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PRONUNCIAMENTO

Papa Leão XIV condena eutanásia e cobra combate a abusos na França

Leão XIV pediu continuidade na resposta da Igreja aos crimes ocorridos no meio religioso

Rodrigo Tardio
Por
Discurso foi proferido no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Discurso foi proferido no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes - Foto: Divulgação | Vatican News

Em pronunciamento realizado neste domingo, 27, o papa Leão XIV declarou ser inviável naturalizar a prática da eutanásia e do suicídio assistido.

Na mesma ocasião, o pontífice exortou o episcopado francês a manter o rigor nas ações de prevenção e reparação frente aos casos de violência sexual contra menores cometidos no âmbito eclesiástico.

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​A manifestação ocorre após a aprovação, pelo Parlamento da França em julho, da legislação que faculta a eutanásia e a morte assistida a indivíduos com enfermidades sem cura.

A medida enfrentou forte resistência da Santa Sé, que classificou a mudança como uma "ruptura antropológica".

​"Não se pode encarar como algo normal a interrupção deliberada da vida. Nem tudo o que é respaldado pela lei possui amparo moral", afirmou a liderança católica.

Na sexta-feira anterior, em agenda oficial com o presidente francês Emmanuel Macron, o papa já havia externado críticas à oferta de procedimentos para a antecipação da morte.

​Acolhimento em Lourdes

​Sob aplausos dos fiéis, o líder religioso reforçou que nenhuma norma humana tem a capacidade de anular a dignidade intrínseca da pessoa.

O discurso foi proferido no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, tradicional ponto de peregrinação que atrai anualmente milhões de devotos em busca de restauração da saúde e onde a Igreja contabiliza 72 curas consideradas milagrosas.

​Dirigindo-se aos enfermos, o pontífice declarou que eles não representam um fardo, mas sim o centro vital da humanidade e um patrimônio de valor inestimável para a comunidade eclesiástica, redefinindo o local como a "cidade dos doentes e da esperança".

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Enfrentamento aos abusos

​No tocante aos escândalos de abuso infantil, Leão XIV pediu continuidade na resposta da Igreja aos crimes ocorridos no meio religioso. O apelo antecedeu um encontro privado com sete vítimas de agressão sexual no país.

As dimensões do problema vieram à tona em 2021, quando um estudo encomendado pela própria hierarquia católica projetou a existência de cerca de 330 mil vítimas menores de idade desde a década de 1950.

​De acordo com nota divulgada pelo Vaticano sobre a reunião a portas fechadas com a Conferência Episcopal Francesa, o papa destacou a determinação com que o episcopado enfrentou a questão nos últimos anos e reforçou a exigência de permanente vigilância.

​Como gesto simbólico ligado ao tema, a diocese de Lourdes promoveu o ocultamento integral dos mosaicos situados na fachada de uma de suas basílicas.

As obras foram concebidas pelo sacerdote esloveno Marko Rupnik, alvo de denúncias de abusos, e a intervenção buscou assegurar um ambiente adequado para o retorno das vítimas ao local sagrado.

​A programação da viagem papal encerra-se nesta segunda-feira na cidade de Metz, onde o chefe da Igreja Católica proferirá um discurso dedicado às relações na União Europeia e à promoção da paz.

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Tags

abuso infantil eutanásia Igreja Católica Papa Leão XIV Suicídio assistido VIOLÊNCIA SEXUAL

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