MÚSICA BAIANA
Cantora baiana apresenta novo álbum em show inédito em Salvador
Artista baiana e pernambucana retorna à cidade natal para apresentar novo álbum


Movimento é uma palavra que atravessa Feixe de Fogo, primeiro álbum de BUHR em sete anos e também o primeiro assinado com esse nome.
Cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz, a artista nasceu em Salvador, mudou-se para Recife aos sete anos e foi na cena musical pernambucana que iniciou sua trajetória, entre maracatus, rodas de coco, cavalos-marinhos e bandas.
Anos depois, esse trânsito entre territórios e referências continua presente em sua produção. O disco nasceu da faixa homônima e foi construído ao longo de dois anos, entre Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife.
No dia 20 de agosto, esse percurso retorna à cidade natal da artista, no palco do Teatro Sesc Casa do Comércio.
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Um disco em movimento
Lançado em abril e disponível nas plataformas digitais, Feixe de Fogo reúne 11 composições autorais e nasceu a partir da música que dá nome ao trabalho. A faixa foi inspirada inicialmente nos partos de cangaceiras e, ao longo do processo, ganhou outros sentidos. Foi também a primeira vez que BUHR decidiu o nome do álbum antes mesmo de começar as gravações.
“Cada cidade me inspirou, me juntou com pessoas, me fez criar e gravar dessa ou daquela maneira”, conta a artista, que assina letras e músicas de todas as faixas. A gravação em diferentes cidades também definiu a personalidade do disco, segundo ela. “Essas mudanças constantes de território forjaram Feixe de Fogo, foram atuantes, personagens fundamentais para a personalidade do disco”.
Com pilar fundamental da construção do álbum está Rami Freitas, parceiro de BUHR na direção e produção musical. A colaboração começou durante o processo de gravação e atravessou as diferentes etapas do trabalho, da pesquisa de timbres à edição das faixas.
Segundo BUHR, os dois mergulharam juntos no conceito do álbum e na busca por diferentes possibilidades sonoras. Rami gravou todas as baterias do disco e também participou das faixas com sintetizadores, drum machines e guitarras, além de editar o material.
O álbum levou dois anos para ser concluído, período em que ideias foram revistas e canções ganharam novos contornos. “Nesse tempo, muita certeza caiu por terra e muita peça que estava solta se juntou e reconfigurou. É um disco em movimento”, afirma BUHR.
A ideia aparece também na sonoridade. Entre rock, reggae e canções de andamento menos previsível, o repertório passa por faixas como Feixe de Fogo, Voaria, Anzol, 70 Cigarros e Ânsia.
Em Oxê, BUHR divide a canção com Josyara e Negadeza, enquanto Desmotivacional traz a parceria com Russo Passapusso. O disco ainda reúne nomes como Arto Lindsay, Dadi, Edgard Scandurra e Fernando Catatau.
O princípio de tudo
A relação com o deslocamento está ligada à própria formação musical de BUHR. A artista viveu a primeira infância em Salvador e manteve a ligação com a cidade ao longo da vida.
Na década de 1990, integrou os maracatus Piaba de Ouro e Estrela Brilhante e passou a circular também por cavalos-marinhos, rodas de coco e cirandas. Depois vieram bandas como Comadre Fulozinha, Eddie e Bonsucesso Samba Clube, além de trabalhos com DJ Dolores, Antônio Nóbrega e Erasto Vasconcelos.
Essa experiência segue presente na forma como compõe. “Minhas músicas são todas feitas a partir da voz e um tambor”, explica. A percussão permanece como ponto de partida, ainda que desapareça de alguns arranjos finais. “O cerne das minhas músicas é percussão e voz, que é minha base, é como aprendi a tocar e cantar”.
No palco, esse princípio aparece em uma formação que reúne Rami Freitas na bateria e sintetizador, Susannah Quetzal nos sintetizadores e guitarra, Izma Xavier no baixo e Briar Aguarrás nos sintetizadores.
Circularidade
O show em Salvador combina o novo repertório com canções de outros momentos da carreira, como Selvática e Avião Aeroporto. Segundo BUHR, a seleção reúne músicas que estabelecem alguma relação com o universo de Feixe de Fogo, seja pela dimensão política, pela força cênica ou pela poesia.
A apresentação também contará com biarritzzz como VJ. A artista assina o clipe de Feixe de Fogo e integra a identidade visual do álbum, em uma colaboração que amplia a dimensão audiovisual do projeto.
O retorno a Salvador ganha um significado particular para BUHR. A artista viveu na cidade até os sete anos e continuou voltando para visitar o pai. Por isso, prefere que sua trajetória seja contada a partir da continuidade entre Bahia e Pernambuco.
“Eu trocaria o ‘nasceu em Salvador, mas...’ por ‘nasceu em Salvador e...’ porque as coisas se misturam e se completam, não é uma substituição”, afirma.
Para ela, a cidade permanece vinculada à memória e à formação. “Salvador foi minha porta de entrada, onde meu orí viu a luz primeiro, foi onde aprendi a falar, a ler e escrever, onde ouvi as primeiras músicas, foi meu primeiro sotaque”. O percurso musical ganhou força em Recife, porém as referências acumuladas desde a infância continuam em sua criação.
Em chamas
Feixe de Fogo também marca a primeira vez em que a artista lança um álbum com o nome BUHR. A mudança acompanha uma necessidade pessoal relacionada à identidade. “Sou uma pessoa não binária e não necessariamente precisaria mudar de nome por isso, mas foi uma necessidade minha, uma vontade antiga que se tornou urgente”, explica.
O nome se soma a um disco construído em trânsito, entre cidades, encontros e diferentes momentos da trajetória da artista. Em Salvador, esse percurso retorna ao lugar onde começou, agora transformado por tudo o que veio depois.
Coincidência ou não, o próprio nome de BUHR oferece uma chave para pensar esse movimento. Em um vídeo publicado no Instagram, a artista explica que BUHR tem uma pronúncia bem brasileira: “bê”, “u”, como um fantasma que faz “bur”.
Tomando a liberdade de acrescentar o sufixo ‘ing’, usado em inglês para indicar uma ação em curso, surge BUHRning, aproximação fonética de burning. A palavra remete a algo que está queimando, em chamas, trazendo consigo calor e vitalidade. É uma imagem que combina com um trabalho que, sete anos depois do último álbum, retorna ao movimento de criação e acende novos caminhos.
BUHR – “Feixe de Fogo”
- Onde: Teatro Sesc Casa do Comércio (Av. Tancredo Neves, 1109)
- Quando: quinta-feira, 20
- Horário: 20h
- Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
- Vendas: no Sympla
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.


