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CONFIANÇA X ABUSO

Advogado suspeito de ritual satânico é acusado de dopar e abusar de casal

Mulher e homem foram dopados antes dos abusos

Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

18/01/2026 - 9:41 h | Atualizada em 18/01/2026 - 9:55
A polícia apura se advogado (foto) matou a vítima em ritual satânico
A polícia apura se advogado (foto) matou a vítima em ritual satânico -

O que começou como uma convivência cordial entre vizinhos acabou se transformando em um dos capítulos mais traumáticos da vida de um casal do Distrito Federal. A história veio à tona somente agora, depois de mais de cinco anos de silêncio mantidos por Ana Soares*, 49 anos, e César Augusto*, 43, que decidiram relatar publicamente uma violência sofrida em 2020.

Eles apontam o advogado João Paulo Leandro Mendes Mendonça Carrera, de 34 anos, como o responsável por abusá-los sexualmente. O homem está preso desde o fim de 2025 suspeito de matar um homem durante um suposto ritual satânico.

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Segundo a mulher, o contato com o advogado teve início quando ele e o então marido se mudaram para um lote vizinho, na região do Areal. “Eles vieram em nossa casa, perguntando como que era a vizinhança, porque eles tinham comprado um lote do lado. A gente nunca imaginou que ele era capaz de fazer uma coisa dessas. No começo, ele era uma pessoa super amigável, amável e alegre. Até então, o João não tinha demonstrado ser o monstro que ele é”, contou Ana.

A noite que terminou em apagão

Ana relatou ainda que, na véspera do ocorrido, João Paulo havia terminado o relacionamento e demonstrava fragilidade emocional. “Na noite anterior, ele tinha acabado de romper com o ex-marido e me mandou mensagem dizendo que não estava bem, porque tinha brigado com o companheiro”, relembrou ela, afirmando que o advogado pediu para mexer em seu cabelo, algo que costumava fazer quando estava triste.

Ela contou que o comportamento insistente dele lhe chamou a atenção. “O que me causou estranheza foi que, nesse dia, ele estava mais apressado para que eu fosse até a casa dele. Tanto que comentei que meu marido estava fazendo almoço e que, quando ele terminasse, iríamos. Só que ele insistiu tanto, que acabamos indo logo”, disse ela.

Outro fato que havia lhe despertado a atenção ao chegar na residência do advogado, foi encontrar bebidas sobre a mesa. “A de vodca já estava aberta. O João mostrou para a gente, disse que era bom e perguntou se a gente já tinha tomado. A última coisa que me lembro é de estar sentada na ponta da mesa. Depois disso, acordei espantada, de madrugada, na cama da minha casa, sentindo muita dor”, contou Ana, revelando que, na ocasião, tomou apenas uma pequena dose da bebida oferecida.

“Tenho certeza que ele colocou algo na bebida porque, como o meu marido é bartender, a gente tem o costume de fazer e experimentar drinks aqui em casa. Então, já estávamos acostumados a beber”, completou.

Após um longo período com o casal desacordado, João Paulo acionou a sogra de Ana, que encontrou os dois caídos no sofá e chamou o Corpo de Bombeiros do DF (CBMDF), responsável pelo atendimento.

A descoberta do abuso

Sem lembranças do ocorrido, Ana só passou a compreender o que havia acontecido por meio de relatos. “Eu tive que ser carregada pelo pessoal do resgate. Quando acordei, tentei ir ao banheiro, mas estava com muita dor na perna e ainda me sentia bastante tonta”, afirmou.

Ela lembra que precisou da ajuda da sogra e foi neste momento que percebeu os sinais da violência. “Assim consegui ir ao banheiro, percebi que estava com muita dor anal. Foi quando liguei os pontos e vi que tinha sido abusada”, contou, emocionada.

O medo fez com que o silêncio se prolongasse. “Só que eu não contei para ninguém. Fiquei com muito medo da reação do meu marido, principalmente. Guardei isso durante anos", relatou.

Diante da situação, ela resolveu questionar a João Paulo o que havia acontecido e ouviu dele que havia caído. “Comentei a minha situação, que estava muito machucada, a ponto de não conseguir ir trabalhar e que teria que ir a um hospital. Estranhei a preocupação excessiva por parte dele, perguntando se já tinha retornado do hospital, se tinha feito exames e o que o médico tinha dito”, lembrou ela.

Vídeos, confissão e ameaças

A virada aconteceu quando uma amiga, que havia sido indicada para trabalhar na casa de João Paulo, procurou Ana. “Ela mostrou vídeos que o João tinha gravado daquele dia. Segundo ela, ele confessou tudo o que fez, contando, inclusive, que tinha feito sexo oral no meu marido”, disse.

César contou que a descoberta despertou sentimentos intensos. “Descobri um bom tempo depois e, mesmo assim, senti uma raiva como se tivesse acabado de acontecer. Minha esposa teve que me segurar para eu não fazer algo que acabasse me tirando a razão”, afirmou.

As imagens mostram Ana desacordada, em uma delas deitada no chão, com o vestido levantado acima do quadril e sem calcinha.

Após decidir procurar a polícia, o casal afirma que passou a sofrer intimidações e ameaças. “Ele passou a ficar esperando a gente chegar todos os dias. Ele comentou que iria terminar o que tentou e não conseguiu”, revelou Ana o que ouviu do advogado em uma das abordagens.

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Prisão e trauma permanente

Ana relatou que só conseguiu sentir alívio ao tomar conhecimento da prisão do advogado. “Quando vi a notícia, passei mal. Chorei muito, uma mistura de alívio e alegria”, contra ela, afirmando que não consegue confiar mais em ninguém. “Não confio mais em ninguém, fora quem já conheço. Não consigo confiar mais em ninguém. Não bebo nada na casa de ninguém. Aliás, nem vou mais na casa de ninguém”, desabafou.

João Paulo Leandro Mendes Mendonça Carrera está preso após ser apontado pela Polícia Civil do DF (PCDF) como suspeito no caso do corpo carbonizado encontrado em 28 de dezembro de 2025, em uma área rural do Sol Nascente.

Segundo informações de investigadores, ele possui cerca de 30 passagens policiais. A motivação do crime ainda é apurada, e uma das linhas de investigação aponta possível ligação com um suposto “ritual satânico”. As informações são do Metrópoles.

*Nomes fictícios para preservar a identidade das vítimas.

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Tags:

abuso sexual DF advogado preso crime no DF Polícia Civil ritual satânico VIOLÊNCIA SEXUAL

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