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Marcelo Galter reinventa Caymmi em álbum que une terreiro e free jazz

Pianista baiano ‘Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi’ em LP

Chico Castro Jr.
Por Chico Castro Jr.
Imagem ilustrativa da imagem Marcelo Galter reinventa Caymmi em álbum que une terreiro e free jazz
Foto: Divulgação

O pianista baiano Marcelo Galter apresenta nesta terça-feira, 18, na Caixa Cultural, um show gratuito baseado em seu novo álbum, dedicado à obra de Dorival Caymmi. O trabalho revisita sete canções do compositor e uma faixa autoral a partir de referências do terreiro e do free jazz.

O disco, lançado pelo selo Rocinante em vinil e nas plataformas digitais, parte de elementos presentes na música de Caymmi para criar novos arranjos e possibilidades sonoras. Galter leva ao piano referências do samba de roda, da viola machete, do berimbau e dos tambores baianos.

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A formação do show reúne Galter ao piano, Ldson Galter no baixo, Reinaldo Boaventura e Luizinho do Jêje nas percussões, além de Mû Mbana na voz e flauta serdô. Depois da apresentação em Salvador, o músico tem uma turnê pela Europa prevista para novembro.

Caymmi pelo piano de Marcelo Galter

O álbum tem oito faixas, sendo sete composições de Dorival Caymmi e uma autoral, “Promessa”, parceria de Marcelo Galter com Ldson Galter e Reinaldo Boaventura.

A proposta é estabelecer uma relação estética com a obra do compositor baiano sem reproduzir suas canções. Segundo Galter, o grupo procura ampliar a diversidade que Caymmi traduziu em sua música.

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“Na música que fazemos, traduzimos em melodias, acordes e ritmos, as texturas e paisagens sonoras presentes nas composições de Caymmi. Ao mesmo tempo, existe na música esse poder de abertura para a imaginação do ouvinte, que quando se envolve, se torna um co-autor”, afirma.

Para o pianista, a aparente simplicidade das composições de Caymmi esconde um processo sofisticado de criação. “A aparente simplicidade da música de Caymmi vem de um esteta sofisticado, que muitas vezes maturava uma canção por anos antes de finalizá-la”, acrescenta.

Do violão de Caymmi ao piano

Galter também parte da maneira como Caymmi utilizava o violão para construir sua própria linguagem no piano. Na avaliação do músico, o compositor incorporou à sua forma de tocar elementos das tradições musicais que encontrou em Salvador.

“Caymmi foi um criador genial, que desde cedo percebeu a força da música que o cercava na velha Salvador. Em seus depoimentos e em suas gravações se acompanhando ao violão, fica claro o seu interesse em sintetizar tudo o que ouvia de ritmo em tradições como o samba de roda ou até mesmo a capoeira, no seu estilo violonístico”, observa.

No novo trabalho, essa abordagem é levada para o piano e para o conjunto de músicos que acompanha Galter.

“Neste álbum, além de revisitar algumas composições de Caymmi, trago para o meu piano e para este conjunto, conceitos rítmicos que vem do samba de roda, dos tocadores de viola machete e berimbau, além dos tambores baianos e outros ambientes musicais que têm ligação com a música de Caymmi”, explica.

Uma das faixas que evidencia essa proposta é “365 Igrejas”. A partir do samba de Caymmi, Galter transporta para o piano desenhos associados à viola machete.

“Em 365 Igrejas, samba sacudido de Caymmi, transponho para o piano desenhos típicos da viola machete e os seus sotaques específicos. Isso traz um novo frescor ao abordar ritmicamente o piano, abrindo possibilidades pouco exploradas”, detalha.

Arranjos nasceram da troca entre os músicos

A construção das faixas começou a partir do piano. Depois, Galter passou a estabelecer as camadas destinadas aos demais instrumentos, em um processo que, segundo ele, foi desenvolvido em conjunto com os músicos.

“Comecei compondo para o piano e passei a definir as camadas dos outros instrumentos. O processo é muito divertido. É bem parecido com contar individualmente histórias diferentes a cada um dos músicos e quando nos juntamos, cada versão se torna a continuidade das histórias individuais”, conta.

Para o pianista, a participação de Ldson Galter, Reinaldo Boaventura e Luizinho do Jêje foi determinante para a construção dos arranjos.

“Conceber música para ser tocada por Ldson Galter, Reinaldo Boaventura e Luizinho do Jêje é sempre um processo de troca imensa, porque todos eles são criadores geniais e o meu trabalho se alimenta muito da criatividade deles”, conclui Marcelo Galter.

A apresentação desta terça-feira na Caixa Cultural será gratuita. Depois do show, o músico segue para uma turnê pela Europa em novembro, com apresentações previstas em Berlim, Áustria e Amsterdã.

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Cultura música Salvador

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