FUTEBOL INTERNACIONAL
Uefa desafia Fifa e ameaça boicote à Copa do Mundo; entenda
Entidade europeia rejeita criação de empresa para administrar torneios da Fifa


A guerra nos bastidores do futebol mundial ganhou um novo capítulo. A Uefa reforçou nesta quinta-feira, 30, sua oposição à proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar seus torneios e comercializar ações para investidores privados. A entidade europeia afirmou que suas 55 associações-membro rejeitam a ideia de forma unânime e ameaçaram não participar de competições organizadas pela federação internacional enquanto o projeto continuar em discussão.
O posicionamento foi divulgado após uma reunião de emergência convocada pela Uefa na quarta-feira, 29. Segundo a entidade, nenhuma seleção europeia disputará torneios da Fifa caso a proposta não seja totalmente retirada e não haja garantias consideradas suficientes.
Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes UEFA - em comunicado
Possível boicote afetaria competições como a Copa do Mundo Feminina
Caso seja colocado em prática, o boicote poderia gerar impactos em importantes torneios do calendário internacional. Um dos eventos que poderia ser afetado é a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
A proposta da Fifa foi apresentada na última terça-feira, 28, e prevê a criação de uma empresa privada responsável por concentrar a comercialização e a organização das principais competições da entidade.
A Uefa foi uma das primeiras confederações a se posicionar contra o projeto e recebeu apoio da Concacaf, que reúne países da América do Norte, Central e Caribe, e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três entidades representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa.
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Após a reação das confederações, a Fifa divulgou um vídeo com o presidente Gianni Infantino explicando a proposta. Segundo o dirigente, a criação da nova empresa ainda passará por votação envolvendo todas as associações-membro e pelo conselho da entidade.
Infantino afirmou que a venda de ações permitiria ampliar os valores repassados às federações nacionais. Atualmente, cada associação recebe cerca de 8 milhões de dólares, quantia que poderia chegar a 20 milhões de dólares com a aprovação do projeto.
A Fifa estima arrecadar US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões) com a iniciativa.
Em comunicado, a entidade afirmou que a entrada de investidores privados poderia ajudar a "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".
Uefa critica proposta e afirma que Copa do Mundo "não está à venda"
Em seu pronunciamento oficial, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo não deve ser tratada como um produto de investimento e criticou a forma como a proposta foi apresentada pela Fifa.
"A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma "decisão democrática", mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo".


