PREOCUPANTE
Gigante dos supermercados fecha 100 lojas e demite 5 mil após prejuízo de R$ 6 bilhões
Movimentação acontece em meio a transformações profundas na varejista


Mais de 80 cargos corporativos foram colocados em risco de demissão pela rede de supermercados britânica Morrisons em Bradford, na Inglaterra. A ação faz parte de um plano de reestruturação para conter dívidas bilionárias e recuperar mercado.
Confirmada no início de setembro de 2026, a medida soma-se ao fechamento de 100 lojas de conveniência e ao corte de quase 5 mil empregos acumulados em 12 meses, período em que a companhia registrou prejuízo antes dos impostos de £ 926 milhões (cerca de R$ 6,88 bilhões).
Segundo o portal Grocery Gazette, que veiculou a informação das novas demissões na sede corporativa (Hilmore House), o enxugamento atinge a equipe central de suporte comercial.
A empresa abriu um processo de consulta formal com os funcionários impactados enquanto busca simplificar a gestão.
A movimentação acontece em meio a transformações profundas na varejista de 125 anos de história.
A crise no setor varejista na Inglaterra não se limita aos grandes grupos internacionais e reflete um momento de forte reestruturação no mercado global.
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Demissões
Relatórios contábeis entregues à Companies House e divulgados pelo portal IBTimes UK em agosto de 2026 revelam que o quadro médio mensal de funcionários do Morrisons caiu 5% no período de 12 meses encerrado em outubro anterior, passando de 101.144 para 96.232 trabalhadores, um encolhimento líquido de 4.912 vagas.
A maior parte do corte (mais de 4.200 postos) ocorreu nas operações diretas das lojas, além de reduções nas divisões de fabricação de alimentos e distribuição.
Um porta-voz do Morrisons afirmou, em declaração reportada pelo IBTimes UK, que a redução refletiu o encerramento do serviço de entrega de jornais ao domicílio, a reorganização da equipe de Recursos Humanos e o encolhimento da padaria Rathbones.
Ele destacou que grande parte do ajuste ocorreu sem demissões diretas, apenas no formato de não preenchimento de vagas abertas após saídas voluntárias.
De acordo com o portal TheStreet, em paralelo, o Morrisons confirmou o encerramento de 17 lojas principais, além do fechamento de:
- 52 cafés;
- 18 unidades do formato “Market Kitchens”;
- 17 lojas de conveniência;
- 35 balcões de peixaria,
- 35 açougues
- 13 floristas.
Além disso, a empresa confirmou o plano de fechar 100 antigas bancas e lojas da marca McColl’s (que operavam sob a bandeira Morrisons Daily).
Prejuízo superior a R$ 6 bilhões e dívida bilionária
O faturamento do grupo subiu 2,8%, alcançando £ 15,7 bilhões (R$ 107,4 bilhões), conforme o balanço divulgado no segundo semestre.
No entanto, a rede registrou prejuízo antes dos impostos de £ 926 milhões (R$ 6,88 bilhões no câmbio da época), impactado por baixas contábeis de £ 97 milhões (R$663,7 milhões) ligadas à aquisição da rede de conveniência McColl’s.
Embora relatórios contábeis anteriores chegassem a apontar lucros brutos pontuais antes dos impostos de £ 2,1 bilhões (R$14,36 bilhões) — após prejuízos acumulados passados —, a dívida líquida total subiu de £ 7 bilhões (R$47,89 bilhões) para £ 7,5 bilhões (R$51,31 bilhões).
O aumento no endividamento foi impulsionado pelo aumento dos passivos de arrendamento e expansão de frota.
Para reduzir parte desse passivo pendente, a empresa concluiu a venda de seus postos de combustível em um negócio de £ 1,8 bilhão (R$12,32 bilhões) — reduzindo a dívida operacional pendente direta para £ 3,8 bilhões — e planeja levantar até £ 600 milhões (R$4,105 bilhões) por meio de operações de venda e arrendamento de imóveis próprios.
Agravamento da crise
Fatores externos e forte disputa no setor agravam a crise do Morrisons. A empresa perdeu fatia de mercado no Reino Unido, caindo para a 6ª posição ao ser ultrapassada pelas redes alemãs de desconto Aldi e Lidl.
Como apontou o portal TheStreet, a rede também sofreu um ataque cibernético direcionado ao seu fornecedor de tecnologia, a Blue Yonder, o que prejudicou os sistemas de gestão da cadeia de suprimentos e a disponibilidade de produtos nas prateleiras durante as vendas de fim de ano.
Dados da consultoria Coresight Research e da PwC citados pelo TheStreet, mostraram que o cenário reflete um desafio amplo do comércio físico, já que em 2024, varejistas nos EUA fecharam cerca de 7.325 lojas (com projeções de até 15 mil fechamentos), enquanto o mercado do Reino Unido registra retração semelhante.
Tem salvação?
Segundo a agência Reuters, apesar dos cortes e do endividamento, o Morrisons apresentou melhora no crescimento de suas vendas trimestrais do tipo like-for-like (comparativo de lojas abertas há mais de um ano).
A estratégia foca no aumento da competitividade de preços, fortalecimento do programa de fidelidade “More Card” e rigoroso controle de custos operacionais para compensar a inflação nos setores de energia e folha de pagamento.


