Busca interna do iBahia
HOME > MUNDO

MUNDO

País quer lançar trem-bala mais rápido do mundo, com velocidade de até 4.000 km/h

Projeto aposta em levitação magnética dentro de tubos a vácuo e promete aposentar aviões em viagens longas

Iarla Queiroz
Por
País investe em tecnologia que une Maglev e Hyperloop
País investe em tecnologia que une Maglev e Hyperloop -

A China quer ir além de tudo o que já foi feito em transporte terrestre, trabalhando no desenvolvimento do que pode se tornar o trem-bala mais rápido do mundo, com capacidade teórica para atingir até 4.000 km/h. A proposta combina trens de levitação magnética com tubos de vácuo — uma tecnologia inspirada no conceito de Hyperloop — e pode redefinir a forma como pessoas se deslocam em longas distâncias.

A aposta surge em um cenário no qual a China já lidera, com folga, o setor ferroviário de alta velocidade. Se em 2008 o país tinha apenas 120 quilômetros de linhas rápidas, hoje opera a maior malha do mundo e investe pesado para tornar o avião dispensável em boa parte das rotas internas.

Tudo sobre Mundo em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Do Maglev ao Hyperloop: a tecnologia por trás do projeto

O plano chinês passa pela evolução dos trens de levitação magnética (Maglev), que não utilizam rodas e flutuam sobre os trilhos graças a campos eletromagnéticos. Sem atrito físico, esses trens conseguem ultrapassar com facilidade os limites da alta velocidade tradicional, que gira em torno de 250 km/h.

Atualmente, a China já opera o Maglev mais rápido do planeta, que alcança 431 km/h na ligação entre Pequim e Xangai. O Japão, por sua vez, testa modelos que podem ultrapassar os 600 km/h. Ainda assim, esses números ficam pequenos diante da ambição chinesa.

Leia Também:

GRAVE

Do quintal à UTI: a picada de mosquito que quase matou um homem
Do quintal à UTI: a picada de mosquito que quase matou um homem imagem

ATENÇÃO

Visto americano pode ser cancelado por comportamento nas redes sociais
Visto americano pode ser cancelado por comportamento nas redes sociais imagem

MUNDO

Onde fica a ponte brasileira eleita uma das mais bonitas do mundo
Onde fica a ponte brasileira eleita uma das mais bonitas do mundo imagem

O projeto mais ousado atende pelo nome de T-Flight e é desenvolvido pela estatal China Aerospace Science and Industry Corporation (CASIC). A proposta é colocar um trem Maglev dentro de um tubo de baixa pressão, reduzindo drasticamente a resistência do ar — o mesmo princípio que sustenta o Hyperloop.

Como o T-Flight pretende chegar a 4.000 km/h

No sistema idealizado pela CASIC, o trem não apenas flutua, mas se eleva até 100 milímetros acima do trilho, graças ao uso de supercondutores. Nos Maglev convencionais, essa distância é de cerca de 10 milímetros. Quanto maior a elevação, maior a estabilidade em velocidades extremas.

Além disso, o tubo por onde o trem circula remove quase todo o ar do interior, criando um ambiente de pressão muito baixa. A combinação entre ausência de atrito e resistência aerodinâmica mínima é o que permitiria alcançar velocidades inéditas no transporte terrestre.

Testes já quebraram recordes

Os primeiros resultados já chamaram a atenção da comunidade internacional. Em 2024, o projeto atingiu 623 km/h, estabelecendo um recorde em testes controlados. Meses depois, em um experimento ainda mais ousado, o trem chegou a 650 km/h em apenas sete segundos, percorrendo uma pista de apenas um quilômetro.

Esses testes impressionam não só pela velocidade, mas também pela aceleração e frenagem extremas. A meta de curto prazo é alcançar 800 km/h, ainda neste ano, antes de avançar para etapas mais ambiciosas.

As próximas fases do projeto

Atualmente, o T-Flight está na Fase 1, cujo objetivo é atingir 1.000 km/h. Para isso, os engenheiros planejam ampliar a pista de testes para cerca de 60 quilômetros, o que permitiria simular condições mais próximas da realidade.

Já as fases seguintes elevam ainda mais o nível de ousadia. A Fase 2 prevê velocidades de 2.000 km/h, próximas ao dobro da velocidade de cruzeiro de um avião comercial. A Fase 3, considerada a mais extrema, mira os 4.000 km/h, entrando no território das velocidades supersônicas.

Se essas metas forem alcançadas, grandes centros urbanos chineses poderiam ser conectados em poucos minutos, eliminando a necessidade de voos domésticos em várias rotas — um movimento que já começa a ser observado na Europa, onde trens de alta velocidade competem diretamente com o transporte aéreo.

O maior obstáculo não é a velocidade

Apesar dos avanços, o principal desafio não está apenas em fazer o trem andar rápido, mas em manter o sistema funcionando com segurança. Construir e preservar centenas de quilômetros de tubos a vácuo é uma tarefa extremamente complexa.

Estimativas indicam que um tubo de 600 quilômetros exigiria juntas de dilatação a cada 100 metros, todas perfeitamente seladas para evitar vazamentos causados por variações de temperatura. Qualquer falha poderia resultar em uma descompressão grave, com riscos elevados.

Outro entrave é a ausência de padrões internacionais de certificação e protocolos de segurança para um sistema desse tipo. Ainda assim, o projeto avança em ritmo acelerado.

Mesmo que o trem de 4.000 km/h ainda pareça distante da operação comercial, o histórico chinês no setor ferroviário sugere que, se algum país pode transformar essa ideia em realidade, esse país é a China.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

china mundo trem

Relacionadas

Mais lidas