CLIMA
Super El Niño está maior e preocupa cientistas; entenda o fenômeno
Fenômeno climático já registra temperaturas recordes antes de atingir o pico


O Super El Niño está ganhando força e já apresenta temperaturas acima da média no Oceano Pacífico antes mesmo de atingir seu pico. A chamada “língua vermelha”, termo utilizado para descrever a extensa área de aquecimento do oceano associada ao fenômeno, está se expandindo em ritmo extraordinário e chama a atenção de cientistas e meteorologistas.
A previsão é de que o fenômeno alcance seu pico entre novembro e dezembro de 2026 e continue atuando até fevereiro de 2027.
Diante da possibilidade de impactos em diferentes regiões do mundo, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que, em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU), intensificou os esforços de preparação.
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“El Niño, em espanhol, significa menino, mas tem o potencial de causar um impacto devastador em comunidades e economias em todo o mundo. Já estamos vendo perturbações e devastação causadas por secas e inundações, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica", disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ao destacar a preocupação com o avanço do fenômeno climático.
O que é o Super El Niño?
O El Niño ocorre quando as águas da região central e leste do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que a média. A alteração da temperatura do oceano pode provocar mudanças importantes nos padrões climáticos de diferentes partes do planeta.
Nos mapas meteorológicos, a área aquecida costuma aparecer em tons de laranja e vermelho. É dessa representação que surgiu o termo “língua vermelha”, usado para identificar a extensa faixa de calor observada durante episódios de El Niño.
Quando o aquecimento das águas do Pacífico equatorial ultrapassa 2°C acima da média, o episódio é classificado como Super El Niño. Nesses casos, a região de temperaturas elevadas pode adquirir uma configuração extensa e alongada pelo oceano, avançando desde a região próxima à Ásia até a costa da América do Sul.
Por que o fenômeno preocupa?
O atual episódio chama atenção porque o aquecimento já apresenta temperaturas recordes antes da chegada do pico. A evolução do fenômeno é acompanhada de perto justamente pela possibilidade de alterações nos padrões climáticos.
O El Niño pode estar associado a diferentes condições meteorológicas conforme a região afetada. Entre os impactos relacionados ao fenômeno estão chuvas intensas, inundações, condições favoráveis a incêndios florestais e deslizamentos de terra.
Os efeitos não acontecem da mesma maneira em todas as partes do planeta, mas podem atingir comunidades e economias ao modificar padrões de chuva e temperatura.
Os El Niños mais intensos já registrados
O fenômeno já produziu episódios de grande intensidade em outros períodos. Entre os mais fortes registrados estão os ocorridos em 2015–2016, 1997–1998 e 1982–1983.
A comparação com esses eventos ajuda especialistas a acompanhar a evolução do atual aquecimento no Pacífico e a avaliar o comportamento esperado nos próximos meses.
O que esperar até o fim de 2026?
O momento de maior intensidade do atual Super El Niño é esperado entre novembro e dezembro de 2026, enquanto a atuação do fenômeno deve continuar até fevereiro de 2027.
Até lá, a expansão da área de aquecimento e a evolução das temperaturas do Pacífico permanecem no radar de cientistas e organizações internacionais. A antecipação das medidas de preparação busca reduzir os possíveis impactos associados a episódios de seca, chuva intensa e outros eventos extremos.
Com o fenômeno ainda distante do pico previsto, os próximos meses serão importantes para determinar a dimensão que o atual episódio poderá alcançar e quais regiões deverão sentir seus efeitos com maior intensidade.


