Após 50 anos, Suprema Corte dos EUA derruba direito ao aborto

Estados passam a ser livres para proibir interrupção da gravidez

Publicado sexta-feira, 24 de junho de 2022 às 11:50 h | Atualizado em 24/06/2022, 11:50 | Autor: AFP
Decisão não torna a interrupção da gravidez ilegal
Decisão não torna a interrupção da gravidez ilegal -

A Suprema Corte dos Estados Unidos pôs fim nesta sexta-feira, 24, a uma sentença que por quase meio século garantia o direito das mulheres americanas ao aborto, mas que nunca havia sido aceita pela direita religiosa. 

Essa decisão não torna a interrupção da gravidez ilegal, mas leva os Estados Unidos de volta à situação que prevalecia antes da decisão "Roe vs. Wade" de 1973, quando cada estado era livre para autorizá-la ou não.

Em um país muito dividido, é provável que metade dos estados, especialmente do Sul e Centro mais conservadores e religiosos, possam banir a prática do aborto no curto prazo.

"A Constituição não faz nenhuma referência ao aborto e nenhum de seus artigos protege implicitamente esse direito", escreveu o juiz Samuel Alito, em nome da maioria.

Neste contexto, Roe vs. Wade "deve ser anulado", apontou.

"É hora de devolver a questão do aborto aos representantes eleitos pelo povo", aos parlamentos locais, escreveu.

Tal formulação é muito semelhante ao projeto de sentença que vazou no início de maio, causando grandes manifestações em todo o país e uma onda de indignação na esquerda.

Desde então, a situação tem sido tensa nas imediações da Suprema Corte, isolada pelas forças de segurança para manter os manifestantes à distância.

Em 8 de junho, um homem armado foi preso perto da casa do magistrado Brett Kavanaugh e acusado de tentativa de homicídio.

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