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SEM MOLDURA

Vanessa da Mata revela lembrança da Bahia: “Sempre desperta essa memória”

Cantora traz nova turnê a Salvador com sucessos de 20 anos

Maiquele Romero*
Por Maiquele Romero*
Vanessa da Mata retorna a Salvador com show que reúne diferentes fases
Vanessa da Mata retorna a Salvador com show que reúne diferentes fases - Foto: Divulgação

Quantas mulheres cabem dentro de uma mesma mulher? Foi a partir dessa pergunta que Vanessa da Mata construiu o álbum Todas Elas (2025), marcado por canções sobre amor, fé, força, relações e contradições. A cantora apresenta o trabalho no sábado, 3, na Concha Acústica, em um show da turnê que leva o nome do disco e revisita sucessos de mais de duas décadas de carreira.

Com direção de Jorge Farjalla, o espetáculo percorre diferentes momentos da trajetória da artista. O álbum mais recente ocupa o centro do repertório, ao lado de músicas que ajudaram a construir a relação de Vanessa com o público. A apresentação também representa um reencontro com Salvador, cidade que, segundo a cantora, ocupa um lugar afetivo desde antes do início de sua carreira musical.

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A criação de Todas Elas aconteceu depois de um mergulho na obra de Clara Nunes para um musical sobre a cantora. Vanessa conta que terminou o processo exausta, mas também em um impulso de intensa criatividade. Em vez de permanecer circunscrito à experiência com Clara, o álbum se expande para diferentes ritmos e referências, como um retrato sem moldura. Nesse processo, as músicas começaram a surgir e a base do álbum foi construída em quatro dias. No trabalho, ela também assume a produção musical, enquanto os arranjos foram desenvolvidos coletivamente com os músicos da banda.

Múltipla

O ponto de partida do álbum está na tentativa de reunir diferentes experiências que atravessam a vida de uma mesma mulher. Ao longo das canções, Vanessa passa por diferentes temas, em uma perspectiva que parte de sua experiência, mas procura alcançar situações compartilhadas por outras mulheres.

“É um álbum que fala das muitas mulheres que existem em uma mesma mulher. Tem as minhas facetas, meus momentos, as ilusões, as desilusões, o amor, a fé, a força, as contradições. Mas não considero que sejam histórias apenas minhas. São situações e sentimentos que atravessam muitas mulheres”, afirma a cantora e compositora.

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Essa multiplicidade também aparece na sonoridade. “Eu nunca gostei muito de pensar a música dentro de uma única caixa. Todas Elas passa pelo reggae, R&B, jazz, pop e música brasileira, porque essa diversidade faz parte da maneira como eu ouço e faço música”, explica Vanessa.

O álbum reúne 11 faixas autorais e inéditas: Maria sem vergonha, Esperança, Eu te apoio em sua fé, Troco tudo (com participação de Jota.pê), É por isso que eu danço, Me adora, mas, Um passeio com Robert Glasper pelo Brasil (com Robert Glasper), Quem mandou, Ciranda, Sobre as coisas mais difíceis e Demorou (com João Gomes).

A construção do disco também contou com a participação dos músicos que integram a banda, entre eles Marcelo Costa, na bateria, Maurício Pacheco, no violão e guitarra, e Rafael Rocha, no trombone. Vanessa explica que os arranjos foram desenvolvidos coletivamente a partir das contribuições dos instrumentistas.

“Também tem muito da minha observação da vida, das relações, das pessoas e das questões sociais. Eu produzi o álbum e os arranjos foram construídos coletivamente, então tem muito dessa troca também. Cada um traz sua escuta e a música acaba encontrando caminhos que, muitas vezes, não estavam previstos”, diz.

Imagem ilustrativa da imagem Vanessa da Mata revela lembrança da Bahia: “Sempre desperta essa memória”
Foto: Divulgação

Encontros musicais

Os convidados do disco chegam de diferentes lugares da música brasileira e internacional. Jota.pê participa de Troco tudo, parceria que começou quando o cantor enviou uma ideia de melodia para Vanessa e os dois desenvolveram a composição juntos. Já Demorou reúne novamente Vanessa e João Gomes, que haviam trabalhado em Comentário a respeito de John, do álbum Vem Doce, de 2023. Para a nova parceria, a cantora buscou explorar o contraste entre sua voz e o timbre grave de Gomes.

A aproximação com Robert Glasper, por sua vez, nasceu da admiração de Vanessa pelo músico norte-americano. Depois de uma troca de materiais entre os dois, surgiu Um passeio..., colaboração que incorpora ao disco uma referência do jazz contemporâneo.

No palco, o novo trabalho divide espaço com sucessos que marcaram a trajetória da cantora, como Não Me Deixe Só, Ai, Ai, Ai..., Amado, Boa Sorte/Good Luck, Ainda Bem e Segue o Som. O repertório percorre diferentes momentos da carreira de Vanessa, que em 2024 celebrou 20 anos de trajetória com a turnê de Vem Doce, álbum indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

Em Salvador, a apresentação carrega ainda uma dimensão pessoal. Nascida em Alto Garças, no Mato Grosso, Vanessa cresceu sob a influência de uma avó baiana e associa parte de sua formação à Bahia. A relação com a capital baiana também se consolidou profissionalmente desde os primeiros anos de carreira.

“Salvador tem uma relação afetiva muito profunda comigo. Fui criada no Mato Grosso por uma avó baiana, então existe alguma coisa da Bahia na minha formação emocional, antes mesmo da minha formação como artista. Estar aqui sempre desperta essa memória, quase como reencontrá-la”, conta Vanessa.

A cantora também lembra que Salvador esteve entre as primeiras cidades onde percebeu um público interessado em acompanhar sua obra para além dos sucessos individuais, atento às letras, aos discos e às transformações de sua carreira. Amanhã, 3, essa trajetória será revisitada a partir de Todas Elas, em um espetáculo que aproxima as canções recentes de uma produção artística construída ao longo de mais de 20 anos.

VANESSA DA MATA: ‘TODAS ELAS’ / AMANHÃ (3), 18H / CONCHA ACÚSTICA DO TEATRO CASTRO ALVES 2º LOTE: R$ 220, MEIA-ENTRADA: ESGOTADA / VENDAS: SYMPLA E BILHETERIA DO TCA

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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