IMOBILIÁRIO
Novos favoritos, Paralela e Patamares atraem a procura por bem-estar em Salvador
Conceito do ‘wellness real estate’ desloca busca por moradias para regiões próximas à orla


Em diferentes partes do mundo, mudanças nas relações com a residência, o trabalho, o tempo e o entorno começam a repercutir na dinâmica das cidades e no comportamento do mercado imobiliário, influenciando uma transformação mais ampla no modo de viver e escolher onde morar.
O movimento ganhou ainda mais força a partir da pandemia. A maior permanência em casa, o avanço do trabalho híbrido e a incorporação de diferentes atividades à vida doméstica modificaram a percepção sobre morar bem. O endereço também passou a ser observado pela forma como se relaciona com a rotina e com o território ao redor, estando perto do que realmente importa. uma tendência internacional.
Essa mudança acompanha uma tendência internacional. O chamado wellness real estate, segmento que reúne empreendimentos e territórios planejados para favorecer a saúde e o bem-estar de moradores e comunidades, movimentou US$ 584 bilhões em 2024, segundo o Global Wellness Institute. Entre 2019 e 2024, o mercado cresceu, em média, 19,5% ao ano, diante de 5,5% da construção global no mesmo período. A projeção é alcançar US$ 1,1trilhão em 2029.
A expansão do segmento revela uma mudança que ultrapassa o imóvel e alcança a relação das pessoas com o lugar onde vivem. Qualidade do tempo, proximidade da rotina familiar, contato com a natureza, busca por silêncio, segurança percebida e possibilidades de convivência ao ar livre se tornaram atributos de bem-estar.
Nova centralidade
Em Salvador, os efeitos desse comportamento também aparecem no novo mapa residencial. Regiões tradicionalmente valorizadas, como Vitória, Graça e Horto Florestal, convivem agora com a expansão da cidade em direção à orla atlântica e ao eixo de Patamares e Avenida Paralela, que ganharam status impulsionadas por infraestrutura, serviços e novas conexões urbanas.
A geografia residencial de Salvador vem mudando de rota. Segundo dados de inteligência de mercado da Ademi-BA, Piatã liderou as vendas residenciais na capital baiana no primeiro trimestre de 2026 e também se destacou entre os bairros com maior volume de lançamentos. O resultado sinaliza um deslocamento concreto do interesse para a região.
Essa expansão modifica também a percepção de localização. O eixo formado por Piatã, Patamares, Greenville e Avenida Paralela passa a concentrar uma parcela maior da vida cotidiana, enquanto as conexões com o aeroporto, o Litoral Norte, a orla e polos empresariais ampliam a circulação e o interesse pela região nesse novo mapa de desejos.

A oferta de uma educação de qualidade também tem ajudado a explicar parte dessa transformação. Instalada em Patamares desde 1974, a Pan American School of Bahia estima que cerca de 30% dos seus alunos residam atualmente em Greenville, Patamares e áreas próximas.
Segundo Valquíria Voltarelli, diretora de Admissões e Desenvolvimento da escola, a mudança tornou-se mais perceptível nos últimos cinco anos. "O período foi acompanhado pelo crescimento dos empreendimentos residenciais de médio e alto padrão, do comércio, serviços e da oferta de escolas internacionais”, comenta.
Para a dentista Myrna Torres, de 47 anos, a proximidade da escola dos filhos teve influência direta na mudança para Greenville, há 11 anos. “Nossa família passou a morar a cerca de cinco minutos da escola. Desde então, acompanhei o desenvolvimento do comércio, dos serviços, da infraestrutura e das possibilidades de esporte, lazer e bem-estar no entorno do condomínio. Vivemos em uma reserva urbana, próxima ao aeroporto e com facilidade de conexão com o Litoral Norte, nosso destino nos fins de semana”.
O médico Ângelo Rebouças, de 34 anos, se mudou para Greenville há menos de um ano procurando uma melhor qualidade de vida quando a família se preparava para a chegada da primeira filha. “Foi uma escolha em busca de uma rotina mais tranquila, com espaço para circular e viver em família. Aqui caminhamos com segurança e algumas ruas fecham aos domingos, possibilitando um contato direto com a natureza".
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A administradora Cibele Moreira Machado, de 56 anos, também transformou seu dia a dia em Greenville. “Com o tempo, a lógica da minha rotina mudou. Passei a encontrar na própria região ou no entorno escola, mercado, academia, igreja, shopping e outros serviços. Vivemos abraçados pelo verde, pelo silêncio, pela privacidade e por uma qualidade de vida que podemos desfrutar no cotidiano. Como passear com animais de estimação, deixar os filhos mais soltos e aproveitar as ruas do bambuzal que atraem toda a vizinhança”.
Nesse novo desenho, a localização valorizada passa a refletir também a forma como as pessoas desejam organizar o tempo, viver a cidade e construir suas relações cotidianas. E Greenville ganha relevância nesse movimento pela combinação entre planejamento, áreas verdes, comunidade, silêncio, segurança e proximidade do mar.
A presença de escolas internacionais, serviços e conexões com a Avenida Paralela, o aeroporto e o Litoral Norte reforçam a formação de uma centralidade ligada à própria rotina. Uma dinâmica local que traduz, em Salvador, transformações no modo de viver observadas em diferentes partes do mundo.


