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Dom Geraldo lamenta morte de Zilda Arns em terremoto no Haiti

Publicado quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 às 05:25 h | Atualizado em 22/01/2021, 00:00 | Autor: A TARDE ON Line e Agência Estado
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O arcebispo primaz do Brasil Dom Geraldo Majela lamentou, nesta quarta-feira, 13, a morte de "sua grande amiga" a fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e Pastoral da Pessoa Idosa, Zilda Arns, no terremoto que atingiu o Haiti nesta terça-feira, 12. A morte de Zilda Arns foi confirmada pelo gabinete de seu sobrinho, o senador Flávio Arns (PSDB-PR). Ao todo, são 12 brasileiros mortos na tragédia.

De acordo com o setor de Relações Públicas da 6ª Região Militar, que engloba a Bahia e Sergipe, não havia baianos em missão no Haiti. A última tropa que estava no país retornou em outubro de 2009.

Dom Geraldo contou que era amigo de Zilda há muitos anos e que juntos, em 1983, fundaram a Pastoral da Criança no município de Florestópolis, no Paraná. "Zilda era uma mulher forte, decidida e preparada. É uma grande perda para o país e fica o exemplo dela para o surgimento de novos defensores da vida", disse Dom Geraldo.

Ele afirmou ainda que está abalado com o falecimento de Zilda e que sentiu profundamente sua morte. " Me conforta saber que ela dedicou a vida e se identificou com a causa até o ponto que ela morreu no trabalho", desabafa. Às 18h será realizada uma missa na Capela da Sagrada Família, localizado no Garcia, em homenagem as vítimas do terremoto no Haiti.

Zilda Arns viajou para o Haiti no domingo, 10, e daria uma palestra nesta quarta, 13, na Conferência Nacional dos Religiosos do Caribe. A médica pediatra e sanitarista deveria retornar ao Brasil neste sábado, 16. A Pastoral da Criança está ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A assessoria da Zilda Arns informou, de acordo com a Agência Brasil, que ela estava no país para apresentar a metodologia da Pastoral da Criança no combate à desnutrição.

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse, ao deixar a reunião com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, que Lula "está absolutamente chocado com a toda a situação" e que ele “lamentou muitíssimo” a morte da coordenadora da Pastoral da Criança. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou que o senador Flávio Arns parte para o Haiti em um avião da Força Aérea Brasileira ainda nesta quarta.

O presidente do Senado, José Sarney, também lamentou a morte da médica pediatra. "Lamento o episódio profundamente. O Brasil perdeu uma de suas mais expressivas figuras. Ela era um exemplo extraordinário de dedicação às crianças, aos pobres e às causas sociais".


Morte de militares - O Comando do Exército confirmou a morte de onze militares brasileiros. São eles: 1º Tenente Bruno Ribeiro Mário, 2° Sargento Davi Ramos de Lima, 2° Sargento Leonardo de Castro Carvalho, Cabo Douglas Pedrotti Neckel, Cabo Washington Luís de Souza Seraphin, Soldado Tiago Anaya Detimermani, Soldado Antônio José Anacleto, Cabo Arí Dirceu Fernandes Júnior, Soldado Kleber da Silva Santos, Subtenente Rainel Batista de Camargos e o Coronel Emilio Carlos Torres dos Santos. Apenas o último militar servia em Brasília, os demais estavam lotados em São Paulo.

Quatro militares, que estavam no Quartel da MINUSTAH, no Hotel Cristopher, e três no Ponto Forte 22, na Casa Azul, estão desaparecidos. Além de sete feridos, que recebem atendimento no Hospital Agertino da Minustah.

No início da manhã desta quarta-feira, 13, o chefe de Comunicação Social do Batalhão brasileiro no Haiti, coronel Alan Sampaio Santos, disse, em entrevista a rádio Jovem Pan, que sete militares brasileiros morreram no terremoto, ma a informação oficial dá conta de 10 militares mortes. O ministério da Defesa informou que há 1.266 militares brasileiros no Haiti.


Destruição - O terremoto de magnitude 7 na escala Ritcher destruiu vários prédios no país, inclusive o palácio presidencial na capital Porto Príncipe e instalações usadas pelo Exército brasileiro. O abalo aconteceu a cerca de 22 km de Porto Princípe, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas. Outros tremores com magnitudes de 5,9 e 5,5 se seguiram ao terremoto. O fenômeno foi sentido por quase toda República Dominicana e no leste de Cuba.

A população relatou desespero e caos no país em entrevistas à emissoras de televisão. Eles contaram ter visto diversos edifícios destruídos, como um cinema, além de muitas pessoas feridas, ensaguentadas. Os relatos demonstram que a população está desnorteada, sem saber onde procurar ajuda e como entrar em contato com familiares e amigos, já que a comunicação e energia foram afetadas pelos tremores.

O Exército brasileiro disse, em comunicado, que o terremoto provocou "sérios danos estruturais à cidade de Porto Príncipe e em algumas das bases do contingente brasileiro da MINUSTAH (nome da operação brasileira no Haiti), causando vítimas fatais e ferimentos em vários militares".

De acordo com o Comando do Exército, os deslocamentos motorizados está prejudicada pela "grande quantidade de escombros nas ruas de Porto Príncipe", o que tem prejudicado o levantamento do números de vítimas e dos danos da tragédia.

Os haitianos têm procurado ajuda no Comando do Batalhão Brasileiro (BRABATT), menos atingida pelos abalos.


Ajuda - O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse à CNN que as consequências do terremoto são "catastróficas". Emocionado, ele pediu ajuda dos Estados Unidos e disse que "a única coisa que posso fazer agora é rezar e confiar em que o pior não aconteça".


O presidente dos EUA, Barack Obama, manifestou pesar pela tragédia e disse que "estamos (os EUA) prontos para ajudar o povo do Haiti". O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) ofereceu US$200 mil para comprar comida, água, remédios e conseguir abrigo para as vítimas.

Contato - O Ministério de Relações Exteriores brasileiro disponibilizou os telefones do Itamaraty para manter contato com governo brasileiro. Os números são (61) 3411-8803/ (61) 3411-8805 / (61) 3411-8808 / (61) 3411-8817 / (61) 3411-9718 ou (61) 8197-2284

Confira imagens do Haiti após o terremoto:

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