A ASCENSÃO DOS CONDENADOS
Headhunter DC renasce com novo álbum e prepara volta aos palcos internacionais
Maior nome baiano do metal extremo lança álbum após 14 anos sem inéditas


Se alguém, algum dia, resolver escrever um livro ou fazer algum tipo de registro sobre as bandas e artistas mais resilientes de Salvador, ele só estará completo se incluir a banda Headhunter DC e seu líder Sergio Baloff. Prestes a completar inacreditáveis quatro décadas (em 2027), o grupo, que já passou por diversas formações, rompeu há pouco tempo um período de 14 anos sem lançar álbum de inéditas com o – evidentemente – brutal Rise of the Damned... (mantendo a tradição de incluir reticências em todos os títulos de sua discografia, claro).
O que não é nem um pouco reticente é o som que sai das caixas, após apertar o play: se para ouvidos menos acostumados o som da Headhunter difere pouco do de uma britadeira em potência máxima abrindo uma cratera no asfalto quente no centro da cidade ao sol do meio-dia (ou talvez um avião se chocando contra uma montanha, ou um trem desabando de uma ponte sobre um precipício – as imagens de hecatombe sugeridas são várias), para os apreciadores é um verdadeiro deleite celestial – ops, infernal.
O fato é que a banda, pioneira e uma reconhecida lenda viva do death metal sul-americano, está absolutamente no topo de sua forma. Produzido pelo próprio Sérgio ‘Nekrobaloff666’ Borges aqui em Salvador, entre janeiro de 2025 e fevereiro último, Rise of the Damned... já está disponível nas plataformas digitais e em CD, nos formatos digipack e slipcase, via selo Mutilation Records.
“Ainda esse ano sai a edição em vinil, enquanto que a versão em cassete está agendada pro comecinho de 2027. Formatos físicos sempre foram uma prioridade pra gente, afinal somos dos anos 1980, quando apenas vinil e cassete reinavam, então manter essa tradição é algo fundamental pra gente, sem falar dos fãs que fazem questão de ter os formatos físicos em suas coleções”, afirma Sérgio.
“Rise of the Damned... é o ápice de uma longa jornada musical e ideológica dedicada ao death metal, mas não apenas isso: enquanto muitas bandas simplesmente maculam sua própria história desdenhando de seus próprios primeiros trabalhos, nós absorvemos cada característica primordial de nossos álbuns anteriores para construirmos algo ainda mais consistente dentro do nosso estilo e que realmente fizesse jus a esses 40 anos de batalha sem deixarmos de honrar um segundo sequer de nossa história”, reivindica o cantor.
As composições, com apenas uma exceção, são todas dele. “Assim como no álbum anterior, ...In Unholy Mourning... (2012), eu escrevi todas as músicas e letras de Rise of the Damned..., com exceção de In Death Metal We Trust, que foi uma parceria entre eu e o ex-guitarrista George Lessa, mas desde God's Spreading Cancer... (2007) que eu já assinava algumas músicas também, sozinho ou em parceria com o Paulo (Lisboa, ex-guitarrista)”, conta.
Nas gravações, a banda contou, além de Sérgio, com Danilo ‘D. Morbidus’ Coimbra nas guitarras, Héracles ‘Demigod’ Cardoso no baixo e Juan ‘Death Ax’ Machado na bateria. Juan e Michael ‘Hellriff’ Gonçalves (na segunda guitarra), que entrou neste ano, após as gravações, são os membros mais recentes e fecharam a formação atual do quinteto, que passou por mudanças e fases difíceis após a saída – em 2017 – do guitarrista fundador, o já citado Paulo Lisboa.
Rise of the Damned... é, portanto, o primeiro álbum da Headhunter sem ele. “Após um ano sem subirmos num palco por conta dos já conhecidos problemas de formação, finalmente conseguimos reestruturar a banda e já estreamos a nova line up no mês passado em Jacobina, justamente onde o Paulo Lisboa vive há mais de 20 anos”, relata Sérgio.
“Subir em um palco ou entrar em um estúdio de gravação e não ter a presença física do Paulo após 30 anos de parceria na banda foi algo extremamente difícil pra mim, mas felizmente tive forças pra continuar, e o melhor de tudo, com a continuidade de nossa irmandade e seu sempre grandioso suporte para com a banda, afinal de contas Paulo é um eterno Headhunter”, afirma.
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A Europa que nos aguarde

Com a formação completa e pronta para esmerilhar nos palcos do Brasil e do mundo, a Headhunter DC está agora na fase de planejamento para uma nova turnê pelo mundo em 2027 (a última, que passou pela Europa, EUA e América do Sul, foi em 2013). Antes, ainda este ano, a banda se apresenta em Salvador e Aracaju.
“Estreamos essa nova formação ao vivo em agosto último, após um ano sem pisarmos em palcos. O último show havia sido com o Immolation dos EUA aqui em Salvador, em junho de 2025 –, inclusive chegamos a cancelar uma apresentação num grande festival de metal extremo na República Tcheca no ano passado, por não termos tido tempo para recrutarmos novos músicos. De qualquer forma, já estamos correndo atrás de agendarmos uma nova turnê europeia para 2027 e, quem sabe, finalmente brutalizarmos em palcos norte-americanos muito em breve”, afirma.
“O mesmo vale para a América do Sul, para onde já estamos negociando shows na Bolívia, Chile e Peru, mas a ideia dessa vez é tocar em países onde ainda não tocamos, como Argentina e Colômbia. Os próximos shows serão aqui em Salvador, no Abismo Metal Fest no dia 14 de novembro no SESI Casa Branca (Caminho de Areia) e no dia 5 de dezembro, em Aracaju. A tour nacional virá mesmo em 2027, e desde já estamos fechando com uma agência de booking para atingirmos o máximo de cidades possível pelo Brasil”, acrescenta Sérgio.
E a rapaziada do metal extremo não perde por esperar, pois o homem da garganta cavernosa ‘from hell’ garante que os fãs não vão mais esperar tanto tempo por um álbum novo. “Esse longo hiato me trouxe inspiração suficiente para escrever um novo full length quase completo, então tão logo façamos os shows de divulgação de Rise of the Damned... começaremos a trabalhar em cima de nosso próximo trabalho de estúdio”, promete.
Aqui e em várias partes do mundo já tem uma galera esperando: “A banda saiu com uma entrevista de destaque na revista polonesa Musick Magazine, edição 54, de agosto/setembro de 2026. E Rise of the Damned... tem sido considerado como melhor álbum de metal extremo brasileiro de 2026 em algumas enquetes feitas no Instagram, além de ser forte candidato a melhor álbum de death metal do ano, tendo diversas resenhas positivas em publicações do gênero mundo a fora. Entre os próximos planos, está o de licenciar o álbum para ser lançado na Europa em breve”, conclui Sérgio.
Ninguém segura o Headhunter.


