DESIGN
Como usar o teto para transformar a decoração sem precisar de reforma
A chamada quinta parede ganha destaque em projetos de arquitetura e decoração


Muitas vezes deixado em segundo plano, o teto vem recebendo mais atenção nos projetos de interiores.
Conhecido como “quinta parede” no universo da arquitetura e do design, ele pode assumir um papel de destaque na decoração, contribuindo para valorizar a iluminação, criar identidade visual e até delimitar espaços integrados, como salas de estar e de jantar, sem a necessidade de construir paredes, segundo especialistas.
“Muitas vezes, nossa atenção fica concentrada no piso, nas paredes e nos móveis, enquanto o teto acaba sendo tratado apenas como uma superfície branca. Mas ele tem um grande potencial para transformar um ambiente. Na verdade, essa ideia não é nova. Quando observamos a arquitetura antiga, encontramos igrejas e palácios com afrescos, pinturas e ornamentos nos tetos, utilizados para criar encantamento, transmitir narrativas e estabelecer atmosferas específicas.O que vemos hoje é uma releitura desse recurso histórico, adaptado à linguagem e às necessidades dos espaços contemporâneos”, explica Moisés Góes, arquiteto e urbanista à frente do escritório Moisés Góes Arquitetura.
Gabriela Melhem, arquiteta e sócia de Luiza Midlej na Acorá Arquitetura, escritório especializado em apartamentos destinados ao aluguel por temporada, explica que a decoração do teto também interfere na percepção dos ambientes.
“O cérebro interpreta as características do espaço e produz sensações antes mesmo de termos consciência de todos os elementos que estamos observando. O teto tem um papel importante nessa experiência. Um teto com cor ou textura pode mudar a leitura do espaço como um todo. Pode reduzir a sensação de altura e trazer aconchego, ou ampliar visualmente o ambiente e transmitir imponência. Tudo depende de como é trabalhado”.
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Segundo ela, o recurso também é utilizado para surpreender os hóspedes e destacar os imóveis nas plataformas de aluguel.
Entre as possibilidades para transformar a quinta parede estão:
- pinturas;
- papéis de parede;
- molduras;
- sancas;
- painéis de madeira;
- e revestimentos texturizados.
A iluminação também pode integrar a composição, enquanto estampas botânicas, desenhos orgânicos, tetos coloridos e materiais naturais, como madeira e fibras, ganham espaço nos projetos.
Moisés também destaca que o recurso pode ser utilizado para delimitar espaços integrados, como salas de estar e de jantar, sem a necessidade de construir paredes.
Cor e contraste
A arquiteta Luiza Midlej destaca que a escolha de cores, texturas e revestimentos pode modificar a percepção do ambiente sem alterar sua estrutura física.
“Um teto com cor mais intensa ou contrastante pode aproximar visualmente o plano e trazer aconchego, enquanto tons claros e uma continuidade com as paredes podem favorecer a sensação de amplitude, mas nada disso funciona de forma isolada: A iluminação, as proporções e os demais elementos do ambiente também influenciam essa leitura. Na arquitetura, é sempre a intenção do projeto que guia a escolha das técnicas e materiais, não o contrário. O objetivo não é necessariamente fazer um espaço parecer maior ou menor, e sim usar esses recursos para despertar as sensações que queremos proporcionar a quem vai viver aquele ambiente”.
A proporção é outro aspecto que exige atenção, especialmente em relação ao pé-direito, distância entre o piso acabado e o teto.
“Em um apartamento com pé-direito baixo, uma cor escura no teto pode acentuar a sensação de altura reduzida, deixando o espaço visualmente opressivo. Já em ambientes com pé-direito muito alto, o excesso de elementos verticais pode reforçar essa altura e transmitir uma sensação de frieza e impessoalidade. Outro ponto importante é considerar o teto como parte do conjunto; Quando cores, texturas, iluminação e elementos decorativos não conversam entre si, o resultado pode ser uma poluição visual, causando sensação de sobrecarga e desconforto, mesmo que a pessoa não saiba explicar exatamente o motivo da sensação”, afirma Luiza.
Para quem deseja apostar na quinta parede sem grandes reformas, a pintura aparece como uma das alternativas mais acessíveis.
Gabriela sugere explorar formas orgânicas, colorir apenas parte do teto ou criar continuidade com as paredes. Moisés também recomenda o uso de fita-crepe para elaborar desenhos geométricos:
“Podemos fazer faixas, linhas ou formas abstratas, explorando contrastes ou combinações mais suaves. É uma solução relativamente econômica, que exige planejamento e cuidado na execução, mas não necessariamente um investimento elevado”.
Outras opções incluem papéis de parede próprios para aplicação no teto, estampas artísticas, composições inspiradas no lambe-lambe e a valorização do concreto aparente, desde que a superfície apresente condições adequadas. As propostas podem ser utilizadas em quartos, salas, lavabos, halls de entrada e corredores.
“O lavabo, por exemplo, costuma ser um ambiente interessante para experimentar cores e estampas mais marcantes. Já no quarto, podemos trabalhar com tons e materiais que contribuam para uma sensação de acolhimento e tranquilidade”. Para Moisés, o importante é planejar as intervenções considerando as características do espaço e as necessidades de quem vai utilizá-lo.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló


