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Supremo espelho

Confira o Editorial desta quinta-feira

Redação
Por Redação
Imagem ilustrativa da imagem Supremo espelho
Foto: Gustavo Moreno | STF

O Supremo está diante do espelho onde pode ver sua imagem invertida. Ou reafirma sua condição de guardião do direito e defensor da cidadania, apurando integralmente todos os fatos relacionados ao Banco Master, ou seguirá perdendo sangue e colocando em risco a vida da democracia.

Pode ficar mais fácil iluminar o convívio da magistratura com uma simples pergunta, respondida nela mesma, quase de bate-pronto ou no reflexo do espelho: a quem interessa a crise? A discórdia terrivelmente instalada no Supremo Tribunal Federal deixou de ser um ruído interno para se tornar um teste para a jovem democracia brasileira.

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A sequência é vertiginosa, intensa, incessante, desafiando uma análise consistente – pois torna-se provisória diante da sequência de notícias, cada uma pautando a próxima sem parar. O ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o ministro Flávio Dino reverteu a medida; o presidente Edson Fachin suspendeu ambas as decisões.

No decorrer do pugilato político, em substituição ao ringue judiciário, sessões são canceladas, turmas paralisadas e uma troca pública de acusações entre ministros vem gerando distúrbios interessantes para quem ainda sonha com golpe de Estado.

É preciso dizer com clareza: nenhum poder sobrevive à guerra de liminares. Este é o grande risco da problemática criada a menos de um mês das eleições. É possível compreender o cenário turbulento no qual decisões se sobrepõem, se anulam e invadem a competência alheia, mas a narrativa golpista se nutre desta cizânia.

Assim, se corrói não apenas o rito processual, mas a sensação de autoridade do tribunal. O Supremo precisa retomar sua estabilidade atingida por interesses espúrios de quem quer ver a corte pegar fogo. O vácuo deixado por uma Corte dividida é terreno fértil para a desinformação.

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Transformar uma crise do Judiciário em pretexto para desacreditar as instituições é o novo atalho autoritário a ser repudiado. O país quer mais além de uma administração da crise: espera respeito à Constituição e à virtude da justiça, doa a quem doer.

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