O TEMPO DA CANÇÃO
Maglore volta a Salvador para lançar sexto álbum
Disco chega como resultado de um processo conduzido com menos pressa


Depois de quase 20 anos de estrada, a Maglore aprendeu a lidar com o próprio tempo. Após começar sua trajetória em Salvador, a banda volta à cidade para inaugurar uma nova fase. No dia 20 de setembro, o grupo apresenta no Largo da Tieta o show de lançamento de Fluxo Natural, seu sexto álbum de inéditas, lançado em agosto e disponível nas plataformas de streaming.
O disco chega como resultado de um processo conduzido com menos pressa e reúne novas referências sonoras sem abandonar a canção como centro do trabalho da banda composta por Teago Oliveira (voz e guitarra), Felipe Dieder (bateria), Lelo Brandão (guitarra e teclados) e Lucas Gonçalves (voz e baixo). As músicas foram surgindo em ritmos diferentes, entre períodos de turnê e sessões de gravação, e incorporam elementos do rock brasileiro, da MPB, do folk e do indie, com uma aproximação maior da sonoridade das décadas de 1970 e 1980.
Para Lelo Brandão, guitarrista e tecladista da Maglore, a mudança na relação com o tempo é também resultado da experiência acumulada pela banda desde sua formação, em 2009. Ao longo desse período, o grupo passou por diferentes fases, lançou seis discos de inéditas, mudou-se para São Paulo e levou sua música a palcos como Lollapalooza, Rock in Rio e SxSW, nos Estados Unidos.
“Estamos muito mais maduros e experientes, já temos uma estrada longa. Então, naturalmente a gente já não sofre com coisas que não controlamos”, afirma Lelo. Para ele, essa maturidade também aparece na relação entre os integrantes: “Musicalmente estamos cada vez mais entrosados. Conhecemos muito o trabalho um do outro, a maneira de cada um enxergar a música”.
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Um disco sem pressa
A liberdade em relação ao tempo atravessou a própria construção de Fluxo Natural. As primeiras ideias surgiram em 2024, nos intervalos das turnês, e o processo seguiu por caminhos distintos. Algumas músicas foram desenvolvidas durante cerca de dois anos, enquanto outras apareceram no período das gravações.
Segundo Lelo, a banda também deixou de lado parte da preocupação com a recepção do trabalho. “Dessa vez, fomos deixando o disco acontecer no tempo dele, sem a preocupação de ter que lançar algo, que hoje em dia às vezes é meio imperativo para você ser lembrado”. A escolha, diz ele, permitiu uma atenção maior ao que considera essencial.
“Então, o disco representa um momento em que estamos numa busca muito maior pelo que é essencial para nós, que é a música em si, as questões da vida e do mundo. Nós estamos colocando nossa lupa nisso”, explica Lelo.
O álbum reúne 11 faixas e as letras percorrem paisagens e elementos como rio, mar, chuva, sol e luar, enquanto abordam temas como memória, infância, fé, sonhos, futuro e transformação.
O amor também aparece como uma ideia recorrente, atravessando tanto as canções românticas quanto aquelas que dialogam com conflitos e incertezas do presente.

Em Palestina Nos Seus Olhos, por exemplo, a banda aproxima imagens de guerra e destruição de situações cotidianas de afeto.
“É uma das faixas mais densas. Contrasta guerra, impérios e destruição com o amor que permanece. Tem momentos íntimos (café, ninar) e um tom de resistência emocional. Retrata o sentimento de quem vive em meio a uma guerra injusta, como o massacre da Palestina, ao tempo que lança esperança de dias melhores se baseando no afeto cotidiano”, comenta Teago Oliveira.
Para Lelo, a escolha temática parte de uma observação do mundo contemporâneo e de uma tentativa de voltar o olhar para aquilo que está ao alcance de cada indivíduo.
“Com tanta coisa acontecendo no mundo, tanta insanidade, o disco resolve focar no amor como uma forma de redenção. Estamos olhando do plano micro para o plano macro, esse é o enfoque, não do macro para o micro”, explica.
De volta para casa
A estreia da turnê em Salvador acrescenta outra camada ao lançamento. Foi na cidade que a Maglore surgiu e construiu os primeiros passos antes de se mudar para São Paulo, em 2012. O grupo retorna agora com um repertório que atravessa diferentes momentos dessa trajetória.
O show terá como foco Fluxo Natural, com a execução das 11 faixas do novo disco. Ao mesmo tempo, a banda pretende revisitar trabalhos anteriores, escolhendo músicas que estabeleçam conexões dentro do repertório.
A relação com Salvador, no entanto, ultrapassa a escolha do local para a primeira apresentação da nova turnê. A cidade aparece como parte da formação da própria banda e como referência afetiva para os integrantes.
“Salvador foi onde começamos, onde crescemos e o lugar que nos estrutura mental e emocionalmente, então vai ser um prazer enorme estrear essa turnê aqui”, afirma Lelo.
MAGLORE - LANÇAMENTO DO ÁLBUM ‘FLUXO NATURAL’ / PRÓXIMO DOMINGO (20) / LARGO DA TIETA (PELOURINHO) / R$ 100 E R$ 80 (MEIA-ENTRADA 3° LOTE)
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.


