Busca interna do iBahia
HOME > MÚSICA

REPERTÓRIO RENOVADO

Simone volta a Salvador com show inédito no Teatro Castro Alves

Aos 76 anos, cantora apresenta a turnê ‘Que mulher é essa?’, com arranjos de Ana Frango Elétrico

Maiquele Romero*
Por Maiquele Romero*
Simone volta a Salvador com show inédito
Simone volta a Salvador com show inédito - Foto: Nana Moraes

Quando a primavera chega e o verão se aproxima, as cigarras anunciam a mudança de estação com seu canto, especialmente nos meses de outubro e novembro. Entre elas, há uma que se destaca.

Conhecida como Cigarra desde 1978, Simone recebeu o apelido depois de pedir a Milton Nascimento uma canção sobre o inseto. A composição, que compara a cantora à cigarra que “arrebenta de tanta luz” e “enche de som o ar”, acabou batizando carinhosamente a artista. Simone escolheu justamente esse período para voltar a Salvador, sua cidade natal, com a turnê Que mulher é essa?.

Tudo sobre Música em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

AGENDA CULTURAL

Luciano Calazans celebra 40 anos de carreira com shows gratuitos
Luciano Calazans celebra 40 anos de carreira com shows gratuitos imagem

ARROCHA!

Netto Brito anuncia show especial em Salvador com sucessos da carreira
Netto Brito anuncia show especial em Salvador com sucessos da carreira imagem

SALVADOR

Salvador ganha novo espaço de samba com capacidade para 2,5 mil pessoas
Salvador ganha novo espaço de samba com capacidade para 2,5 mil pessoas imagem

A apresentação acontece no próximo sábado, 14, às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), e apresenta ao público uma artista que, depois de mais de 50 anos de carreira, continua aberta a novas experiências.

Com direção musical e arranjos da cantora, compositora e produtora Ana Frango Elétrico e direção artística e figurinos do estilista Ronaldo Fraga, o espetáculo parte da inquietação de uma artista que nunca demonstrou interesse em permanecer acomodada ao próprio legado.

Em vez de olhar apenas para o caminho percorrido, Simone se permite encontrar outras referências e estabelecer diálogos com profissionais de diferentes gerações.

Sobre a mulher referenciada no título da turnê, a cantora conta que “é uma mulher que continua curiosa, que ainda quer experimentar, aprender e se surpreender. Esse espetáculo nasceu muito desse desejo de sair do lugar conhecido. Eu queria fazer uma coisa diferente, me provocar”.

Para ela, o encontro com Ana e Ronaldo foi determinante para a construção do projeto. “O show fala das mulheres, claro, mas também fala de liberdade, de escolhas e de poder continuar se reinventando”, afirma.

Encontros entre gerações

A parceria com Ana Frango Elétrico, de 28 anos, surgiu justamente da vontade de encontrar uma perspectiva musical diferente. Responsável pelos 20 arranjos do espetáculo, a artista trouxe referências próprias para canções que já faziam parte da trajetória de Simone e para outras que a cantora desejava interpretar havia algum tempo.

O resultado é um repertório que atravessa diferentes épocas e compositores, incluindo nomes como Chico Buarque, Rita Lee e Marina Lima, além de releituras inéditas.

Simone conta que pediu à jovem musicista que a provocasse artisticamente. Algumas escolhas chegaram a representar desafios durante os ensaios, mas a troca entre as duas ajudou a ampliar as possibilidades de interpretação.

“A Ana, quando a conheci, achei um espetáculo de pessoa, muito posicionada, com uma escuta própria. Ela fez os 20 arranjos e trouxe uma identidade muito particular para o show. Às vezes eu achava uma música difícil, e ela dizia: ‘Não, Simoníssima, vamos lá!’. E a gente ia”, ri Simone.

A diferença de idade, segundo a cantora, é parte importante dessa experiência. “A Ana tem 28 anos, eu tenho 76, e essa diferença é uma riqueza. Ela me ensina muita coisa, eu também tenho minha experiência para compartilhar. É uma troca”, observa.

