendo barrada pelo Vitória.
Envelopado em azul, vermelho e branco e com aparência de caminhão da varejista, o veículo foi utilizado para transportar a taça até o campo. A súmula da partida, preenchida pelo árbitro Rodrigo Pereira de Lima, registrou dificuldades no cumprimento dos protocolos de partida e premiação.
“Informo que as equipes de marketing e da diretoria de competições da CBF tiveram dificuldades com o clube Vitória no cumprimento dos protocolos de partida e premiação, no que tange às ativações do patrocinador master da competição”, escreveu.
Entre as ativações previstas estava a entrada de crianças acompanhando os dois times, todas vestindo camisas com a identificação da Casas Bahia. As crianças participaram da cerimônia, mas sem a referência ao patrocinador.
O presidente do Vitória, Fábio Mota, admitiu que o clube barrou a ação e explicou o motivo da decisão. “No final, houve um entendimento do marketing do Vitória com o marketing da CBF. O estranhamento do Vitória foi com as camisas azul, vermelho e brancas com Casas Bahia escrito. O caminhão entrou e levou a taça”, disse Fábio Mota.
O presidente do Vitória também reconheceu que argumentou com a CBF que a presença de um caminhão nas cores do Bahia no centro do gramado não seria bem recebida dentro do Barradão, território tradicionalmente rubro-negro.
Apesar do impasse, o veículo foi utilizado durante a cerimônia de premiação, embora tenha permanecido apenas nas proximidades do campo. O Vitória também avaliou internamente que faltou sensibilidade na escolha de uma ativação que levava as cores do maior rival para dentro do estádio.


