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O andarilho e sua sombra

Confira o Editorial desta quinta-feira

Redação
Por Redação
Flávio Bolsonaro descendo de avião
Flávio Bolsonaro descendo de avião - Foto: Ricardo Arduengo/AFP

A imagem do Gulfstream G400 pousando em Opa-locka, em Miami, com Flávio Bolsonaro e família a bordo, depois de cruzar a fronteira a pé em Foz do Iguaçu, pegar um voo privado em Puerto Iguazú e fazer escala em Guayaquil, pode parecer até cena de cinema a partir do roteiro adaptado de uma fuga.

Ele descumpriu ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes, no âmbito de inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro, e escolheu evadir-se com medo – outra ação da família Bolsonaro a tentar projetar sombra sobre a democracia brasileira.

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Depois de evitar reconhecer a derrota para o presidente Lula por mais de 4,4 milhões de votos, Flávio reproduz o conhecido enredo: questionar sem provas, vitimizar-se e buscar abrigo externo.

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A boa notícia está na solidez das instituições. O processo eleitoral, validado pelo TSE e acompanhado internacionalmente, permanece de pé. Grave, porém, é o segundo ato. Flávio não foge apenas da Justiça; foge para os Estados Unidos a fim de se encontrar com o irmão Eduardo Bolsonaro, também foragido, e com um círculo disposto a tentar forjar uma dissidência ilegítima contra o Brasil.

É uma ameaça direta à soberania nacional: fazer oposição a partir de um governo estrangeiro, oferecendo visto e palanque. Donald Trump, às voltas com as eleições para o Congresso de 3 de novembro, onde pode perder maioria, declarou só aceitar o resultado se ele considerar as eleições “honestas”. A ressalva, sem qualquer prova de fraude, nomeia a eleição brasileira de “muito estranha”, além de atribuir a Flávio e família a condição de “fine people”.

O recado está dado: como se fosse um deus, ele quer decidir o destino do Brasil. Duas democracias não podem ficar reféns do humor de quem condiciona a regra do jogo. O Brasil já provou: a nossa democracia independe de tiranias externas.

Cabe agora ao Estado manter a aplicação da lei, e cabe à sociedade brasileira escapar da armadilha conceitual de confundir fuga com exílio.

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