O interesse em prolongar a parceria já ultrapassa os limites do espetáculo. Simone revela que as duas conversam sobre possíveis trabalhos em estúdio e até composições conjuntas.

A construção dessa turnê também passa pelo trabalho de Ronaldo Fraga. Inicialmente convidado para desenvolver os figurinos, o estilista acabou assumindo a direção artística do projeto.

Simone conta que ele chegou à sua casa com propostas de figurino e um repertório de ideias que a tiraram de sua zona de conforto. “O figurino, por exemplo, é uma experiência completamente diferente do que eu costumava usar. Os dois têm muita personalidade e isso fez muito bem ao espetáculo”, comenta Simone.

A concepção visual conta ainda com a participação de Mari Pitta, responsável pela iluminação e pelo cenário ao lado de Ronaldo. No palco, a formação musical é completada por Chico Lira (piano), Giordano Bruno (baixo), Vitor Cabral (bateria) e Filipe Coimbra (violão e guitarra).

Mulheres no centro

A pergunta que dá nome ao show também orienta sua abordagem artística. Que mulher é essa? propõe uma reflexão sobre os papéis socialmente atribuídos às mulheres e as diferentes maneiras de ocupar espaços, expressar desejos e fazer escolhas.

O espetáculo não se prende a uma definição única do feminino. Ao contrário, reúne canções e interpretações que transitam entre sentimentos, comportamentos e experiências diversas, com espaço para humor, irreverência e provocação.

A curiosidade sobre o apelido da cantora também permite uma aproximação com as questões levantadas pelo espetáculo. Na natureza, são os machos das cigarras que produzem o canto, enquanto as fêmeas permanecem silenciosas. Simone, por sua vez, construiu uma trajetória marcada pela força da própria voz e pela liberdade de fazer escolhas.

Aos 76 anos, segue ocupando o palco, experimentando novas linguagens e questionando expectativas sobre o comportamento feminino. Em Que mulher é essa?, a eterna Cigarra continua cantando, além de dar espaço a muitas mulheres.

De volta para casa

Nascida em Salvador, no Natal de 1949, Simone Bittencourt de Oliveira passou a infância no bairro de Brotas, em uma família na qual a música fazia parte do cotidiano.

As óperas que o pai ouvia e cantava, o piano e o violão tocados pela mãe e as vozes de artistas como Ângela Maria, Maysa, Nora Ney, Cauby Peixoto e Elizeth Cardoso ajudaram a formar seu repertório afetivo.

A volta a Salvador com um espetáculo inédito carrega, portanto, um significado particular. A cantora mantém a cidade como referência de sua formação e identidade, mesmo com a carreira construída em diferentes partes do país. “Meu umbigo está em Salvador e isso é tudo, é muito. Sou uma mulher de lá. Minha formação, tudo vem de lá”, afirma.

A apresentação no Teatro Castro Alves também representa o reencontro com um palco importante para a música brasileira. Para Simone, chegar ao espaço com uma nova formação e parceiros artísticos representa uma oportunidade especial de troca com o público da cidade onde nasceu.

“O Teatro Castro Alves é um palco muito importante, e voltar a ele é sempre uma alegria. É um espaço que tem uma história enorme com a música e com a cultura brasileira. Chegar ali com um espetáculo novo, com essa formação e essas parcerias, também tem um significado especial. Estou muito animada para viver esse encontro”, afirma.

Simone: Que mulher é essa?

  • Data: 14 de novembro (sábado)
  • Horário: 20h
  • Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) – Praça Dois de Julho (Largo do Campo Grande), s/n, Campo Grande
  • Ingressos: Plateia I inteira (R$ 340), meia-entrada (R$ 170) – Plateia II (ingressos esgotados) – Plateia III inteira (R$ 240), meia-entrada (R$ 120) – Plateia IV inteira (R$ 220), meia-entrada (R$ 110)
  • Vendas: Sympla e bilheteria TCA.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

música Salvador

Relacionadas

Mais lidas