MUNDO
Líder supremo do Irã pede união entre países muçulmanos contra EUA e Israel
Apelo ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel


Seis meses após o início da guerra no Oriente Médio, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, voltou a defender a união entre os países muçulmanos e pediu que Estados Unidos e Israel sejam tratados como inimigos comuns da comunidade islâmica.
A declaração foi divulgada neste domingo, 30, em uma mensagem na qual Khamenei também cobrou dos líderes da região uma postura conjunta diante do conflito.
"A solução para os problemas da Ummah (comunidade muçulmana) reside na unidade de voz, na amizade e na cooperação no caminho do bem", afirmou o aiatolá, segundo seu site oficial.
O líder iraniano pediu que as autoridades dos países da região identifiquem, segundo ele, os verdadeiros adversários e atuem para impedir conflitos internos entre os muçulmanos.
Ele conclamou os líderes da região a "reconhecerem seu verdadeiro inimigo, compreenderem seu plano e combatê-lo", identificando os Estados Unidos e Israel como inimigos de todos, e não apenas do Irã.
Khamenei também fez um alerta contra ações que possam provocar divisões dentro da comunidade muçulmana.
Leia Também:
"Qualquer pessoa, em qualquer posição, que faça algo que cause divisão entre os muçulmanos e crie conflitos dentro da comunidade muçulmana, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, terá servido aos objetivos dos inimigos do Islã", acrescentou.
Conflito ampliou tensão na região
Desde o início da ofensiva americano-israelense contra o Irã, Teerã passou a atacar aliados de Washington no Oriente Médio. Entre os países atingidos estão Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Catar e Bahrein.
O episódio provocou uma deterioração nas relações entre o Irã e essas capitais.
Dentro do próprio país, Mojtaba Khamenei também defendeu que autoridades e população deixem de lado as diferenças para concentrar esforços contra Estados Unidos e Israel. O líder, que tem a palavra final sobre as principais políticas iranianas, afirmou que "sob nenhuma circunstância se deve permitir o surgimento de divergências" entre os iranianos.
O apelo pela coesão interna já havia aparecido em uma declaração escrita divulgada na sexta-feira, 28. Na ocasião, Khamenei afirmou que "a prática de qualquer ato que comprometa a coesão social era proibida".
Líder não aparece em público
Mojtaba Khamenei assumiu a liderança do Irã após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, data que marcou o primeiro dia da ofensiva americano-israelense contra o país.
Desde então, Mojtaba não foi visto publicamente. As autoridades iranianas também não divulgaram vídeos ou gravações de áudio do líder.
Além do discurso de união política e religiosa, Khamenei defendeu mudanças na condução da economia iraniana. Ele pediu uma desdolarização gradual e o aumento da produção como medidas para recuperar a atividade econômica.
O país enfrenta meses de bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e décadas de sanções internacionais. Na segunda-feira, Washington anunciou o endurecimento dessas medidas.


