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INVESTIMENTO SUTIL

De R$ 750 mil a R$ 2 milhões: o segredo da reforma que valoriza apartamentos

Arquitetos e corretores revelam a diferença real entre gasto e investimento na obra

Joana Lopes
Por Joana Lopes
Reformas projetadas pelo arquiteto Paulo Tripoloni
Reformas projetadas pelo arquiteto Paulo Tripoloni - Foto: Emilie Fabienne/Divulgação

Depois de comprar um imóvel, a reforma costuma ser vista apenas como uma forma de deixar os ambientes com a cara dos novos moradores. No entanto, quando planejada com critérios estritamente técnicos, ela se transforma em um investimento estratégico capaz de ampliar o valor de mercado da propriedade e reduzir drasticamente o tempo necessário para uma futura venda.

A arquiteta Rafaela Giudice, do escritório Bespoke Dela, explica que projetos arquitetônicos bem planejados alteram significativamente a percepção de valor de uma propriedade.

“Quando o projeto considera funcionalidade, conforto, identidade visual e as necessidades do público comprador, a propriedade passa a ser percebida como um ativo pronto para morar, o que impacta diretamente no valor e na velocidade de venda. Hoje, o comprador busca praticidade e personalização. Quando encontra um imóvel atualizado, funcional e visualmente atraente, a tomada de decisão acontece de forma muito mais rápida”, afirma a arquiteta.

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O segredo do retorno financeiro em obras

Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) indicam que um imóvel permanece, em média, cerca de 16 meses à venda no país. Em um mercado altamente competitivo, os imóveis que exigem menos intervenções saem na frente.

Para o especialista em investimentos imobiliários Ramiro Delgado, CEO do Trade Imobiliário, o retorno financeiro depende menos do volume da obra e mais das escolhas feitas durante o projeto:

“Existe uma grande diferença entre gasto e investimento. Algumas melhorias aumentam significativamente o potencial de venda ou locação do imóvel, como intervenções que eliminam espaços pouco funcionais e favorecem a sensação de amplitude", avalia Delgado.

De acordo com o estudo internacional JLC 2025 Cost vs. Value, algumas intervenções específicas trazem retornos surpreendentes:

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  • Cozinhas renovadas: Pequenas reformas nas cozinhas podem recuperar até 113% do valor investido, dependendo do mercado local.
  • Banheiros e integrabilidade: Atualizar banheiros e eliminar espaços ociosos são os campeões de atratividade.
  • O "básico" que vende: Pintura nova em tons neutros, pisos em bom estado e revisão estrutural saltam aos olhos do comprador.
Arquiteta Rafaela Giudice
Arquiteta Rafaela Giudice - Foto: Dander Freitas / Divulgação

Por outro lado, reformas focadas apenas em preferências muito pessoais ou materiais de alto padrão incompatíveis com o perfil do bairro elevam os custos da obra sem refletir no preço final de venda. O corretor de imóveis Renato Zimmerman alerta que problemas estruturais e infiltrações são interpretados como despesas futuras e pesam na negociação:

“Quem compra compara. Quando a melhoria resolve um problema ou facilita o dia a dia, o valor tende a subir. Quando não resolve nada relevante, vira apenas custo. Pintura neutra, conserto de infiltrações, revisão elétrica ou hidráulica e atualização de cozinha ou banheiro auxiliam na negociação e aceleram a venda”, crava Zimmerman.

Casos reais: Projetos que triplicaram o valor do imóvel

Exemplos práticos mostram o poder dessa transformação no bolso do vendedor, com imóveis que valorizaram de forma expressiva após reformas bem estruturadas:

  • Apartamento de 90m² (Vila Olímpia - SP): Adquirido por R$ 750 mil, passou por uma reorganização de espaços e marcenaria planejada. Foi anunciado por R$ 2,18 milhões.
  • Apartamento de 65m²: Recebeu um investimento total de R$ 438 mil em melhorias e foi vendido por R$ 1,3 milhão.
Reformas em apartamentos da arquiteta Rafaela Giudice.
Reformas em apartamentos da arquiteta Rafaela Giudice. - Foto: Dander Freitas / Divulgação

Redes invisíveis: O que avaliar antes dos acabamentos

Nem toda reforma deve começar pela escolha do piso ou dos armários. O arquiteto Paulo Tripoloni recomenda que imóveis antigos passem por uma avaliação estrutural rigorosa antes do início das intervenções para evitar surpresas no orçamento, apontando as novas exigências tecnológicas do morador atual:

“O estilo de vida mudou, e as casas precisam acompanhar isso. Hoje temos eletrodomésticos de alta potência, automação residencial e até integração com energia solar. Instalações antigas não foram dimensionadas para essas exigências", pondera Tripoloni.

Além disso, a ampliação do acesso ao crédito tem estimulado o setor. O Governo Federal lançou o Programa Casa Brasil, voltado ao financiamento de reformas e ampliações para melhorar as condições de habitação.

No terceiro setor, projetos como os da Habitat Brasil e da ReforAmar usam voluntários para reestruturar moradias vulneráveis, provando que intervenções estruturais protegem a qualidade de vida e preservam o patrimônio das famílias contra a deterioração do tempo.

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