RISCO DE IMPEACHMENT
Urnas definem futuro de Trump e ameaçam governo com Pato Manco
Com 174 milhões de eleitores aptos e alta rejeição, republicano enfrenta risco de perder Congresso


O veredito das urnas nesta terça-feira, 3, data em que 174 milhões de norte-americanos aptos a votar definem a nova composição do Congresso nas eleições de meio de mandato (midterms), vai traçar o rumo dos últimos dois anos de Donald Trump na Casa Branca.
Em plena metade do segundo e derradeiro mandato, o republicano enfrenta uma rejeição que atinge dois terços do eleitorado, segundo as principais pesquisas de opinião.
Sendo assim, cresce o risco de o magnata vivenciar o desgaste do "lame duck" ("pato manco") — expressão usada no cenário político dos Estados Unidos para descrever o governante destituído de maioria legislativa e que, sem direito à reeleição em 2028, corre o risco de ver a oposição democrata assumir o controle total da pauta em Washington.
A participação antecipada já registrava cerca de 50 milhões de votos no final da última semana, entre modalidades presenciais e pelo correio, com predomínio de eleitores alinhados ao Partido Democrata.
Alinhado às projeções feitas ao longo da campanha, o comparecimento prévio reforça o cenário adverso para o governo.
Conflito militar
Embora a ala republicana tenha intensificado as investidas no trecho final da disputa, a conjuntura econômica pesa contra a Casa Branca: impulsionada pela alta dos combustíveis — decorrência direta do conflito militar com o Irã deflagrado há oito meses —, a inflação pressiona o custo de vida.
Diante desse quadro, especialistas debatem não o resultado em si, mas a dimensão do revés eleitoral do presidente.
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Ameaça de Impeachment
Enquanto o triunfo da oposição na Câmara dos Representantes é tido como provável por analistas, cresce a avaliação de que os democratas também podem obter a maioria no Senado.
Essa configuração ampliaria a fragilidade política de Trump, abrindo caminho para uma eventual abertura de processo de impeachment.
Impacto na política externa
A perspectiva de uma resposta desfavorável no pleito também lança incertezas sobre as diretrizes internacionais de Washington, no momento em que se discutem novos desdobramentos das operações militares no Oriente Médio e a pressão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por novas investidas contra o Irã.
A tendência é que o governo reduza a ênfase nas frentes externas e volte a atenção para a contenção da inflação e a recuperação do poder de compra dos cidadãos — apontados pelas sondagens como os principais fatores de desgaste do governo na véspera da apuração.


