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UM NOVO CAPÍTULO

Rodox reúne formação original em turnê e faz show em Salvador

Nesta sexta-feira, 28, a banda toca no Pelourinho

Manoela Santos*
Por Manoela Santos*
Nesta sexta-feira, 28, a banda toca no Pelourinho
Nesta sexta-feira, 28, a banda toca no Pelourinho - Foto: Divulgação

O som pesado que marcou uma geração volta a Salvador nesta sexta-feira, 28, quando o Rodox sobe ao palco do Largo da Tieta, no Centro Histórico, a partir das 19h.

A apresentação integra a turnê que reúne novamente Rodolfo Abrantes, Fernando Schaefer, Patrick Laplan e Pedro Nogueira e marca o retorno de uma banda que, mesmo após anos longe dos palcos, continuou encontrando novos ouvintes.

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Dentre os sucessos que irão tocar estão as músicas de seus dois álbuns, como ‘De Costas Para o Mar’, ‘Olhos Abertos’ e ‘Foi Bom Esperar’. Para Rodolfo Abrantes, a reunião era uma possibilidade distante.

O cantor conta que já considerava encerrado aquele capítulo de sua trajetória, embora mantivesse o carinho pela história construída pelo grupo. A experiência da turnê, no entanto, tem transformado essa percepção.

“Eu tinha muito respeito e carinho por essa história, pelo que o Rodox fez ali no começo dos anos 2000, mas, sinceramente, o que a gente está vivendo hoje é um sonho. É um treco que estava tão longe de acontecer que está sendo uma surpresa maravilhosa, e cada lugar que a gente passa está sendo incrível”, diz Rodolfo.

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Retorno

O retorno do Rodox começou a ganhar forma ainda em 2024, quando Rodolfo Abrantes preparava a Microfonia Tour, de sua carreira solo. Ao voltar a ouvir as músicas da banda, o cantor se emocionou e decidiu incorporar algumas delas ao repertório dos shows. A experiência, segundo ele, acabou sendo um dos primeiros passos para a atual turnê.

“Um belo dia, na praia, eu botei umas músicas do Rodox pra ouvir e comecei a chorar copiosamente. Tem muita vida naquilo ali”, lembra. Para Rodolfo, voltar a tocar essas canções, ainda que inicialmente em uma parte de seu show solo, ajudou a abrir caminho para o reencontro.

Foi, de certa forma, sendo os primeiros passos pra que a gente pudesse estar fazendo hoje a turnê do Rodox mesmo, integral.

Revisitar o repertório também significa olhar para um período diferente de sua vida. Rodolfo descreve o artista que subia ao palco nos anos 2000 como alguém que estava “em guerra”, lutando pela própria sanidade e pela fé. Hoje, ele identifica a alegria como uma das principais diferenças em relação àquela época.

“A principal diferença, eu acho que hoje, é a alegria. É você remover esse aspecto bélico que tinha antes. Hoje todo mundo com um sorriso na cara, todo mundo muito satisfeito e muito feliz com o que tá fazendo”, afirma.

A relação com o público também tem sido parte importante dessa nova experiência. Segundo o cantor, encontrar pessoas que esperaram anos para ver a banda ao vivo e ouvir suas histórias após os shows tem sido uma das grandes gratificações do retorno. “Isso também tá sendo uma gratificação muito grande. Ouvir as histórias deles no final do show é maravilhoso pra mim.”

Mesma banda, porém outra

Para Patrick Laplan, o retorno não busca reproduzir a relação que existia entre os integrantes duas décadas atrás. Embora o conhecimento sobre as características musicais de cada um permaneça, o tempo criou uma nova dinâmica entre os músicos.

“Você já sabe o que esperar, mas é natural que, em 20 anos, a pessoa mude, se adapte, melhore. Essa dinâmica que existe entre a gente é uma coisa nova”, afirma.

Segundo o baixista, diferenças e desavenças que poderiam dificultar o reencontro já haviam sido conversadas ou amadurecidas antes da volta aos palcos. O fim da primeira fase, porém, deixou uma sensação de que a história poderia ter sido diferente, e o presente trouxe a oportunidade de ressignificá-la.

“É uma história que terminou, deixou uma coisa meio triste, meio melancólica, uma sensação de que poderia ter sido muito mais legal. Então acho que todo mundo entendeu que poderia e que, no presente, você vai poder. É uma coisa muito mais dinâmica, cinética, muito excitante. Você tá indo pra uma possibilidade de ressignificar uma coisa grande, que tem essa magnitude na nossa vida.

Rodox reúne formação original em turnê e faz show em Salvador
Rodox reúne formação original em turnê e faz show em Salvador - Foto: Divulgação

Espaço em aberto

Nos anos 2000, o Rodox se destacou pela aproximação com referências do new metal e pela mistura de diferentes influências. Para Patrick, essa identidade particular fez com que a banda ocupasse um espaço que não encontrou muitos equivalentes no rock brasileiro após seu encerramento.

“O Rodox é uma coisa que é um caldeirão mais plural”, avalia. Segundo ele, essa personalidade não foi reproduzida por outros grupos: “Ficou um vácuo que não foi ocupado. Então a gente voltou reocupando esse espaço”.

O retorno também tem revelado um público diferente daquele que acompanhou a trajetória original do grupo. Rodolfo afirma que os fãs que chegaram a assistir a um show do Rodox no passado representam menos de 20% das plateias atuais.

A disponibilidade do repertório nas plataformas digitais, segundo ele, permitiu essa renovação. “É muito legal, é contagiante ver gente bem mais nova do que a gente, com os olhinhos brilhando”, afirma.

Salvador no novo capítulo

A passagem pela capital baiana tem um significado especial para Rodolfo. Segundo o cantor, o último show realizado pelo Rodox em sua primeira trajetória aconteceu justamente em Salvador. “A gente está muito feliz de poder estar voltando com essa turnê para essa cidade tão maravilhosa”, diz.

Para Patrick, voltar ao palco ao lado dos antigos companheiros é um presente e uma oportunidade de continuar dividindo a música com artistas que admira. Ele resume a experiência de forma simples: “Para mim, eu tô tocando hardcore com meus amigos.”

Em Salvador, o Rodox retorna com canções que atravessaram mais de duas décadas, mas sem a intenção de reproduzir o passado. Para Patrick, o repertório antigo é o ponto de partida para uma experiência construída agora. “A gente só se comunica no presente”, resume.

Rodox / Sexta-feira (28), 19h /Largo da Tieta (R. das Laranjeiras - Centro Histórico) / Ingressos entre R$ 160 (segundo lote) e R$ 400 (camarote) / Vendas: meaple.com.br

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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