MUNDO
Idosa despejada de apartamento aos 87 anos manda recado do hospital: “Lutem”
Maricarmen Abascal doi despejada após viver 70 anos no imóvel


A idosa de 87 anos que foi despejada do apartamento onde viveu por sete décadas, em Madri, na Espanha, enviou uma mensagem de apoio aos manifestantes que protestam contra a crise habitacional no país. Internada por questões de saúde, Maricarmen Abascal pediu “coragem” e incentivou o grupo a continuar a mobilização.
“Peço a todos vocês coragem, que lutem, que defendam o que é de vocês”, declarou Maricarmen em um vídeo divulgado na noite de domingo, 27, pelo Sindicato de Inquilinos e Inquilinas.
Na gravação, feita de uma cama de hospital, a aposentada também lamentou não poder participar pessoalmente dos atos. “Estar com vocês, acompanhá-los em seu acampamento e em sua luta”, afirmou.
O pronunciamento acontece dias depois de Maricarmen ser retirada do imóvel onde morava desde 1956. As imagens do despejo tiveram forte repercussão na Espanha e fizeram com que o caso da aposentada ganhasse espaço nas manifestações contra a alta dos preços dos aluguéis e dos imóveis.
Leia Também:
“Nem uma Maricarmen a mais”
Cerca de uma centena de manifestantes montou barracas na Puerta del Sol, no centro de Madri, onde o grupo passou duas noites em protesto. Uma das mensagens exibidas no local fazia referência direta à aposentada: “Nem uma Maricarmen a mais”.
Os manifestantes cobram do governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez novas medidas de proteção diante da crise habitacional. Segundo o Sindicato de Inquilinos e Inquilinas, atos também estavam previstos em outras cidades espanholas.
O governo deve apresentar nesta terça-feira, 29, um novo decreto com medidas voltadas à habitação. Sánchez afirmou que o Executivo trabalha “contra o relógio” para concluir a proposta, que posteriormente precisará do respaldo do Congresso.
Relembre o caso
Maricarmen morava havia cerca de 70 anos no mesmo apartamento, no bairro de Retiro, em Madri. Ela chegou ao imóvel ainda criança, em 1956.
A disputa começou após a venda do prédio, em 2018. Dois anos depois, a nova proprietária ofereceu o apartamento à aposentada por € 247 mil. Sem condições de comprá-lo, ela foi informada de que o aluguel subiria para € 2.650. O valor acabou reduzido para € 1.650, mas ainda ultrapassava a renda da idosa.
O imóvel passou posteriormente para outra empresa, e uma longa disputa judicial foi iniciada sobre a validade do contrato de aluguel. Após decisões inicialmente favoráveis à aposentada, o processo chegou ao Tribunal Supremo, que decidiu em favor da empresa.
Uma primeira tentativa de despejo havia sido impedida há cerca de cinco meses por moradores e integrantes do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri. Na última quarta-feira, 23, no entanto, uma nova ordem foi cumprida e Maricarmen deixou o imóvel.


