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Saiba porque os Estados Unidos não utilizam urna eletrônica como o Brasil

Eleições que acontecem nos Estados Unidos são feitas com voto em papel

Gustavo Zambianco
Por
Urna eletrônica
Urna eletrônica - Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil

O eleitor brasileiro, que já está habituado ao uso da urna eletrônica durante as eleições, geralmente se surpreende ao saber que, nos Estados Unidos, o voto ainda é feito em um papel.

Existem dois pontos que podem justificar o motivo de os EUA ainda utilizarem o voto impresso em vez da urna eletrônica:

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  • Inexistência de uma entidade nacional que organize as eleições, como faz o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Ou seja, cada estado decide qual sistema utilizar;
  • Questões culturais ainda sustentam a tese do voto no papel.

Como os norte-americanos votam e por que ainda utilizam o papel?

Nos Estados Unidos, é possível votar de três formas diferentes:

  • Via correio, quando existe uma justificativa;
  • Antecipadamente, para evitar a concentração de eleitores nas seções;
  • Presencialmente, no dia oficial da eleição.
Urna eletrônica
Urna eletrônica - Foto: José Cruz | Agência Brasil

Depois de os cidadãos votarem, todas as cédulas são contadas utilizando um computador, seguindo o laboratório de estudos de eleições do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

O método mais popular é o do scanner óptico, que lê as cédulas de papel e contabiliza os resultados.

Vale ressaltar que alguns distritos utilizam o sistema de urna eletrônica, mas em pequenas proporções. Nesses casos, elas ainda têm um "sistema de auditoria em papel verificável", que imprime as escolhas feitas pelo eleitor e é retido no local para evitar compra de votos.

Urna eletrônica
Urna eletrônica - Foto: Paulo Pinto | Agência Brasi

De acordo com a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA (EAC), o papel fornece um registro independente.

Vale ressaltar que, conforme a Pesquisa de Administração Eleitoral e Votação de 2024, mais de 98% das jurisdições utilizam atualmente cédulas de papel ou sistemas com registro em papel verificado pelo eleitor, uma proporção que "continua a crescer".

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O que justifica essa diferença?

A falta de uma organização central para as eleições reflete uma tradição anterior à votação eletrônica.

A Constituição estadunidense prega que os 50 estados controlem os horários, locais e a condução das eleições. As zonas de voto são ainda menores, separadas em distritos.

Quando se fala dos equipamentos de votação, eles são selecionados pelas jurisdições locais ou pelo próprio estado.

Urna eletrônica
Urna eletrônica - Foto: Divulgação

Estadunidenses não confiam no sistema eletrônico

Além da forma em que as eleições são guiadas nos Estados Unidos, outro ponto que ajuda na manutenção do voto impresso no país é a insegurança dos estadunidenses com o sistema eletrônico.

Nos anos 1970 e 1980, diferentes modelos de urna eletrônica foram testados nos Estados Unidos como complemento ao voto de papel.

Porém, uma desconfiança sobre o sistema foi fundada durante a eleição presidencial de 2000, disputada entre o republicano George W. Bush, que levou a vitória, e o democrata Al Gore.

Uma recontagem de aproximadamente 600 votos em um condado na Flórida expôs problemas nas antigas máquinas de cartão perfurado. O resultado no estado seria decisivo para determinar quem tomaria o posto na Casa Branca.

Urna eletrônica
Urna eletrônica - Foto: Reprodução | Freepik

Por causa de alguns fragmentos de papel que ficavam presos às cédulas, os maquinários ignoravam as marcações e liam os votos válidos como “em branco”.

A falha acarretou um processo judicial e um pedido de auditoria que levantou a falta de confiança nos sistemas computadorizados.

Em resposta, o Congresso aprovou, em 2002, o HAVA (Help America Vote Act), que modernizou os equipamentos e estabeleceu padrões para os sistemas de votação.

Para especialistas do MIT, a mudança acelerou a substituição das máquinas antigas e contribuiu para a expansão das DREs, equipamentos que registravam os votos eletronicamente.

Por outro lado, a controvérsia em torno das DREs cresceu nos anos seguintes e contribuiu para a adoção de sistemas que mantêm um registro físico do voto, permitindo auditorias e recontagens.

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