MELHOR SEGUNDA DO MUNDO
Harmonia entre gerações: Xanddy transforma Concha em encontro de famílias
Pré-Melhor Segunda-Feira do Mundo vira palco de encontros entre passado, presente e futuro do pagode baiano

Por Iarla Queiroz

A Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA) não recebeu apenas um ensaio no domingo, 4. A pré Melhor Segunda-Feira do Mundo se transformou em um grande encontro de memórias, afetos e gerações reunidas em torno de um nome que atravessa o tempo: Xanddy Harmonia.
O evento, aberto ao público, funcionou como um aquecimento para um dos ensaios de verão mais aguardados de Salvador, mas entregou muito mais do que música. Entre fãs antigos, crianças aprendendo a cantar os primeiros refrões e famílias inteiras ocupando fileiras lado a lado, o show virou um retrato vivo de como o pagode baiano segue pulsando — e se renovando — sem perder suas raízes.
Três fileiras, uma família e muitas histórias
No meio da multidão, uma cena chamava atenção: uma família inteira ocupando três fileiras da Concha, dançando, rindo e celebrando junta. Era aniversário, mas também era tradição.
Olga Lanthier e Flávia Petersen escolheram o show para comemorar os 47 anos — com direito a cavaco, coreografia improvisada e muita memória afetiva.
"Eu estou fazendo 47 anos e eu vim ver se eu consigo ainda mandar o cavaco chorar como eu conseguia antes. Vamos ver", relatou Flávia
A escolha do local não foi por acaso. Para elas, Xanddy faz parte da história da família, do Carnaval e da vida.
"Como nós gostamos muito de Xanddy, de carnaval, de tudo, então nada melhor do que trazer a família toda para comemorar com a gente aqui", disse Olga.

Dançar também é resistir
Entre risos e brincadeiras, a preparação para o Carnaval já começou — com responsabilidade e bom humor.
"Nós somos mães de adolescentes, então onde elas vão, a gente tem que ir. A fisioterapeuta vai salvando a coluna e a gente vai se preparando", comentou.
A dança, ali, não era apenas diversão. Era um gesto de continuidade, de presença, de pertencimento.
Leia Também:
O pagode como herança cultural
Durante entrevista coletiva, Xanddy refletiu sobre o papel do pagode antigo e da nova geração dentro do cenário musical baiano. Ao responder ao Portal A TARDE, o artista reforçou que, desde o início da carreira, carrega o compromisso de preservar a essência do gênero.
"Desde o início da carreira, tenho trabalhado na intenção de manter o gênero da forma tradicional, focado no samba de roda, como aprendi com grupos como É o Tchan, Terra Samba, Bom Balanço e Gang do Samba."
Segundo o cantor, esse cuidado se intensificou nos últimos anos, especialmente diante das transformações do mercado musical.
"De alguns anos para cá, eu tenho feito isso com mais intensidade ainda, para que a nova geração realmente seja impactada, porque parece que ficou uma andorinha só fazendo o verão."
Para Xanddy, a missão vai além do sucesso imediato. É sobre construir algo que permaneça.
"É importante fazer algo que dure para sempre, que nossos tataranetos consigam ouvir, que fique atemporal. Não pode ser algo feito agora só pensando no imediatismo."

O pagode que chega aos pequenos
A cena se completa quando a música atravessa o tempo e alcança quem está começando agora. Entre adultos e adolescentes, uma nova geração já canta tudo.
"Aqui o menor canta todas as músicas. O meu menor adora, estava ansiosíssimo para ver o Xanddy, ele canta tudo, fica super feliz.", disse Flávia Petersen
É nesse ponto que a força da música se revela por inteiro: quando ela une, atravessa décadas e segue fazendo sentido.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes



