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PCDs classificados pelo Comitê Paralímpico disputam Maratona Salvador

Já são 66 atletas PCD inscritos no circuito do Centro de Convenções entre 26 e 27 de setembro

Marina Branco
Por
Atletas PCD na Maratona Salvador
Atletas PCD na Maratona Salvador - Foto: Divulgação

Todos os anos, a Maratona Salvador reúne diversos atletas em uma missão - alcançar a linha de chegada. Alguns deles, no entanto, passam por uma prova ainda mais difícil, e o fazem com maestria.

Entre os milhares de participantes da prova que acontece entre 26 e 27 de setembro, estão diversos atletas com deficiência, que chegarão ao Centro de Convenções Salvador, na orla da Boca do Rio, ao final da disputa.

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A competição terá provas de 5 km, 10 km, 21 km e 42 km, além dos desafios de 5 km + 21 km e 10 km + 42 km. Em 2026, a organização já registra 66 atletas PCD inscritos, número que ainda pode crescer, já que as inscrições seguem abertas até 20 de setembro.

Número de atletas PCD deve superar 2025

De acordo com o coordenador da prova e diretor da MP3 Marketing, Douglas Cerqueira, a expectativa é que a edição deste ano supere o número de participantes PCD registrado em 2025. Para ele, o crescimento está ligado tanto ao incentivo financeiro quanto ao avanço na classificação dos atletas.

"Provavelmente vamos superar o número de PCD de 2025. Percebo que esse crescimento tem relação com dois pontos: primeiro, que todo atleta PCD, mediante a apresentação da documentação, tem 50% de desconto, e isso é um estímulo", disse.

"O segundo ponto é a vinda de profissionais do Comitê Paralímpico Brasileiro, que fazem uma classificação dos PCD de forma justa e isonômica na sua categoria", completou.

Segundo Douglas, a classificação também permite que os corredores busquem índices para disputar competições em outras etapas do calendário nacional e internacional.

"A partir dessa classificação e da própria competição, os corredores adquirem índices para competir no Brasil e até no mundo", contou.

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Categorias competitivas e premiação

A Maratona Salvador terá categorias PCD competitivas nas provas de 42 km e 21 km, no masculino e no feminino, para cadeirantes, amputados de membro inferior e amputados de membro superior, com os três primeiros colocados dessas categorias recebendo premiação.

Há cerca de três anos, a organização criou um método próprio de classificação para ampliar a participação de atletas com diferentes tipos de deficiência, incluindo cadeirantes, amputados, pessoas com deficiência intelectual e atletas com deficiência visual.

Até o momento, estão inscritos 11 atletas PCD nos 5 km, sete nos 10 km, 23 nos 21 km, 15 nos 42 km, sete no desafio 5 km + 21 km e três no desafio 10 km + 42 km.

"A corrida foi a coisa mais importante na minha vida"

Entre os participantes está Angelina Nascimento, de 60 anos, guardadora de carros da Zona Azul e atleta cadeirante. Ela participou de todas as edições da Maratona Salvador, desde quando a prova ainda era realizada na orla da Barra.

Angelina teve as pernas paralisadas após desenvolver polineuropatia, um distúrbio neurológico, depois de contato com água de esgoto. No esporte, encontrou força para reconstruir a própria rotina, e agora já são 15 anos como atleta de rua e outros 15 como atleta PCD.

"A corrida foi a coisa mais importante na minha vida. Eu morei um ano em hospital e, logo em seguida, comecei o tratamento. Eu caí, mas me levantei mais forte e enfrentando os obstáculos", afirma.

"Cada dia da minha vida, eu aprendo e tenho evolução maior. O esporte foi tudo, me ajuda a trabalhar a depressão. Tenho meus altos e baixos e vou para cima, buscando meus objetivos", conta. Neste ano, Angelina voltará a encarar os 42 km, dando continuidade a sua história com a corrida antes e depois do distúrbio.

Baby Maratonista mira mais uma prova

A prova, então, está cheia de nomes já conhecidos da corrida soteropolitana. Um deles é José Bonifácio Soares Filho, conhecido como Baby Maratonista. Morador de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, ele tem 55 anos, é PCD de baixa visão e participa de corridas de rua há 27 anos.

"Sou muito grato a Deus por existir esse esporte, principalmente para nós, pessoas com deficiência. Comecei em 1999 como curiosidade. No mesmo ano, participei de uma corrida oficial realizada pela Federação Baiana de Atletismo, chamada Corrida Eliminatória da São Silvestre", relembrou.

Baby Maratonista
Baby Maratonista - Foto: Reprodução I Instagram

Naquela prova, Baby ganhou em sorteio uma passagem para São Paulo e disputou a São Silvestre no mesmo ano: "Fiz os 15 km no meio de 13 mil pessoas e ainda consegui bater a meta: fiquei entre os mil primeiros colocados".

Na edição passada da Maratona Salvador, ele concluiu os 42 km em 3h28min e ficou em segundo lugar entre os atletas PCD.

Preparação exige treino individualizado

Treinador de Angelina e de José Bonifácio, Felipe Albuquerque, conhecido como Chokito, explica que a preparação para uma maratona segue os princípios do treinamento de endurance. No caso de atletas PCD, porém, a individualização precisa ser ainda maior.

"O ponto central não é simplesmente adaptar o treino de uma pessoa com deficiência, mas entender como aquele atleta produz movimento, quais são suas limitações funcionais, quais compensações aparecem com a fadiga e quais são as exigências específicas da sua categoria", explicou.

Segundo Chokito, a preparação é estruturada em cinco frentes: avaliação funcional e clínica, técnica específica, força, desenvolvimento aeróbio e especificidade da maratona.

Classificação será feita por banca do CPB

Para garantir a participação dentro das regras do esporte paralímpico, os atletas passam por avaliação realizada por uma banca de classificadores do Comitê Paralímpico Brasileiro. O processo considera as características funcionais de cada participante e define em qual categoria ele poderá competir.

As categorias atestadas pelos classificadores serão: Cadeirante (CAD), para rodas esportivas; Deficiente Visual (DV), nas classes T11, T12 e T13; Amputados de Membros Inferiores (AMP), nas classes T42, T43 e T44; Amputados de Membros Superiores (DMS), nas classes T45 e T46; Deficiente Intelectual (DI), na classe T20; e PCD Geral, para demais categorias de paratletas.

Assim, cada atleta poderá encontrar a categoria ideal, se inscrever e vencer mais um obstáculo com talento, dedicação e desempenho esportivo exemplar.

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