OPINIÃO
Democracia ativa
Confira o editorial do jornal A TARDE deste domingo


Uma semana após o Brasil escrever uma das mais belas páginas da nossa democracia, permanece uma sensação boa pairando no ar puro da iniludível vitória com a força das ruas.
As urnas falaram. E falaram de forma eloquente, dentro das regras do jogo democrático escolhido após décadas de luta, sacrifício e amadurecimento.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva representa, sobretudo, a reafirmação da soberania popular como o caminho legítimo para definir os destinos desta Nação. Assistiu-se ao enfrentamento dos discursos extremistas, insistindo em questionar a legitimidade do processo eleitoral; saíram mais fortes as instituições republicanas.
Ao mesmo tempo, a semana expôs o isolamento político daqueles apostadores na confrontação permanente, buscando generalizar, a partir de contendas judiciais pessoais, questionamentos da ordem institucional brasileira.
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A fuga reiterada de figuras ligadas ao bolsonarismo para o exterior pode ser vista como confissão da incapacidade de sustentar narrativas sem respaldo hegemônico dentro nem fora do País. A ausência de apoio internacional relevante e a perda de influência em setores importantes da sociedade brasileira evidenciam os limites do radicalismo.
Agora, é enfrentar o novo desafio, governando para todos – a vida segue tanto para quem se engajou na luta contra arroubos autoritários, quanto para os milhões de eleitores que votaram no candidato derrotado.
Cabe agora à frente de centro-esquerda eleita governar; à oposição, fiscalizar e fazer os contrapontos com responsabilidade; e à sociedade, manter-se sempre alerta na defesa dos valores democráticos. Nenhuma liderança está acima das instituições, e nenhuma aventura autoritária pode prevalecer quando a vontade popular encontra respaldo nas urnas.
O Brasil segue em frente. E para frente deve continuar caminhando.


